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Dois homens, uma cidade

Qualquer cubatense com mais de 25 anos ainda tem lembranças da maior rivalidade que essa cidade já viu na sua história. Ou você era Nei Serra ou era José Osvaldo Passarelli.

Foram seis mandatos consecutivos, um alternando com o outro. E cada vez mais projetos faraônicos, ousados. Uma das anedotas desse período era que os muros dos próprios municipais ficavam cada vez mais grossos a cada mandato, já que cada prefeito os pintava com sua cor de preferência.

Quem foi criança naquele tempo, como eu, lembra das visitas regulares que Passarelli fazia às escolas, onde todos reunidos no pátio participávamos do hasteamento das bandeiras. Cubatão é uma das poucas cidades no País onde as pessoas sabem, de cor, o hino municipal. Resquício dessa época.

Ambos foram indicados pela Ditadura como prefeitos biônicos. Ambos foram eleitos pela população na Nova República, com votações consagradoras. Nenhum deles administrou Cubatão sob a Lei de Responsabilidade Fiscal, o que seria bastante interessante de se ver.

Com a saída de Passarelli, acaba uma era em que uma rivalidade impulsionava a cidade e mobilizava a política local como jamais vai ocorrer novamente. Que ele encontre o descanso, após uma árdua batalha.

Foto: folheto Cubatão – Um Governo com o Povo – Prefeitura Municipal de Cubatão, janeiro de 1987 (arquivo site Novo Milênio)
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Chegou o dia

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Depois de um tempo sumido daqui, retorno porque o dia merece.

Política está no meu DNA. Uma das primeiras lembranças da minha vida é de uma campanha eleitoral: a de 1989. Eu tinha quase quatro anos, mas lá estava eu com meu pai numa carreata de um candidato a presidente.

No ano seguinte, mais política. Lembro como era mágico ganhar os brindes de campanha naquela época, sendo o mais cobiçado um catavento, símbolo da campanha de um governador. Ali, aprendi a primeira lição: meu pai erra ferrenho defensor do oponente, mas foi atrás e me arrumou o bendito catavento do rival.

Depois, lembro de 1992, onde enchi o saco pra ganhar um adesivo de um candidato a prefeito.

Passaram-se os anos e a paixão por esse meio só aumentou. Tudo isso graças a meu pai, o cara mais apaixonado por política que já conheci. E que nunca disputou cargo público.
Cresci, passei a ter minhas convicções. Mas nunca esqueci o que ele me ensinou: política é diálogo. Nunca conflito.

Por isso, sempre achei o dia de eleição muito especial. Sempre esperava com alegria e esperança essa data. Mas confesso que hoje o sentimento é um tanto diferente.
Hoje é mais que uma eleição. É um dia de compromisso. Um dia que, se fizermos escolhas erradas, pode demorar muitos anos para terminar.

Não vou sugerir voto em A nem B. Apenas peço que pense, reflita. Urna é um depósito de esperança, não de ódio, rancor ou vingança.

Estamos todos no mesmo barco. Quem for eleito não vai tomar decisões que só afetam você. Vai tomar decisões que afetam todos nós.

Que o Brasil saia ainda mais democrático e plural desta eleição. E que daqui a quatro anos possamos novamente exercer esse sagrado direito. Seja você de direita, centro, esquerda, capitalista, comunista, neoliberal ou até anarquista. Vida longa à Democracia.

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Fake News: a mentira disfarçada de informação

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Aquela história só pode ser verdadeira. Diz exatamente aquilo que você sempre suspeitou. Confirma todas as suas expectativas. O mundo precisa saber disso!

Um clique e todos seus familiares e amigos já estão por dentro do “fato” graças a você. Que sentimento bom isso gera, não? É, mas tinha um detalhe: era tudo mentira. E o estrago já está feito.

A internet é uma das maiores invenções da humanidade. E as redes sociais são o melhor retrato dessa revolução: todos estamos próximos uns dos outros. Compartilhamos o que somos para milhares de pessoas diariamente, sem filtros, sem censura. É aí que mora o problema.

A estrutura simples e intuitiva de um Facebook nos faz esquecer que passamos a ser todos comunicadores, formadores de opinião. Como estamos rodeados de amigos e familiares por lá, não atentamos que estamos diante de uma máquina poderosa, maior que qualquer TV, jornal ou rádio.

Por isso, muitas vezes esquecemos que não estamos no sofá da sala conversando com um amigo. Mas sim expondo nossa opinião para um público gigantesco, global. E opinião é totalmente diferente de informação.

O assassinato da vereadora carioca Marielle Franco acabou despertando em algumas pessoas os monstros que elas tentam esconder: o ódio, o rancor, o preconceito, o racismo.

Esses quatro “cavaleiros do Apocalipse” são os maiores aliados da mentira. Eles a corroboram, a legitimam. Apagam nosso senso de equilíbrio e sensatez. E como o ódio mobiliza muito mais que o amor, está formada a receita para um desastre.

Horas depois do ocorrido, já surgiram inúmeras mentiras sobre a parlamentar, que não bastou tomar cinco tiros na cara, sofreu um segundo atentado: o de sua reputação. Tudo graças à maldita dicotomia vermelho x azul que tomou conta de qualquer discussão hoje em dia.

fake news é apartidária. E não fica restrita à política. Quem nunca recebeu no WhatsApp aquela notícia de um “tratamento revolucionário” que “a indústria médica (sic) não quer que você saiba”? Ou aquele recado de que o remédio x é na verdade um veneno mortal e que deve ser evitado?

Como profissional de comunicação, não posso ignorar esse perigo. Por isso, preparei um guia rápido para você fugir das fake news, com algumas dicas preciosas para não cair na tentação de compartilhar uma mentira, um ato simples que pode ter consequências jurídicas (e trágicas). Fiz em formato de imagem para facilitar o compartilhamento.

Ninguém está a salvo das fake news. Elas são sedutoras, críveis, canalhas. E o melhor jeito de evitar essa inimiga é conhecer o seu modus operandi.

FN

 

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O que maçãs e bananas podem ensinar sobre jornalismo

Em 2016, a Universidade de Oxford, no Reino Unido, definiu “pós-verdade” como a palavra do ano. Segundo a instituição, o termo “se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”.

Numa era em que fatos são menos importantes que versões, como fica o jornalismo, esse teimoso que tanto irrita os tiranos do século XXI?

O presidente dos Estados (des)Unidos da América, Donald Trump, é o símbolo dessa nova era. Eleito pela ignorância e pela revolta com “tudo que está aí”, o bilionário escolheu a imprensa como sua inimiga número um. Aliás, segundo ele, “inimiga do povo”.

E essa inimiga tem uma cara. Trump tem ojeriza à CNN, rede de TV a cabo que já foi líder de audiência no seu segmento, mas hoje perde para a Fox News, queridinha do republicano por seu estilo, digamos, ufanista.

Cansada de ser provocada diariamente pelo novo inquilino da Casa Branca, a CNN resolveu revidar com uma série de comerciais intrigantes e muito polêmicos. Usando como metáfora uma maçã, a emissora tenta explicar o modus operandi de Trump de tentar usar distrações (como seus rompantes diários no Twitter) para abafar as investigações de que sua campanha contou com apoio da Rússia para influenciar o resultado das eleições do ano passado.

Para nós daqui debaixo, os comerciais também podem ensinar bastante. As eleições presidenciais de 2018 já estão aí. E há muitos interessados em nos fazer acreditar que maçãs são bananas.

Assista aos comerciais abaixo, com tradução livre feita por mim. E se inscreva no meu canal 😉

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Desarmando a bomba

Costuma-se definir de surreal uma situação que foge à compreensão da realidade. Mas nos últimos meses, a situação de Cubatão adquiriu tons de dadaísmo, movimento artístico dos anos 1910 baseado na ode à confusão.

Vivemos dias bagunçados, frustrantes, sem horizonte. A cada hora, novas notícias ruins, novos anúncios negativos, novos conflitos ásperos e muitas vezes desnecessários.

A cidade está basicamente parada. Cubatão está em crise, não é mais a “galinha dos ovos de ouro” de outrora.

E por que chegamos a esse ponto? Vivemos o resultado da insistente teimosia de sucessivos governos de que o Polo Industrial nos sustentaria eternamente. Pra que pensar em novas formas de pensar a cidade se sempre teríamos pelo menos um “bilhãozinho” em caixa, no pior dos cenários? Pra que investir em turismo, formação profissional qualificada de nossos jovens?

Pois bem, o preço por essa filosofia imediatista tem saído bem caro. E hoje a cidade está em uma encruzilhada: ou recolhe seus cacarecos e aprende a andar com as próprias pernas, ou definhará, presa a um passado que não tem volta.

Exatamente por isso, me causa angústia ver a Cubatão perdida de 2017. De qualquer lado que se observe, todos estão com pedras nas mãos. O pavio está aceso. E a bomba está prestes a estourar.

É hora de uma “DR” coletiva. Só o cubatense pode salvar Cubatão. Armas abaixadas, coração leve, humildade para ouvir sugestões e voltar atrás.

É hora de uma nova Agenda 21, no papel e nas atitudes. Não vamos perder o bonde da História de novo. Desperte, Cubatão.

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‘Timing’ é tudo

“O tempo não para”

Em política, uma coisa é fundamental e decisiva para qualquer gestão: timing. Nem antes, nem depois. Algumas medidas precisam ser tomadas na hora certa.

O tempo certo para tomar alguma medida é tão ou até mais importante que o apoio legal ou a necessidade da tal ação. Falando de gestão pública, errar o timing é pecado quase mortal.

E medidas tomadas no tempo errado têm sido frequentes neste ano, localmente e nacionalmente. E as consequências disso estão aí, aos olhos de todos. Caos, incerteza, choque, incredulidade. Desilusão.

Medidas que, se tomadas no timing correto, teriam outras consequências. Menos traumas, menos cisões, mais entendimento.

O timing de uma decisão afeta duas coisas no responsável por ela: popularidade e credibilidade. Popularidade é algo que varia com o tempo e a circunstância. Tem seus altos e baixos. Credibilidade, no entanto, é algo bem mais difícil de conseguir. E muito fácil de perder.

Há tempo de falar, há tempo de calar. Há tempo de agir, há tempo de observar. Mas sempre há tempo. Resta ao gestor correr ao lado dele ou ser superado pelo implacável “tic-tac” da política e da realidade.

Fica a reflexão.

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A disputa pelos muros da cidade

Quem anda pela região central de Cubatão pode até não ter notado, mas uma guerra informal parece estar em andamento. Aparentemente, diversos grupos de pichadores estão “marcando território” em muros pela cidade. Com motivos variados, que vão de frases de efeito a meras assinaturas, as marcações estão por toda parte.

O fenômeno chama a atenção sobretudo neste momento em que o prefeito de São Paulo, João Doria, lançou uma ofensiva aos pichadores e suas “obras”. Como efeito colateral, os famosos grafites da metrópole também estão sendo atingidos pelo programa, o que tem gerado grande polêmica.

Doria é do PSDB, mesmo partido do prefeito cubatense, Ademário Oliveira. Enquanto medida semelhante não é lançada por aqui, acompanhe abaixo algumas das pichações pelos muros cubatenses registradas nos últimos dias:

FRASES

A categoria que mais chama a atenção é a de pichações com mensagens. Algumas poderiam fazer parte de um livro de autoajuda. Outras servem para marcar território ou posição. A última imagem desse item foi registrada pelo colega jornalista Victor de Andrade, do blog O Curioso do Futebol.

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ASSINATURAS

Como dito anteriormente, parece haver grupos diversos de pichadores. Cada um é marcado por uma “assinatura”. Elas podem ser vistas isoladamente em alguns muros. Uma parede próxima ao Hospital Municipal registra uma espécie de “galeria da fama”, com várias identificações.

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POSICIONAMENTO POLÍTICO

Há uma certa fascinação de um grupo pelo ex-presidente Getúlio Vargas, sobretudo acerca de seu conturbado mandato no Estado Novo. Além da pichação abaixo, em plena Rua Manoel Jorge (em frente ao Paço Municipal), há escritos no busto dedicado ao mandatário na praça que leva seu nome, na Avenida Joaquim Miguel Couto.
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Como último destaque, um “combo” de pichação política com posicionamento pró-descriminalização das drogas. Aparentemente, cada item da obra é de um grupo distinto. Esse elemento pode ser visto em vários pontos da cidade.
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