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Prefeitos, governadores e presidentes: fotos para a História

Retomando esse espaço que vai completar 10 anos em breve, vou tratar aqui um pouco da minha carreira no jornalismo/assessoria de imprensa. Muitas vezes, parafraseando o lendário tema do Repórter Esso, somos mesmo testemunhas oculares da História. Reúno neste post algumas fotos minhas que retratam os prefeitos de Cubatão, governadores de São Paulo e presidentes brasileiros nos últimos anos. E falo do contexto em que as imagens foram registradas. Boa leitura!

Dilma Rousseff – 30/04/2010

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Uma até então pouco conhecida ministra do governo Lula, Dilma Rousseff esteve em Cubatão no final de abril de 2010 para fazer um dos primeiros atos da sua pré-campanha à Presidência. Com aparência bem diferente da que seria adotada na campanha, mas já ensaiando discursos e programa de governo, ela falou para um grupo de militantes, políticos e imprensa numa pizzaria local. Com um calor infernal (não havia ar condicionado), pouco se ouvia. Mas com o PT em voo de cruzeiro no cenário nacional à época, isso pouco importava. O fato político de alcance nacional estava pronto. Entre cotoveladas, dribles na segurança e secando as insistentes gotas de suor, consegui registrar o momento.

Nei Serra e Marcia Rosa – 11/08/2011
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Um encontro fortuito e surpreendente em Santos, durante um encontro de prefeitos com o governador Geraldo Alckmin. Futuros adversários nas tumultuadas eleições do ano seguinte, Marcia Rosa e Nei Serra (então representante da associação de hotéis de Bertioga) trocaram cumprimentos num encontro que este que vos escreve conseguiu registrar com exclusividade.

Marcia Rosa, Geraldo Alckmin e José Serra – 19/11/2011

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Se nacionalmente PT e PSDB não se dão bem, regionalmente a disputa é intensificada. Protagonistas de embates antológicos nos últimos anos, a então prefeita Marcia Rosa e o governador Geraldo Alckmin se encontraram no Jardim Nova República, em Cubatão, para entregarem moradias de um conjunto habitacional feito com recursos estaduais e municipais. Para aumentar o climão, o chefe do Executivo estadual trouxe a tiracolo para a cerimônia seu antecessor (e ainda mais desafeto de Marcia), José Serra. Sobraram indiretas e trocas pouco amistosas de olhares. Fato que não passou desapercebido por nenhum dos presentes. A imagem registrada por mim fala por si.

Marcia Rosa e Paulo Alexandre Barbosa – 17/05/2013

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Apesar das diferenças, no dia a dia a relação entre os prefeitos da Baixada é respeitosa e até amistosa. Que o diga esse rápido e simpático registro de um encontro entre a prefeita de Cubatão e o chefe do Executivo Santista em um evento do governo do Estado na prefeitura da maior cidade da Região.

Lula – 09/08/2013

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Ainda longe do turbilhão que estaria por vir nos anos seguintes, o ex-presidente Lula foi recebido como um verdadeiro rockstar em um evento do seu partido em Bauru, no interior de São Paulo. Ovacionado pelos militantes, paparicado pela imprensa nacional e retornando de um exitoso tratamento de saúde, ele era só sorrisos ao lançar seu ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, como candidato ao governo de São Paulo.

Michel Temer – 06/12/2013

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Fotos posadas são o pesadelo de qualquer repórter fotográfico. A espontaneidade de um encontro é muito mais reveladora e jornalisticamente relevante. Mas, às vezes, um olhar pode mudar tudo. Anos antes de ser conduzido à Presidência da República, Michel Temer recebia prefeitos da Baixada Santista em seu escritório, em São Paulo, para receber pleitos sobre mobilidade urbana e encaminhá-los ao Palácio do Planalto, após tentativas frustradas das autoridades regionais em marcar audiência com a então presidente Dilma Rousseff. Controlando o tempo da audiência minuciosamente, Temer aceitou posar rapidamente para uma foto, mas estava com pressa, pois era latente o desejo do à época vice-presidente de voltar à agenda política (diversos deputados e agentes políticos o esperavam para audiências).

Wagner Moura – 27/05/2014

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Os últimos dois anos foram os de maiores reviravoltas políticas na história de Cubatão. Diversas ações eleitorais movidas na campanha de 2012 geraram consequências que perduraram até o último dia de 2016. No meio de 2014, Marcia Rosa foi afastada da Prefeitura por decisão da Justiça Eleitoral, assim como seu vice Donizete Tavares. Coube à Wagner Moura, então presidente da Câmara, assumir o poder Executivo. Registrei o momento em que ele assinou a ordem judicial, tornando-se prefeito por pouco mais de um mês.

Dilma Rousseff – 30/09/2014

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Se em Cubatão as eleições de 2012 geraram turbulências para os anos seguintes, no cenário nacional isso se deu no pleito de 2014. Uma campanha presidencial tensa, com reviravoltas inacreditáveis. Um dos últimos atos de campanha de Dilma Rousseff no primeiro turno foi uma carreata em Santos. Cobrir eventos políticos na rua já é uma missão complicada para a imprensa. Com uma presidente da República disputando reeleição, então, é quase impossível. Credenciamento exaustivo, segurança em alerta máximo com medo de atentados. Entre empurrões, pés pisoteados e troca de “gentilezas” com os agentes do Exército, consegui algumas boas imagens da candidata/presidente.

Ademário Oliveira e Aguinaldo Araújo – 09/12/2016

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Como mais uma das consequências da atribulada eleição de 2012, Marcia Rosa e Donizete foram afastados novamente em 2016. Coube ao presidente do Legislativo de então, Aguinaldo Araújo, assumir o Executivo e completar a gestão até a posse do prefeito eleito nas eleições de 2016, Ademário Oliveira. Numa das reuniões desse período, pude registrar um momento simbólico: dois prefeitos entre a cadeira do poder Executivo da Cidade. Uma literal transição de governo.

Tem muito mais fotos e registros desse mundão no meu Flickr • 

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Quando a política fala mais alto

Eclair argumenta com manifestantes. Foto: Allan Nóbrega

Decepção. Esta é a palavra que define o que aconteceu nesta quarta-feira (31) no Bloco Cultural. Um evento – que até agora está sem definição, mas que com certeza não pode ser chamado de audiência pública – promovido pelo Governo do Estado para apresentar o famigerado e polêmico Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar, gerou protestos, bagunça e factóides políticos, menos o principal: esclarecer aos moradores das Cotas presentes os objetivos e o funcionamento do projeto.

Desde a véspera, já se sabia que os ânimos estariam agitados e a disputa política estaria armada. Por ordem de membros do Palácio dos Bandeirantes, o diretório municipal do PSDB se reuniu na terça-feira à tarde para traçar estratégias de defesa do programa durante o evento do dia seguinte. Por outro lado, o diretório municipal do PT também se movimentou e elaborou um manifesto público, que foi entregue durante a reunião no Bloco.

Quando o atual coordenador do programa, o polêmico coronel da Polícia Militar Elizeu Eclair Teixeira Borges, chegou ao recinto, o sinal verde estava dado. Dezenas de manifestantes trajando camisetas exigindo uma audiência pública sobre o projeto desenrolaram suas faixas e começaram a bradar para as equipes de TV que cobriam o evento. Eclair, já acostumado a protestos e caras feias, mal se importou e continuou a falar com a imprensa. Disse que não via movimentação política nos protestos e disse que considerava normal a situação. Quem não tinha o mesmo treinamento militar chegou a se assustar.

O estopim final foi a contratação de um mediador independente, que fez questão de dizer que não tinha ligações com o Governo do Estado e que tinha sido chamado apenas para o evento. Melhor que não fosse. Rígido e por vezes falando alto demais, tentou em vão combater cada grito e questionamento dos manifestantes. Ao dizer que não formaria uma mesa e que as autoridades responderiam aos questionamentos da plateia e poucos minutos depois fazer exatamente o contrário, a bomba estourou.

Gritaria, protestos, escândalo, perplexidade. Os manifestantes, que dizem representar as partes envolvidas, misturando moradores das Cotas com habitantes do Jardim Casqueiro, bradaram e ensaiaram uma retirada, dizendo que não teriam espaço no evento.

Tentando consertar a situação, mais de 90 minutos depois do início da reunião, o mediador chamou as autoridades municipais, sem antes dizer, desastrosamente, que não havia representantes do município presentes. Os manifestantes ficaram e grande parte deles prostrou-se no palco, atrás dos representantes estaduais.

A partir daí, nove em cada dez pessoas da sociedade pré-inscritas para falar e/ou fazer perguntas acabou criticando severamente a postura do Governo do Estado e o programa. Muitos integrantes do movimento protestante. Outros, reconhecidos líderes partidários, tanto do PSDB quanto do PT. Eclair mantia-se impávido, tentando argumentar a cada reclamação, muitas vezes sem sucesso, frente ao barulho provocado pelos que manifestavam. E assim foi até o início da noite.

Acesse duas versões sobre o programa: uma do Governo do Estado e outra da Prefeitura de Cubatão.

Caixa com faixas dos protestantes esquecida atrás do palco do Bloco. Foto: Allan NóbregaFalta menos de um ano para as eleições de 2010, que dividirá grande parte dos eleitores em duas frentes: a tucana e a petista. Do lado do Governo de José Serra, o projeto de recuperação da Serra do Mar pode ser a sua grande vitrine política para o pleito presidencial. Para o lado vermelho, é complicado abrir espaço para o grande projeto tucano, do qual será apenas coadjuvante e não terá participação.

Aliado à truculência e falta de diálogo, o palco para um triste espetáculo está armado. E o próximo round desta luta já está marcado: dia 14, às 18h30, na Capela Nossa Senhora Aparecida (Rua 7, 351, Pinhal do Miranda). Que o espírito conciliador e de bom senso do falecido Rubens Lara impere e que os mais afetados no meio deste furacão, os moradores de Cubatão, saiam ganhando.

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Próxima parada: Poli-USP

Prefeitura, Câmara e sociedade cubatense merecem os parabéns pelas tratativas para a instalação do campus da Poli-USP.

Que bom que todos perceberam que esta é a última chance que temos para tornar realidade uma luta que já dura 22 anos e que pode ser a oportunidade decisiva para mudarmos a história de nossa Cidade. Agora, é cobrar para que o projeto que crie a fundação que controlará o centro de ensino chegue logo à Câmara.

Todas as tratativas já foram brilhantemente realizadas por pessoas como Rodryell Pivato, professor Claudio Oller, professor Madeira, Geraldo Guedes, Nêga Pieruzi, Dédinho, Adeildo Heliodoro e tantos outros que peço perdão por não lembrar agora.

Agora, só depende da professora e prefeita Marcia Rosa. Que as diferenças ideológicas e políticas não sejam barreiras para o futuro dos jovens desta Cidade. Torço muito para que tudo dê certo. Agora vai!

COMO SERÁ A POLI-USP CUBATÃO

  • Localização: salas de aula no Cepema (próximo ao Pólo Industrial) e no antigo CSU (Parque do Trabalhador – Jardim Costa e Silva). Neste último, também haverá alojamentos, anfiteatro, conjunto poliesportivo e salas de apoio. Estuda-se a possibilidade de utilizar a área da Light para abrigar os professores e pesquisadores.
  • Recursos para as obras e manutenção do local: deputados estaduais da região já sinalizaram o envio de recursos do governo estadual. Além disso, haverá verbas municipais. Não está descartado apoio federal.
  • Gestão dos recursos: por meio de uma Fundação de Direito Público Municipal, a ser criada pela Prefeitura.
  • Participação da PMC nos recursos: inicialmente de 0,25% da arrecadação em 2010; em 2011 o valor sobe para 0,5% da arrecadação e em 2012 a cota é de 1%, índice definitivo para os anos seguintes. Está acertada outra fonte de recursos municipais. No leilão da folha de pagamento que a PMC efetuará em breve, parte dos recursos serão destinados a Fundação – o que ultrapassar os R$ 25 milhões.
  • Cursos previstos: Engenharia Química no primeiro ano. No seguinte, Engenharia de Produção e Engenharia da Informática. No futuro, expansão e criação de mais cursos, além de pós-graduação e extensão universitária.
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Poli-USP: O sonho está próximo

Se depender do trabalho de bastidor que está sendo desenvolvido por setores da política cubatense, uma unidade da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo em Cubatão está muito próxima de se tornar realidade.

Na próxima segunda-feira, às 17 horas, na Câmara de Cubatão, a Comissão Especial de Vereadores que cuida do tema promoverá uma audiência pública para discutir a possível construção da universidade em Cubatão.

De acordo com minhas fontes, há total disposição da Universidade de São Paulo em investir no projeto. O problema é que a Administração Municipal ainda não manifestou a sua posição oficial sobre o assunto.

Em todo caso, o que está sendo estudado no momento é a definição do melhor local para a instalação do campus. O favorito é o terreno destinado ao projeto desde os anos 80: o CSU (Parque do Trabalhador), no Jardim Costa e Silva.

Mas outras possibilidades estão sendo discutidas. Um dos locais que poderia receber pelo menos alguns prédios de ensino é a região próxima ao Cepema, nas proximidades da Avenida Giusfredo Santini. Há, porém, uma possibilidade que ainda está sendo melhor desenvolvida.

Pensa-se na possibilidade de se instalar o campus da Poli-USP na região da vila da Light. O local já foi um dos points de Cubatão nos anos 60 e 70, quando a usina teve sua capacidade de geração de energia suplantada, o que acabou com os tempos gloriosos da região.

Além do amplo espaço, totalmente compatível com um campus universitário, haveria condições de se instalar um centro de estudo ambiental e moradias para o corpo docente não precisar subir e descer a serra diariamente. O maior entrave para ideia é que as famosas casas canadenses da vila são tombadas, o que impede reformas ou grandes obras na região.

Vamos ver o que será dito na segunda-feira na Câmara. Foram convidados todos os deputados que representam a região na Assembleia Legislativa, secretários municipais e a própria prefeita Marcia Rosa.

Que essa chance de ouro para o desenvolvimento da nossa Cidade não seja perdida e que, finalmente, a Poli-USP em Cubatão seja mais que a famigerada pedra fundamental, inaugurada trocentas vezes e hoje soterrada pelo esquecimento.