Duas imagens que falam por si

26/06/2017

Teatro de última geração, complexo de saúde, policlínica, centro de artes… Há literalmente inúmeros projetos para o elefante branco na esquina da Henry Borden com a Nove de Abril.

Entre tantas teorias, um só fato: o prédio está se deteriorando a olhos vistos. Fiz um GIF com duas imagens minhas, uma de 2009 e outra feita hoje cedo. As fotos (abaixo) falam por si.

O que podia ser uma solução se tornou um incômodo e gigantesco problema. Que precisa ser decidido e resolvido o mais rápido possível. Antes que a próxima foto desse local seja trágica.

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‘Não há motivo para pânico’, diz secretário

31/07/2009

Secretário de Saúde, Vanderjackson Andrade. Foto: Divulgação/PMC

H1N1Em entrevista a este jornalista, o secretário de saúde de Cubatão, Vanderjackson Andrade, explica em detalhes o que é a famigerada gripe suína e garante que o município está preparado para tratar de todos os eventuais casos da nova gripe. Até a tarde desta sexta-feira (31), a Cidade totaliza três casos suspeitos da doença – dois em análise e um já descartado.

ALLAN – Há motivo para a população ficar preocupada com a nova gripe?

VANDERJACKSON – Não há motivo para alarde. A gripe comum foi responsável por 70.142 mortes ou internações em 2008 no Brasil. A gripe suína, até agora, provocou menos de 100 mortes no País. Neste momento, estamos no pico da epidemia, já que o frio é um período mais propenso à proliferação do vírus, que sobrevive melhor em clima menos quente. Neste período do ano, as pessoas costumam deixar suas casas menos arejadas, menos ventiladas, o que ajuda na propagação da gripe. Com o calor, felizmente isso tenderá a cair. Ainda assim, esta gripe tem um índice de mortalidade semelhante à comum, até talvez menos grave. Por que esse alarde todo então? A grande questão é que pela primeira vez a gente tem uma epidemia acompanhada e notificada em tempo real. Qualquer caso já é objeto de debate e repercussão nos meios de comunicação. Com isso, há uma valorização muito grande da realidade, mas não há motivo nenhum para pânico. Os dados mostram que o adoecimento e mesmo as mortes provocadas por essa gripe têm sido iguais ou até menores quando comparadas com a gripe comum. Com a chegada de um clima mais quente a expectativa é a de que diminua a proliferação do vírus e no próximo inverno com certeza haverá uma vacina.

A Cidade está preparada para um possível surto da doença?

A Cidade está absolutamente bem preparada, está muito tranquila a nossa situação. Temos disponível o Tamiflu, que é um medicamento antigripal indicado para todas as gripes, inclusive a nova. Nossas equipes de saúde e de educação estão preparadas e sendo treinadas. Nesta semana estamos treinando os profissionais que atuam nas creches, que ficarão fechadas até o próximo dia 17, de acordo com critérios de prudência do Ministério da Saúde e do Governo do Estado. As unidades de ensino seguirão a medida para evitar aglomerações e fatores de risco para a proliferação da nova gripe. Todas as unidades de saúde foram visitadas e treinadas com materiais de apoio preparados por nós para os profissionais da área e para a população. Estamos desenvolvendo um trabalho junto aos caminhoneiros – já que Cubatão tem uma média de 9 mil caminhões circulando por dia, muitos dos quais vindos de regiões do Mercosul  e do Sul do País com um alto grau de contágio pela nova gripe. Cada caminhão vem com até dois passageiros, o que dá cerca de 15 mil pessoas circulando pela Cidade por dia. Estamos com equipes distribuindo materiais informativos e conversando com os caminhoneiros, que estão contribuindo muito bem. Temos equipes nos três pronto-socorros municipais preparadas para atender à população. No hospital Dr. Luiz Camargo da Fonseca e Silva temos seis leitos disponíveis (quatro para adultos e dois para crianças) para eventuais internações e casos suspeitos que necessitem de isolamento. Para casos mais graves, temos leitos na UTI à disposição. A Cidade está muito bem preparada. Nós sabíamos que essa gripe iria chegar, por isso nos preparamos.

Quais os cuidados que a população deve tomar e que situações deve evitar?

A prevenção é o mais importante neste caso. Basta tomar as medidas de higiene fundamentais, como lavar as mãos pelo menos dez vezes por dia e procurar não tocar muito no rosto, especialmente o nariz, boca e olhos. Se estiver com algum mal estar comum da gripe, ficar em casa e evitar sair e manter contato com outras pessoas. A casa deve estar a mais arejada e limpa possível, porque basicamente são as gotículas de saliva que levam a gripe e que provocam o contágio. Essas gotículas acabam saindo durante a fala, no espirro e na tosse, portanto nessas situações procurar colocar um lenço na frente da boca. O vírus sobrevive no meio ambiente e alguém pode passá-los a objetos, como maçanetas e mesas. Por isso que se deve lavar bem as mãos e várias vezes por dia.

Um dos símbolos dessa pandemia são as máscaras cirúrgicas. Quando o seu uso é indicado?

A máscara deve ser usada somente em algumas situações. Se a pessoa com sintomas de gripe estiver sozinha, é desnecessário, nem mesmo se estiver ao ar livre, desde que não tenha pessoas muito próximas dela. Se houver alguém próximo dessa pessoa cerca de 1 metro, neste caso é indicado ao doente o uso da máscara. Quem não tem nenhum sintoma de gripe não deve usar máscara. Em ambiente hospitalar, a orientação é que qualquer pessoa que chegue com sintomas de gripe deve receber a máscara. Essas pessoas ficarão assim até serem atendidas e deixadas mais de 1 metro distantes dos outros pacientes, não necessariamente em outras salas. Quanto aos funcionários, só usarão máscaras aqueles que mantiverem contato próximo com os pacientes.

Quando deve-se procurar um serviço de saúde?

Nesse momento, qualquer sintoma de gripe já é o suficiente para procurar uma unidade de saúde mais próxima. Qualquer hospital está capacitado para atender à população. Se o caso não precisar de maiores cuidados, o paciente será medicado e voltará para casa. Essa gripe tem um período de incubação de 5 a 7 dias, o mesmo que uma gripe comum, podendo chegar a 10 dias. Nesse tempo, é preciso guardar repouso e a família precisa acompanhar esse período de resguardo, pois muitos infectados não apresentam sintomas, mas também transmitem a doença. É importante evitar a automedicação e buscar o apoio das unidades de saúde. Ressalto que não há motivo para pânico, pois essa gripe é semelhante à comum e merece a mesma atenção e cuidado.

Existem grupos de risco mais vulneráveis à doença?

Com certeza. As pessoas que estão tendo sintomas mais graves são as que já têm problemas de saúde, como doenças respiratórias (asma, bronquite e tuberculose), fumantes, cardíacos, obesos mórbidos, gestantes e pacientes com problemas na imunidade do corpo (como portadores de Aids, em tratamento de câncer, ou qualquer tratamento cujos medicamentos reduzam a resistência).

Qual a diferença entre as gripes e um simples resfriado?

A gripe é causada só pelo vírus influenza, que tem vários tipos que sofrem muitas mutações. Um deles predomina a cada ano. Existem observatórios internacionais de gripe, que recolhem amostras do mundo inteiro e anualmente fazem uma vacina dos tipos de vírus predominantes. Por isso que a vacinação contra a gripe deve ser anual. No caso do H1N1, o vírus foi uma mutação a partir de um que só acometia os porcos, mas que por essa mudança genética passou a infectar os humanos. A boa notícia é que quem tem uma determinada gripe está imune a ela. Ou seja, quem teve gripe suína não será mais acometida por ela, pois criou resistência a esse tipo de influenza. Já o resfriado que é causado por vários tipos de vírus. Os sintomas são parecidos, mas são mais fracos em relação à gripe. É uma pandemia esperada, mas que a sua gravidade é bem menor do que esperavam os cientistas. Não há motivo para preocupações, é que esta é a primeira vez em que acompanhamos em tempo real uma pandemia e todo caso ganha repercussão na mídia. Temos sim que tomar todos os cuidados como tomaríamos com qualquer gripe comum, que deve ser tratada e acompanhada por um médico.


H1N1: estamos preparados?

27/07/2009

Montagem: Allan Nóbrega

No último final de semana, os cubatenses e a Baixada Santista ficaram em alerta. Um possível caso de morte por Influenza H1N1 (a famigerada gripe suína) envolvendo um estudante de medicina que nasceu na Cidade deixou a todos preocupados. Estamos preparados para uma eventual epidemia da doença em Cubatão?

Infelizmente, acredito que não. Se depender do que vi e passei no início da semana passada no Pronto Socorro Central, é melhor botar as barbas de molho e caprichar na vitamina C.

No domingo (19), comecei a passar mal após chegar em casa. Havia passado o dia fora e já estava gripado, mas acabei tomando chuva e comecei a ter febre forte. Na segunda de manhã, procurei o Pronto Socorro Central para passar pelo médico. Afinal, todo cuidado é pouco e, além da febre, estava sentindo dores nas articulações, um dos sintomas da gripe suína.

A entrada do centro de saúde é uma maravilha. Cadeiras confortáveis, café, água e uma bela TV de plasma (que deve ter custado uma fortuna) à nossa disposição. Tudo isso até o preenchimento da ficha de chegada.

Após esse procedimento, e relatando os sintomas que apresentava, fui encaminhado para a parte interna do PS, junto com os outros pacientes. Era um festival de tosses e espirros, em meio a pessoas que procuravam a unidade à procura de outros tratamentos, como curativos e atendimentos pediátricos. Ou seja, um festival de troca de bactérias e vírus. Que saudade da sala com TV de plasma…

Após 40 minutos de espera, fui atendido por um médico que se olhou 5 segundos para mim foi muito. Apenas perguntou o que sentia e leu a medição da minha pressão, feita por uma enfermeira. Mesmo contando os sintomas, ele apenas olhou minha garganta, indicou uns comprimidos e xaropes e pronto. Tempo total de atendimento: 2 minutos. Ah, a consulta foi feita com as portas abertas, com outros pacientes em pé, na fila observando o meu relato. Não pude deixar de observar que em cima da mesa do médico, havia um folheto disponibilizado pela Prefeitura com todos os sintomas e como agir em casos suspeitos de gripe suína, material solenemente ignorado pelo profissional de saúde.

Uma semana depois, estou melhorando. Quando já me sinto aliviado, leio que o velório do jovem com caso suspeito de gripe suína foi feito em uma sociedade de melhoramentos e os parentes que mantiveram contato com a vitima não foram isolados, mesmo com todas as recomendações do Ministério da Saúde para tal situação.

Como em todo velório, fontes que estiveram no local me contaram que, obviamente, não faltaram abraços e conversas com os familiares, inclusive por parte da prefeita, presente ao local. A justificativa de tal procedimento, por parte do secretário de saúde: “as circustâncias para a família são dolorosas e os parentes estariam impedidos de acompanhar o velório e o sepultamento do rapaz”. Doloroso será tratar de tantos infectados, pois foram propiciadas todas as condições para uma epidemia da gripe A na Cidade.

Se isso acontecer, do jeito que vi o atendimento no Pronto Socorro Central, é bom começar a rezar.


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