‘Fiz os gringos irem pra Cubatão e olha no que deu’

06/06/2017

Nos anos 1980, Cubatão era um dos alvos preferidos para sofrer bullying na mídia. Embora já estivesse se recuperando da terrível poluição que a tornou conhecida mundialmente no início daquela década, em 1987 a cidade ainda era uma piada muito fácil para ser descartada pela politicamente incorreta publicidade da época.

Registro aqui mais uma pérola descoberta nos confins da internet: um comercial da companhia locadora de carros Localiza que hoje seria impensável, mas que há exatos 30 anos foi exibido em plena Rede Globo no horário nobre.

É até difícil apontar os problemas na peça, pois tudo na propaganda é errado: desde a trollagem nos gringos visitando São Paulo à caracterização de Cubatão como não só um local poluído, mas também composto por becos escuros e habitados por uma gangue digna de filme B da Sessão da Tarde.

Anos 80, amigos. Tempos muito, muito doidos.

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Cubatão nas ‘baladas’ europeias dos anos 1980

09/04/2017

No dia em que Cubatão completa 68 anos de emancipação político-administrativa, este blog traz uma história desconhecida e surpreendente. Em 1982, auge da disco music na Europa, uma balada fez alemães mexerem o esqueleto e refletirem sobre a industrialização desenfreada no hemisfério sul. Prepare o glitter e as polainas para conhecer uma das canções mais surreais de todos os tempos!

As responsáveis pela primeira “disco music de protesto” do mundo

A girl band “A La Carte” foi formada em 1978, na Alemanha Ocidental, e durou até 1985, com várias formações. Com hits do naipe de When the Boys Come Home, Do Wah Diddy Diddy, Ring Me, Honey e Viva Torero, o grupo era presença certa nos programas de TV e nas paradas do rádio de uma Europa que ainda vivia as consequências da Guerra Fria, com o infame Muro de Berlim ainda de pé.

Enquanto no Brasil, que vivia os estertores da Ditadura Militar, pouco se falava da poluição do ar desenfreada pela qual vivia Cubatão e suas tragédias subsequentes, o assunto gerou muita atenção e preocupação na Europa. O movimento ambientalista começava a ganhar força e diversos especialistas começaram a estudar o fenômeno que acontecia naquela então desconhecida cidade do hemisfério sul. Tal tema suscitou muitas reportagens e causou comoção do povo europeu.

O choque com as imagens registradas pela BBC no “Vale da Morte” à época foi tão grande que comoveu o trio pop alemão. Após uma discografia baseada em músicas sobre amor e dançar a noite toda, em um belo dia de 1982 o grupo resolveu fazer a primeira “dance music de protesto” da história. No álbum The Wonderful Hits Of A La Carte, Jeanny Renshaw, Linda Daniels e Joy Martin presentearam o mundo com a surpreendente e indescritível música “Cubatao”.

Tendo como personagem principal um “garoto de olhos castanhos” chamado Angelo (!), a letra composta por Martin Herbert, John Feechan, Simon Denbigh, Robert Priestly e Alan Mogg é um verdadeiro manifesto e um apelo para que a terra que antes tinha “abelhas e árvores cheirosas” pudesse ser novamente um “paraíso lá no sul, no Brasil”.

Hoje, felizmente, os tempos são outros. Cubatão ainda combate o problema da poluição, mas recuperou sua fauna e flora, trabalho reconhecido internacionalmente. Os tempos sombrios estão no passado.

Aumente o som e confira abaixo essa verdadeira pérola da disco music dos anos 1980. Pela primeira vez, traduzida para o português. Nostalgia e surpresas à la carte de uma cidade que ainda rende muitas histórias.


BBC destaca combate à poluição do ar em Cubatão

09/03/2017

A emissora de TV britânica BBC publicou hoje (9/3) matéria sobre o histórico trabalho de combate à poluição do ar em Cubatão nos anos 1980. Na época, após ser conhecida mundialmente como “Vale da Morte”, um intenso trabalho liderado pela companhia estadual de saneamento ambiental, a Cetesb, e pelo Governo do Estado, foi responsável por eliminar 90% das fontes poluidoras do Polo Industrial.

Para a matéria, a repórter Camilla Costa entrevistou o engenheiro ambiental e ex-secretário municipal de Meio Ambiente cubatense, Cleiton Jordão. Ele contou um pouco desta triste época, destacando os frequentes e aterrorizantes episódios de chuva ácida, conhecida entre os habitantes do extinto núcleo da Vila Parisi como “chuva que queima”.

A reportagem explica os motivos de Cubatão ter sido ao mesmo tempo o local perfeito e o pior espaço possível para a implantação das indústrias de base, fenômeno de uma época em que o Brasil vivenciava o desenvolvimentismo desenfreado do começo dos anos 1950.

Hoje, com as fontes controladas, o monitoramento constante da qualidade do ar é fundamental. Mas, como a explosão na Vale Fertilizantes em 5 de janeiro deste ano mostra, todo cuidado é pouco. Ainda temos um alto índice de poluição do ar, mas nada lembra os catastróficos anos em que “50 tons de cinza” era a melhor definição possível do céu cubatense.

Acompanhe vídeo da reportagem abaixo, com tradução livre minha. E se inscreva no meu canal no YouTube. Sempre tem alguma boa novidade por lá!


Explosão em Cubatão. De novo.

05/01/2017

Mais uma vez Cubatão viveu a angústia da incerteza e da falta de informações sobre um acidente no Polo Industrial. Uma explosão na unidade da empresa Vale Fertilizantes provocou um vazamento de nitrato de amônio na atmosfera, produto que após reações químicas, pode provocar chuva ácida e problemas respiratórios em quem inalá-lo.

Realizei a cobertura em tempo real do incidente em meu Twitter. Confira como foi esse tenso 5 de janeiro abaixo:

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Um tempo que não deve ser esquecido

05/01/2010

No início da década de 80, Cubatão levava a triste alcunha, por parte da imprensa, de “Vale da Morte”. Essa mácula segue a cidade até hoje, e muitos ainda utilizam o termo sem saber ao certo o porquê.

Um vídeo publicado no YouTube mostra Cubatão ao final dos anos 70 e início dos 80, em especial a Vila Parisi, bairro extinto que ficava próximo ao Pólo Industrial. Infelizmente, temos que dar o braço a torcer e concordar que a cidade merecia o apelido que a tornou famosa em todo o mundo.

Hoje, graças a uma série de medidas (em especial multas pesadíssimas às indústrias), a situação é bem diferente. Mas a lembrança de “Vale da Morte” nos persegue.

Acredito que falta uma intensa campanha de divulgação da recuperação ambiental e das belezas naturais de Cubatão. Não temos estandes em feiras de turismo ou eventos de negócios. Nossa política de turismo ainda é incipiente.

Poderíamos ser um paraíso dos esportes radicais, como é Brotas, no interior do Estado. O turismo de aventuras e ecológico, quando bem explorados (divulgação e preparação de estrutura necessária, como hotéis e equipamentos turísticos bem conservados e sinalizados), pode representar uma ótima fonte de renda para o município, que hoje basicamente depende dos bons momentos da indústria e que sofre com ela quando o momento econômico não é bom, como vimos no ano passado.

Que voltemos a apostar na “Cidade-Símbolo da Ecologia”. Assim, com o passar do tempo, sepultaremos de vez os tempos em que a Vila Parisi era uma cruel e palpável realidade.


Mancha no rio Cubatão

15/12/2009

Repasso e-mail que recebi do morador de Cubatão Moésio Rebouças, com um flagra que infelizmente ainda é bastante comum. Por maior (ou menor) que seja a fiscalização, o principal rio da Cidade ainda sofre com a poluição.

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Estava eu passando pela ponte do Rio Cubatão neste domingo (13), por volta das 16 horas, quando deparei com um derramamento de óleo no rio, nas proximidades do Hospital Ana Costa. A mancha cobria um perímetro de mais de cem metros (foto em anexo).

De onde vazou este óleo, das indústrias ou dos terminais de contêineres que estão instalados na margem do rio, de alguma embarcação? Vai saber…

ATUALIZAÇÃO:

A Prefeitura de Cubatão divulgou nota sobre o assunto nesta quarta-feira (16):

A denúncia anônima de uma grande mancha de óleo percebida no sábado, 12, no Rio Cubatão — acompanhada de forte odor de combustível —, mobilizou a Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec), Cetesb e Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam), desde aquele dia, com a constatação na terça-feira, 15, de que o produto (óleo diesel) se originava dos tanques de armazenamento do Auto Posto Viaduto, na Avenida 9 de Abril, 1068, Vila Elizabeth.
Como medida preventiva, foi providenciada a medição de atmosfera explosiva em todos os poços de visita do sistema de drenagem (localizados na Rua Epitácio Pessoa e toda a extensão da Rua Marechal Deodoro), sem que fosse detectada a formação de gases que pudessem colocar em risco a população residente na área.
As primeiras providências foram a colocação de barreiras absorventes no desaguadouro de águas pluviais para o Rio Cubatão, visando deter parte do produto que ainda restava no sistema de captação; limpeza das galerias, com a retirada do material contaminado; e teste de estanqueidade do tanque de armazenamento e das linhas de abastecimento das bombas.
No âmbito municipal, os responsáveis pelo Auto Posto estão sendo notificados pela Semam, para que o estabelecimento apresente um novo Laudo de Estanqueidade de seus reservatórios, independentemente das medidas administrativas que serão tomadas pela área de Fiscalização de Tributos da Secretaria de Finanças, caso se constate a existência de vazamento decorrente de falha operacional. Não foi determinada ainda a quantidade de produto que vazou.


Forte odor de gás atinge Cubatão

24/09/2009

URGENTE

Os cubatenses tiveram uma desagradável surpresa na noite desta quarta-feira. Um forte odor de gás impregnou o ar da região central da Cidade.

Quem estava em casa foi obrigado a se proteger ligando os ventiladores ou exaustores. Segundo informações obtidas por este blog, muitas pessoas procuraram o Pronto Socorro Central queixando-se de dores de cabeça e problemas respiratórios.

Um levantamento preliminar indica que foram afetados com o forte cheiro os bairros Fabril, Centro, Vila Couto, Vila Paulista, Jardim 31 de Março e Vila Nova, mas já há registros de que o odor chegou a Santos e São Vicente.
As informações são desencontradas até o momento, mas tudo indica que o odor provém da Refinaria Presidente Bernardes.

O site da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), empresa responsável por aferir a qualidade do ar e fazer a fiscalização junto ao Polo Industrial, está com problemas na página que informa a atual situação.

Infelizmente, este é mais um caso que ilustra que Cubatão paga um preço muito alto por sediar o maior polo petroquímico da América Latina é muito alto. Uma cidade localizada no sopé de uma serra, que naturalmente bloqueia a evasão dos poluentes, não poderia de forma alguma sediar tais indústrias. Mas a falta de visão futura das autoridades e o compromisso zero com o meio ambiente por parte das companhias acabou nisso: uma noite em que relembramos o triste título de “Vale da Morte”.

Atrelado a isso, aparentemente a rigidez da fiscalização diminuiu. Diariamente ouvimos relatos de novos focos de poluição em nossos rios e mal conseguimos ver a Serra do Mar por causa da fumaça das chaminés industriais. Até quando essa triste sina cubatense irá perdurar?

Enquanto nada é feito, resta-nos proteger nossos narizes e torcer para que a chuva leve da madrugada ajude a dispersar os poluentes.


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