‘Fiz os gringos irem pra Cubatão e olha no que deu’

06/06/2017

Nos anos 1980, Cubatão era um dos alvos preferidos para sofrer bullying na mídia. Embora já estivesse se recuperando da terrível poluição que a tornou conhecida mundialmente no início daquela década, em 1987 a cidade ainda era uma piada muito fácil para ser descartada pela politicamente incorreta publicidade da época.

Registro aqui mais uma pérola descoberta nos confins da internet: um comercial da companhia locadora de carros Localiza que hoje seria impensável, mas que há exatos 30 anos foi exibido em plena Rede Globo no horário nobre.

É até difícil apontar os problemas na peça, pois tudo na propaganda é errado: desde a trollagem nos gringos visitando São Paulo à caracterização de Cubatão como não só um local poluído, mas também composto por becos escuros e habitados por uma gangue digna de filme B da Sessão da Tarde.

Anos 80, amigos. Tempos muito, muito doidos.

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Cubatão aparece em minissérie da Globo

02/05/2017

Caminho do Mar e tubulações da Usina Henry Borden aparecem em episódio de “Vade Retro”

No último dia 20 de abril, estreou na TV Globo a minissérie “Vade Retro“, com Tony Ramos e Mônica Iozzi. Quem assistiu ao primeiro episódio da obra de Fernanda Young e Alexandre Machado (autores da consagrada “Os Normais”), pode não ter notado, mas Cubatão aparece com destaque em uma das principais cenas do programa.

Dutos da Usina Henry Borden, em destaque na cena (Reprodução/TV Globo)

Quando Abel, personagem de Ramos, provoca na frente de Celeste (Iozzi) um apagão em toda a cidade onde a história se passa, a locação da cena é um dos locais mais conhecidos de Cubatão: a estrada do Caminho do Mar. Em destaque, as famosas tubulações de água que servem à Usina Henry Borden.

Segundo a comunicação da TV Globo, as cenas foram gravadas em junho de 2016. Quem já foi a algum dos locais da Estrada Velha nesta época do ano sabe bem: o frio é intenso.

Tony Ramos e Mônica Iozzi durante ensaios para gravação da cena (foto: Ramón Vasconcellos/TV Globo)

Aparentemente, a ex-CQC foi pega de surpresa com as baixas temperaturas no momento da gravação. Em entrevista ao site Notícias da TV, Mônica Iozzi comentou como foi gravar na região. “Foi muito sofrido (…) Eu estava com esse bendito vestidinho fininho, sem nada. Estava muito frio e ventando, a ponto de a gente estar em pé e balançar com a força do vento. Eu não tremia a boca na hora de falar o texto, não sei como. Mas eu falava o texto e voltava a tremer”, disse.

Clique aqui para ver a cena em que a locação cubatense aparece na minissérie global.

Curiosidade: em 2011 foi criada a Cubatão Film Comission, órgão ligado à Secretaria Municipal de Cultura para fomentar a realização de obras audiovisuais na cidade. Desde então, já foram gravados comerciais e programas de TV em locações como a Vila Fabril, a própria Estrada Velha e a Avenida Nove de Abril.


Cubatão mudou. Mas não o avisou

15/10/2009

Léo Jaime e Fernanda Lima, a dupla do programa 'Amor & Sexo', da TV Globo. Foto: Divulgação/TV Globo

O brasileiro em geral é muito bem-humorado, gosta de fazer brincadeiras. E uma de nossas modalidades favoritas é lidar com os estereótipos. Esse gênero consagrou os programas humorísticos e até hoje o vemos com bastante frequência nas telinhas e nas rodas de conversa entre os amigos. E foi uma dessas brincadeiras que novamente acordou a população cubatense de que ainda temos um triste legado.

Há cerca de duas semanas, durante o programa Amor & Sexo, da TV Globo, a apresentadora Fernanda Lima perguntou ao crooner da banda do programa, o cada vez mais inchado cantor Leo Jaime, qual havia o lugar mais estranho que ele havia tido relações sexuais. A resposta veio na lata: Cubatão.

Não sei se o ato carnal aconteceu no extinto Savage Motel, atrás do Centro Esportivo Castelão ou no meio da Vila Parisi, mas a piadinha mequetrefe mexeu com os ânimos de muitos cubatenses, principalmente via internet, e gerou até uma moção de repúdio da Câmara.

Tudo bem, ele pegou pesado, mas nós também passamos da conta ao dar importância a isso. Eu mesmo era conhecido como o “cubatense” na faculdade de jornalismo, pois era o único da cidade em minha classe. Ouvi todos os tipos de brincadeiras e nenhuma chegou a me tirar do sério. Pelo contrário, entrava no jogo e criava sacadas geniais, modéstia a parte, a respeito de meus colegas santistas, vicentinos e até mongaguaenses. Um dia, até, causei frisson ao ir estudar ostentando uma bela camisa do Cubatense, time de futebol de vida curta. Não processei ninguém pelas brincadeiras e ninguém também o fez.

Na televisão, cansei de ouvir pessoas brincando com Cubatão. No finado programa Sai de Baixo, o personagem de Miguel Falabella cansou de usar nossa cidade como mote de suas piadas. E eu ria. Ria porque nós damos razão a isso.

Um dos pontos fraquíssimos de Cubatão sempre foi e continua sendo a sua divulgação. Ganhamos o reconhecimento da ONU como exemplo de recuperação ambiental, temos parques ecológicos exuberantes, guarás-vermelhos, monumentos da Serra do Mar. E mostramos isso ao mundo? Não! Qual programa turístico essa Cidade tem a oferecer? Um belo tour pelo parque industrial, para conhecer as maravilhosas chaminés da Usiminas ou a novíssima termelétrica da Petrobras, com um vazamento de amônia incluído?

Se um pobre turista que parar por aqui quiser chegar ao Cotia-Pará, como o coitado vai conseguir isso? Pegando um ônibus circular que para a quarteirões de lá e ainda ter que andar centenas de metros e atravessar uma passarela sem identificação ou segurança? Corajoso esse cara!

Felizmente, o passado onde merecíamos a triste alcunha de “Vale da Morte” acabou. Mas para que o Brasil e o mundo saibam disso e mudem seus conceitos, nós precisamos fazer uma coisa importante: contar para eles. Senão, o pobre do Leo Jaime não voltará para ver estrelas em uma bela noite cubatense de amor e sexo.


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