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Já perdemos. Todos nós.

Já perdemos todos.

Há um ano e meio, o País está parado por causa de uma briga desmedida por poder. Por causa da sanha do presidente da Câmara mais indigno do cargo em todos os tempos. Por causa do partido mais partido do País, que mais uma vez pode chegar ao posto máximo da República por um atalho.

Estamos aqui, 24 anos depois, enfrentando mais um processo traumático, mais uma chaga na nossa jovem democracia.

Enfrentamos brigas e divisões em nossas famílias, amigos, colegas de trabalho. A política no Brasil, que deveria ser o caminho da conciliação de ideias divergentes, mais uma vez se presta ao contrário. E não há inocentes nessa história.

A História julgará tudo o que está acontecendo por aqui desde outubro de 2014. Que as gerações futuras nos perdoem.

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Cubatão protesta, mas vandalismo prejudica dia histórico

13-06-18 - Vandalismo Centro Cubatão - AN (75)
Ônibus foi destruído e incendiado na Avenida Nove de Abril

 

O dia 18 de junho de 2013 já está marcado na história de Cubatão. A onda de protestos por tudo, “não apenas por 20 centavos”, que se espalha pelo País, chegou ao Município. Dois atos foram realizados no final da tarde, reunindo centenas de pessoas. Uma bela página de nossa democracia, infelizmente prejudicada por atos isolados de vandalismo, que trouxeram o caos à região central.

Por volta das 17 horas, dezenas de pessoas, sobretudo estudantes, se reuniram no Paço Municipal para fazerem um ato contra tudo o que está errado, passando por críticas à saúde, educação, gastos públicos com a Copa do Mundo e corrupção. Pacificamente, o grupo seguiu pela Avenida Nove de Abril e rumou para o Trevo de Cubatão, onde bloquearam o tráfego nas rodovias Cônego Domênico Rangoni e Anchieta por cerca de uma hora.

Em seguida, o grupo, com mais de 500 pessoas, caminhou novamente para a avenida principal da Cidade, onde encerraram o ato.

Também no final da tarde, um outro grupo se concentrou atrás do Paço Municipal. O objetivo desse movimento, dentre o qual fazia parte a prefeita Marcia Rosa, era diferente: clamar pela paz em Cubatão.

Vestidos de branco, os integrantes caminharam pela Rua Pedro de Toledo e seguiram rumo à Praça Princesa Isabel, onde deram um abraço simbólico no logradouro público, um dos símbolos da Cidade.

Vandalismo

Depois dos atos pacíficos e democráticos, infelizmente a violência marcou presença. Um pequeno grupo, alheio aos movimentos, promoveu atos de vandalismo no Centro logo após os protestos. Lixeiras foram queimadas na Rua Manoel Jorge e vidros foram quebrados nos prédios da Prefeitura e Câmara. O Bloco Cultural foi pichado e equipamentos de sinalização foram jogados no chão.

Os vândalos entraram em conflito com policiais da Tropa de Choque, chamada para a ocorrência. Jornalistas e fotógrafos que cobriam o incidente foram atingidos com pedras e ovos.

O grupo de criminosos seguiu para a Avenida Nove de Abril, onde promoveu caos e destruição. Lixeiras foram incendiadas. Uma joalheria próxima à antiga entrada do parque Anilinas foi saqueada e destruída.

Completando o itinerário de terror, os vândalos cercaram um ônibus municipal, retiraram seus integrantes e atearam fogo ao veículo. As chamas acabaram atingindo a rede elétrica da região, que acabou prejudicada.

A Prefeitura de Cubatão lamentou o incidente. “A Prefeitura de Cubatão considera válidas as manifestações pacíficas e próprias da democracia. No entanto, lamenta qualquer excesso ou prática violenta que não combinam com as reivindicações legítimas da população. E repudia a infiltração de pessoas que se aproveitam para praticar atos de vandalismo contra órgãos públicos e propriedades particulares. O povo deve repudiar este tipo de atitude para que as manifestações não sejam desvirtuadas de seu propósito”.

O órgão também informou que o transporte público, principal item gerador do movimento nacional, foi prejudicado. “(…) não será possível manter o serviço normal de transporte público coletivo no Município durante esta quarta-feira (19). O motivo é que além do ônibus que foi queimado na Avenida Nove de Abril, outros 23 veículos da frota que realiza o transporte de passageiros no Município foram danificados. Na grande maioria, os veículos tiveram janelas e para-brisas danificados, segundo a concessionária. A Empresa informou que praticamente todos as linhas serão prejudicadas e que o serviço estará normalizado conforme os reparos nos ônibus forem concluídos”.

Diversos jovens que participaram dos protestos também lamentaram os incidentes, enfatizando o caráter pacífico do movimento.

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Veja abaixo imagens minhas e vídeo exclusivo com a situação no Centro de Cubatão após os protestos.

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O terceiro escalão

foto-artigoterceiroescalao

A política e o poder público brasileiro sofrem com uma terrível síndrome há séculos. Um grupo de agentes que mais atrapalha que ajuda, muitas vezes responsáveis por naufragar projetos elaborados com suor e lágrimas por muito e muito tempo. Estou falando do famigerado terceiro escalão.

Não estou generalizando e falando de toda a classe dos servidores públicos. Quase a sua totalidade (diria 99,5%) é composta de gente trabalhadora e honesta, seja ela concursada ou não. O problema é que uma ínfima parcela é formada por verdadeiros parasitas políticos, seres que se antecipam à vontade do chefe e realizam as mais diversas manobras ou pura panfletagem visando o carinho ou promoção salarial do superior ou responsável por sua indicação.

Cubatão sempre viu muito esse fenômeno. Pessoas que sempre, de um jeito ou de outro, estão nas gestões municipais, sejam elas de direita, centro ou esquerda. Indicados políticos que mesmo locados no subsolo do Paço Municipal agem como se fossem melhores amigos do Chefe do Executivo. E para conseguir um cargo melhor ou, quem sabe, uma chefia, não medem esforços nem escrúpulos.

Muitos fazem papel de ridículo ou impõem essa condição a seus colegas. Outros fazem propaganda aos quatro cantos ou organizam verdadeiras torcidas organizadas em favor do secretário, prefeito ou vereador. O mundo pode estar desabando aos pés do chefe, mas para o “terceiro-escalonado” está tudo às mil maravilhas:

– Ele contratou uma empresa sem licitação? Mas olha como o serviço público melhorou!

– Ele nomeou pessoas de fora? Mas esses abnegados são cubatenses de coração!

– Fulano não deixa roubar na Administração e quem diz isso é porque não conseguiu cargo!

E por aí vai. Sou um pouco radical e defendo que apenas uma pequena porcentagem de servidores sejam nomeados. Claro que um agente público precisa de pessoas de confiança próximo a ele, que poderiam ser apenas os seus secretários e assessores. O resto, que entre pela competência, mostrada por meio de concurso público.

Há quanto tempo não vemos um processo seletivo assim em Cubatão? Já estava na hora de algo nesse sentido começar a ser planejado. Há órgãos inteiros (sejam eles na Prefeitura ou na Câmara) compostos grande parte por indicados políticos. Assim não há Caixa de Previdência que aguente!

Ou as autoridades começam a pensar as nomeações e funções gratificadas ou chegará o dia em que a máquina inchará tanto que entrará em colapso. Infelizmente, esse momento não está muito longe.

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Geraldo x Dinho

dinhoxgeraldo

Uma nova rivalidade vem tomando forma no cenário político cubatense. Têm se intensificado as discussões entre os vereadores Geraldo Guedes (PR) e Dinho (PT), ícones dos blocos de oposição e de situação à prefeita Marcia Rosa.

O ápice da discussão foi a declaração de Dinho que a atual administração economizou R$ 800 mil na compra de kits escolares para os alunos da rede municipal. Geraldo rebateu os dados com documentos da própria secretaria de Educação, dizendo que o valor economizado não chega a pouco mais de R$ 100 mil, e com a ressalva da compra ser em menor quantidade e em um contexto econômico diferente. Foi o bastante para acusações entre os dois edis, o que deixou Geraldo bastante irritado nos bastidores da Câmara.

Para conhecer mais detalhadamente o estilo de cada um, ouça abaixo as entrevistas concedidas pelos dois ao programa Radar Legislativo, apresentado pela jornalista Lissandra Martinho e por mim na Rádio Cacique AM 1510.

Cada entrevista tem cerca de 30 minutos, mas vale a pena, pois há declarações muito interessantes de cada um sobre a política cubatense.

Entrevista com Dinho (PT) – concedida em 30/05



Entrevista com Geraldo Guedes (PR) – concedida em 06/06

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Reflexões legislativas

Por força dos meus afazeres profissionais, tenho acompanhado as câmaras de toda a Baixada Santista. Até há poucas semanas, achava que a cidade que tinha o legislativo mais confuso da região era Guarujá, onde os vereadores saem até no tapa.

Sinceramente, desde as últimas três sessões em Cubatão, já não duvido que nossa cidade tome o lugar da ilha santamarense neste triste ranking. Um show de declarações impensadas, trocas de acusações, discursos prontos e até viradas de mesa. Tudo isso em apenas 20 dias.

Para começar, a presença de uma claque de determinadas pessoas que, se precisarem, aplaudem até o espirro de um nobre edil. Sem falar que o ramo de comunicação visual da Cidade deve estar faturando muito, pois toda semana é batata: um mar de faixas lota o plenário, parabenizando, criticando e agradecendo a Deus e o mundo.

Saindo das galerias, vamos ao plenário. É vereador do partido A brigando com o vereador do partido B. É parlamentar do partido C discordando do outro edil do partido C. Temos representantes do povo que mudam de discurso como mudam de gravata e há quem até hoje não apresentou um requerimento sequer.

Isso sem falar nos filósofos que criam frases de pensadores franceses, torcedores fanáticos que declaram seu amor pelo time no meio da sessão, foliões comemorando o carnaval, barbeadores e até cusparadas lançadas ao plenário… Que beleza!

Enquanto isso, a produtividade é mínima. Para efeito de comparação, em média, a ordem do dia da Câmara de Santos tem nove projetos em pauta. No Guarujá, são 15 itens. Em Cubatão, apenas quatro.

Antes que o nobre leitor pense que tudo está perdido, vamos ao lado positivo. Transparência é o que não falta em Cubatão. Temos transmissão ao vivo pela TV, via internet e uma assessoria de imprensa competente. As galerias do nosso Legislativo estão sempre lotadas. E os vereadores são de fácil acesso.

Ou seja, nem tudo está perdido. Há dezenas de problemas, mas não suficientes para que percamos as esperanças. O jeito de melhorar a situação? Cobrando. Acompanhe as sessões, cobre uma postura do seu vereador sobre os problemas e questões da Cidade. É com o desenvolvimento de um senso crítico e de coletividade que uma sociedade prospera.

Vivamos, então, a democracia!