Prestação de contas da PMC termina em caos

05/07/2017

5 de julho de 2017. Mais um dia daqueles em Cubatão.

No fim da tarde, uma das chaminés do Polo Industrial de Cubatão emitiu um fumacê nada convencional, que aliado ao vento, formou um “cogumelo atômico” em pleno centro da Cidade.

Logo depois, um evento de prestação de contas da Prefeitura de Cubatão virou o palco de mais um momento surreal.

Servidores públicos, profissionais do Hospital Municipal e Cursan, interromperam o evento logo em seu início, quando o prefeito Ademário Oliveira iniciava sua fala. Após cerca de 20 minutos de paralisação, alguém ainda não identificado surgiu detrás do palco e disparou um gás (provavelmente de pimenta) nos manifestantes e nas autoridades que estavam tentando reiniciar o ato. Resultado: tumulto generalizado e quase uma tragédia com centenas de pessoas intoxicadas.

Pra completar a noite, os ânimos exaltados de todos quase culminaram com uma briga campal em plena Praça dos Emancipadores.

Cubatão vive um momento dramático. Milhares de desempregados, uma máquina administrativa quase ingovernável, violência e intolerância. Caos, com C maiúsculo.

Que esse inferno astral coletivo passe o mais rápido possível.


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A disputa pelos muros da cidade

26/01/2017

Quem anda pela região central de Cubatão pode até não ter notado, mas uma guerra informal parece estar em andamento. Aparentemente, diversos grupos de pichadores estão “marcando território” em muros pela cidade. Com motivos variados, que vão de frases de efeito a meras assinaturas, as marcações estão por toda parte.

O fenômeno chama a atenção sobretudo neste momento em que o prefeito de São Paulo, João Doria, lançou uma ofensiva aos pichadores e suas “obras”. Como efeito colateral, os famosos grafites da metrópole também estão sendo atingidos pelo programa, o que tem gerado grande polêmica.

Doria é do PSDB, mesmo partido do prefeito cubatense, Ademário Oliveira. Enquanto medida semelhante não é lançada por aqui, acompanhe abaixo algumas das pichações pelos muros cubatenses registradas nos últimos dias:

FRASES

A categoria que mais chama a atenção é a de pichações com mensagens. Algumas poderiam fazer parte de um livro de autoajuda. Outras servem para marcar território ou posição. A última imagem desse item foi registrada pelo colega jornalista Victor de Andrade, do blog O Curioso do Futebol.

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ASSINATURAS

Como dito anteriormente, parece haver grupos diversos de pichadores. Cada um é marcado por uma “assinatura”. Elas podem ser vistas isoladamente em alguns muros. Uma parede próxima ao Hospital Municipal registra uma espécie de “galeria da fama”, com várias identificações.

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POSICIONAMENTO POLÍTICO

Há uma certa fascinação de um grupo pelo ex-presidente Getúlio Vargas, sobretudo acerca de seu conturbado mandato no Estado Novo. Além da pichação abaixo, em plena Rua Manoel Jorge (em frente ao Paço Municipal), há escritos no busto dedicado ao mandatário na praça que leva seu nome, na Avenida Joaquim Miguel Couto.
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Como último destaque, um “combo” de pichação política com posicionamento pró-descriminalização das drogas. Aparentemente, cada item da obra é de um grupo distinto. Esse elemento pode ser visto em vários pontos da cidade.
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Prefeitos, governadores e presidentes: fotos para a História

12/01/2017

Retomando esse espaço que vai completar 10 anos em breve, vou tratar aqui um pouco da minha carreira no jornalismo/assessoria de imprensa. Muitas vezes, parafraseando o lendário tema do Repórter Esso, somos mesmo testemunhas oculares da História. Reúno neste post algumas fotos minhas que retratam os prefeitos de Cubatão, governadores de São Paulo e presidentes brasileiros nos últimos anos. E falo do contexto em que as imagens foram registradas. Boa leitura!

Dilma Rousseff – 30/04/2010

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Uma até então pouco conhecida ministra do governo Lula, Dilma Rousseff esteve em Cubatão no final de abril de 2010 para fazer um dos primeiros atos da sua pré-campanha à Presidência. Com aparência bem diferente da que seria adotada na campanha, mas já ensaiando discursos e programa de governo, ela falou para um grupo de militantes, políticos e imprensa numa pizzaria local. Com um calor infernal (não havia ar condicionado), pouco se ouvia. Mas com o PT em voo de cruzeiro no cenário nacional à época, isso pouco importava. O fato político de alcance nacional estava pronto. Entre cotoveladas, dribles na segurança e secando as insistentes gotas de suor, consegui registrar o momento.

Nei Serra e Marcia Rosa – 11/08/2011
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Um encontro fortuito e surpreendente em Santos, durante um encontro de prefeitos com o governador Geraldo Alckmin. Futuros adversários nas tumultuadas eleições do ano seguinte, Marcia Rosa e Nei Serra (então representante da associação de hotéis de Bertioga) trocaram cumprimentos num encontro que este que vos escreve conseguiu registrar com exclusividade.

Marcia Rosa, Geraldo Alckmin e José Serra – 19/11/2011

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Se nacionalmente PT e PSDB não se dão bem, regionalmente a disputa é intensificada. Protagonistas de embates antológicos nos últimos anos, a então prefeita Marcia Rosa e o governador Geraldo Alckmin se encontraram no Jardim Nova República, em Cubatão, para entregarem moradias de um conjunto habitacional feito com recursos estaduais e municipais. Para aumentar o climão, o chefe do Executivo estadual trouxe a tiracolo para a cerimônia seu antecessor (e ainda mais desafeto de Marcia), José Serra. Sobraram indiretas e trocas pouco amistosas de olhares. Fato que não passou desapercebido por nenhum dos presentes. A imagem registrada por mim fala por si.

Marcia Rosa e Paulo Alexandre Barbosa – 17/05/2013

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Apesar das diferenças, no dia a dia a relação entre os prefeitos da Baixada é respeitosa e até amistosa. Que o diga esse rápido e simpático registro de um encontro entre a prefeita de Cubatão e o chefe do Executivo Santista em um evento do governo do Estado na prefeitura da maior cidade da Região.

Lula – 09/08/2013

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Ainda longe do turbilhão que estaria por vir nos anos seguintes, o ex-presidente Lula foi recebido como um verdadeiro rockstar em um evento do seu partido em Bauru, no interior de São Paulo. Ovacionado pelos militantes, paparicado pela imprensa nacional e retornando de um exitoso tratamento de saúde, ele era só sorrisos ao lançar seu ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, como candidato ao governo de São Paulo.

Michel Temer – 06/12/2013

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Fotos posadas são o pesadelo de qualquer repórter fotográfico. A espontaneidade de um encontro é muito mais reveladora e jornalisticamente relevante. Mas, às vezes, um olhar pode mudar tudo. Anos antes de ser conduzido à Presidência da República, Michel Temer recebia prefeitos da Baixada Santista em seu escritório, em São Paulo, para receber pleitos sobre mobilidade urbana e encaminhá-los ao Palácio do Planalto, após tentativas frustradas das autoridades regionais em marcar audiência com a então presidente Dilma Rousseff. Controlando o tempo da audiência minuciosamente, Temer aceitou posar rapidamente para uma foto, mas estava com pressa, pois era latente o desejo do à época vice-presidente de voltar à agenda política (diversos deputados e agentes políticos o esperavam para audiências).

Wagner Moura – 27/05/2014

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Os últimos dois anos foram os de maiores reviravoltas políticas na história de Cubatão. Diversas ações eleitorais movidas na campanha de 2012 geraram consequências que perduraram até o último dia de 2016. No meio de 2014, Marcia Rosa foi afastada da Prefeitura por decisão da Justiça Eleitoral, assim como seu vice Donizete Tavares. Coube à Wagner Moura, então presidente da Câmara, assumir o poder Executivo. Registrei o momento em que ele assinou a ordem judicial, tornando-se prefeito por pouco mais de um mês.

Dilma Rousseff – 30/09/2014

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Se em Cubatão as eleições de 2012 geraram turbulências para os anos seguintes, no cenário nacional isso se deu no pleito de 2014. Uma campanha presidencial tensa, com reviravoltas inacreditáveis. Um dos últimos atos de campanha de Dilma Rousseff no primeiro turno foi uma carreata em Santos. Cobrir eventos políticos na rua já é uma missão complicada para a imprensa. Com uma presidente da República disputando reeleição, então, é quase impossível. Credenciamento exaustivo, segurança em alerta máximo com medo de atentados. Entre empurrões, pés pisoteados e troca de “gentilezas” com os agentes do Exército, consegui algumas boas imagens da candidata/presidente.

Ademário Oliveira e Aguinaldo Araújo – 09/12/2016

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Como mais uma das consequências da atribulada eleição de 2012, Marcia Rosa e Donizete foram afastados novamente em 2016. Coube ao presidente do Legislativo de então, Aguinaldo Araújo, assumir o Executivo e completar a gestão até a posse do prefeito eleito nas eleições de 2016, Ademário Oliveira. Numa das reuniões desse período, pude registrar um momento simbólico: dois prefeitos entre a cadeira do poder Executivo da Cidade. Uma literal transição de governo.

Tem muito mais fotos e registros desse mundão no meu Flickr • 

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Entrevista: Bruno Covas

04/07/2009

EXCLUSIVO – Eleito deputado estadual em 2006 com 122.312 votos, o santista Bruno Covas, 28 anos, é neto do ex-governador de São Paulo Mario Covas, seu maior inspirador na política.

Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP), economista pela PUC-SP, e ainda, mestrando em Administração Pública e Governo, com foco em Finanças, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Covas concedeu a mim uma entrevista durante solenidade na Associação Comercial de Cubatão.

Na conversa, abordamos o orçamento estadual para o ano que vem, a frente parlamentar que visa o retorno à Cubatão de um campus da Escola Politécnica da USP (Poli-USP), as eleições de 2010 e a situação dos bairros-Cota, entre outros assuntos. Esta entrevista também está na edição desta semana do Jornal da Cidade e, em breve, o áudio desta entrevista irá ao ar no programa Radar Legislativo, da Rádio Cacique.

Allan Nóbrega – Como presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembleia, o Sr. teve uma grande responsabilidade, ao assumir a relatoria do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias do Estado (LDO). Qual o balanço que o senhor faz das emendas propostas, em especial aquelas que beneficiam a Baixada Santista?

Bruno Covas – Recentemente, fui designado relator da LDO, que é uma lei prevista na Constituição de forma a ajudar o Estado a planejar o que vai fazer no ano seguinte. O projeto recebeu quase 2 mil emendas. Apresentei um parecer que acolheu 450 delas. Mudamos alguns aspectos do projeto como o que dá a garantia de que o Estado vai aportar recursos para o plano de saúde dos servidores estaduais. Alteramos 33 metas do Estado, como, por exemplo, o número de escolas abertas aos finais de semanas e a criação de mais unidades do Poupatempo. Na saúde, aumentamos os convênios com as santas casas, inclusive honrando um compromisso de todos os deputados da região para apresentar emendas destinando recursos para a compra de equipamentos para a Santa Casa de Santos, que atende a pacientes de toda a Baixada.

AA Comissão de Finanças da Assembleia está promovendo audiências públicas nas regiões administrativas do Estado para discutir o orçamento do ano que vem. Como têm sido os trabalhos até agora? A população tem participado? Quando acontecerá a reunião na Baixada?

BC – Até o ano passado, as audiências que a Assembleia promovia eram realizadas depois da aprovação do orçamento. Agora, antecipamos a realização dessas reuniões para este mês que passou e agosto, para que quando o orçamento chegar aos deputados em 30 de setembro, a gente possa apresentar as emendas pedidas pela população. No início de agosto, faremos a audiência na Baixada e ouviremos os anseios das nove cidades da Região. Infelizmente, a participação popular é baixa. As pessoas precisam perceber que estas audiências definem investimentos em saúde, educação, habitação, enfim, influenciam o seu cotidiano. O orçamento tem suas limitações, por isso não adianta a gente querer colocar muitas obras e investimentos, mas sempre dá para alterar uma coisa ou outra, tendo em vista os pedidos da sociedade. Democracia não é só o ato de votar a cada dois anos, mas também é cobrar e fiscalizar a atuação dos políticos.

A Com tantos escândalos envolvendo os políticos, especialmente em Brasília, um pouco dessa carga negativa acaba sobrando para os deputados estaduais? Na visão do Sr. a população tem cumprido a sua obrigação de fiscalizar e acompanhar os políticos que elegeu?

BC – É difícil definir o que é causa ou consequência da corrupção na política. Sem sobra de dúvida os escândalos em Brasília nos afetam também. Quando estourou o escândalo das passagens, pessoas me procuraram para saber se levo a família para viajar de graça também, sendo que os deputados estaduais não têm esse tipo de benefício. O importante é lembrar que o político não é sorteado para o cargo. A população é que o conduz ao poder. Se a gente não anotar quem se envolve em escândalos, certamente eles serão reconduzidos na próxima eleição. Não basta a imprensa mostrar quem é quem se as pessoas não ficarem atentas a isso.

A O Sr. é relator do projeto de lei que proíbe a prática do nepotismo (a contratação de parentes por políticos) no Poder Legislativo Estadual. Há muito desta prática na Assembleia?

BC – O deputado estadual Pedro Tobias, do PSDB, apresentou este projeto na Assembleia, mas me procurou para ser o relator da proposta, pois nenhum deputado tinha a coragem de fazer isso. Essa ideia ficou arquivada por cinco anos. Aceitei a relatoria e incluí uma emenda que também proíbe o nepotismo cruzado (a nomeação de parentes de um deputado para trabalharem para outro parlamentar). Entendo a necessidade de você governar com pessoas de sua confiança, mas não é possível que você só confie e trabalhe com seus familiares. O projeto ainda não foi aprovado, mas estou lutando para incluí-lo novamente nas discussões.

A – Vamos falar um pouco do Programa Serra do Mar, de remoção de famílias que moram em áreas de risco na região das Cotas. Muitos moradores reclamam da forma que o Governo do Estado tem lidado com esse assunto tão delicado. Qual é a sua visão sobre essas críticas?

BC – Eu acho que o principal problema, que atrasou todo o processo, foi a morte do Rubens Lara (ex-interlocutor do Governo do Estado com os moradores, falecido no ano passado). Não existia um político mais dedicado a este tema que ele, mas pela comparação aparentemente há algum tipo de descaso, o que não está acontecendo. Pelo contrário, o governador José Serra colocou este assunto como prioritário. Quando assumiu, ele deu como exemplos de seu governo duas ações: os programas de saneamento da Baixada Santista e o de recuperação da Serra do Mar. Recentemente, tivemos a assinatura do primeiro documento do conjunto habitacional Rubens Lara, com 1.800 moradias. A gente entende a ansiedade das pessoas, afinal todos querem o seu teto, mas o Governo do Estado tem trabalhado com seriedade e a ideia é resolver uma questão crucial que envolve meio ambiente, habitação e qualidade de vida.

A – Como membro da comissão de assuntos metropolitanos da Assembleia, o Sr. acha que as cidades da Baixada trabalham pensando de forma metropolitana?

BC – Acho que cada vez mais o foco metropolitano é maior. A Agenda 21 de Cubatão é um exemplo, pois tem um amplo enfoque regional. Os prefeitos têm adquirido esta consciência com o tempo, afinal o cidadão da Baixada mora em uma cidade, trabalha em outra, estuda em mais uma e assim por diante. Claro que ainda há os que olham para o próprio umbigo e fazem um jogo de vaidades, dizendo que tal cidade recebe mais investimentos, mas a nova safra de prefeitos possui uma visão metropolitana maior que a anterior e essa consciência tem aumentado na Região.

AO Sr. faz parte da Frente Parlamentar pró-campus de Cubatão da Poli-USP. Como estão os trabalhos?

BC – Na última reunião da frente parlamentar com a comissão de vereadores que cuida do tema, decidimos que aguardaríamos a Prefeitura enviar o projeto criando a fundação que irá gerir os recursos da Poli-USP. A partir daí, marcaremos uma reunião com a Reitoria da Universidade, que é uma peça fundamental nesse processo, tendo em vista a autonomia universitária. Se o conselho da reitoria da USP não for favorável, o campus não vai sair nunca, mesmo com todas as verbas do mundo. Também levamos essa luta para a Agem (Agência Metropolitana da Baixada Santista), para que os todos os prefeitos da Baixada participem deste processo. Quanto mais setores da sociedade forem envolvidos, mais rápido este grande sonho de Cubatão se tornará realidade.

A – Pensando no ano que vem, o Sr. pretende tentar a reeleição ou a Câmara dos Deputados? E para o Palácio do Planalto, qual é a sua opção: Serra ou Aécio?

BC – Acho que o governador José Serra reúne todas as condições para ser o candidato do PSDB. Ele se preparou para este objetivo, passando por todos os cargos eletivos possíveis da democracia brasileira. Assim como, em 2006, entendia que o momento era do Geraldo Alckmin, tenho certeza que chegou a hora do governador José Serra chegar à Presidência, embora lamento que o presidente Lula tenha antecipado o calendário eleitoral, lançando a sua candidata antes da hora. Quanto à mim, a intenção é prosseguir na Assembleia Legislativa, mas o momento de definição só será no ano que vem e muita coisa pode acontecer.


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