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Quando a política fala mais alto

Eclair argumenta com manifestantes. Foto: Allan Nóbrega

Decepção. Esta é a palavra que define o que aconteceu nesta quarta-feira (31) no Bloco Cultural. Um evento – que até agora está sem definição, mas que com certeza não pode ser chamado de audiência pública – promovido pelo Governo do Estado para apresentar o famigerado e polêmico Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar, gerou protestos, bagunça e factóides políticos, menos o principal: esclarecer aos moradores das Cotas presentes os objetivos e o funcionamento do projeto.

Desde a véspera, já se sabia que os ânimos estariam agitados e a disputa política estaria armada. Por ordem de membros do Palácio dos Bandeirantes, o diretório municipal do PSDB se reuniu na terça-feira à tarde para traçar estratégias de defesa do programa durante o evento do dia seguinte. Por outro lado, o diretório municipal do PT também se movimentou e elaborou um manifesto público, que foi entregue durante a reunião no Bloco.

Quando o atual coordenador do programa, o polêmico coronel da Polícia Militar Elizeu Eclair Teixeira Borges, chegou ao recinto, o sinal verde estava dado. Dezenas de manifestantes trajando camisetas exigindo uma audiência pública sobre o projeto desenrolaram suas faixas e começaram a bradar para as equipes de TV que cobriam o evento. Eclair, já acostumado a protestos e caras feias, mal se importou e continuou a falar com a imprensa. Disse que não via movimentação política nos protestos e disse que considerava normal a situação. Quem não tinha o mesmo treinamento militar chegou a se assustar.

O estopim final foi a contratação de um mediador independente, que fez questão de dizer que não tinha ligações com o Governo do Estado e que tinha sido chamado apenas para o evento. Melhor que não fosse. Rígido e por vezes falando alto demais, tentou em vão combater cada grito e questionamento dos manifestantes. Ao dizer que não formaria uma mesa e que as autoridades responderiam aos questionamentos da plateia e poucos minutos depois fazer exatamente o contrário, a bomba estourou.

Gritaria, protestos, escândalo, perplexidade. Os manifestantes, que dizem representar as partes envolvidas, misturando moradores das Cotas com habitantes do Jardim Casqueiro, bradaram e ensaiaram uma retirada, dizendo que não teriam espaço no evento.

Tentando consertar a situação, mais de 90 minutos depois do início da reunião, o mediador chamou as autoridades municipais, sem antes dizer, desastrosamente, que não havia representantes do município presentes. Os manifestantes ficaram e grande parte deles prostrou-se no palco, atrás dos representantes estaduais.

A partir daí, nove em cada dez pessoas da sociedade pré-inscritas para falar e/ou fazer perguntas acabou criticando severamente a postura do Governo do Estado e o programa. Muitos integrantes do movimento protestante. Outros, reconhecidos líderes partidários, tanto do PSDB quanto do PT. Eclair mantia-se impávido, tentando argumentar a cada reclamação, muitas vezes sem sucesso, frente ao barulho provocado pelos que manifestavam. E assim foi até o início da noite.

Acesse duas versões sobre o programa: uma do Governo do Estado e outra da Prefeitura de Cubatão.

Caixa com faixas dos protestantes esquecida atrás do palco do Bloco. Foto: Allan NóbregaFalta menos de um ano para as eleições de 2010, que dividirá grande parte dos eleitores em duas frentes: a tucana e a petista. Do lado do Governo de José Serra, o projeto de recuperação da Serra do Mar pode ser a sua grande vitrine política para o pleito presidencial. Para o lado vermelho, é complicado abrir espaço para o grande projeto tucano, do qual será apenas coadjuvante e não terá participação.

Aliado à truculência e falta de diálogo, o palco para um triste espetáculo está armado. E o próximo round desta luta já está marcado: dia 14, às 18h30, na Capela Nossa Senhora Aparecida (Rua 7, 351, Pinhal do Miranda). Que o espírito conciliador e de bom senso do falecido Rubens Lara impere e que os mais afetados no meio deste furacão, os moradores de Cubatão, saiam ganhando.

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Virou bagunça!

Plenário vazio. Virou rotina na Câmara. (Foto: Allan Nóbrega - arquivo)

Hoje, pela segunda vez, a sessão da Câmara de Cubatão acabou antes do esperado.

Na semana passada, os trabalhos sequer começaram. A falta de dois integrantes do bloco de situação – o que na visão do líder da Prefeita, Adeildo Heliodoro (Dinho), poderia atrapalhar a aprovação de projetos de interesse do Executivo – provocou um acordo dentro do bloco do PT, que obstruiu a sessão legislativa.

Esta semana, nem sequer sabe-se o motivo, mas outro acordo, só que dessa vez entre todos os parlamentares, cancelou a primeira parte dos trabalhos (onde os vereadores apresentam seus requerimentos e indicações) e a sessão foi direto para a ordem do dia. Tempo total de trabalhos: 55 minutos.

Neste pouco tempo, foram aprovados o convênio da PMC com a OAB Cubatão para assistência judicial gratuita e uma cessão de próprio municipal à Associação Cubatense de Defesa dos Direitos das Pessoas Deficientes. Além disso, a prefeita enviou seu quarto veto a projetos da Câmara, desta vez um do presidente da Casa, Alemão, que criava estacionamentos de bicicletas em locais públicos.

Segundo a justificativa, a Prefeita entende que essa iniciativa só pode partir do Executivo, pois gera gastos à municipalidade. Ela prometeu que irá enviar projeto semelhante ao Legislativo, para que este seja aprovado.

Geraldo (à direita) "presenteia" Alemão. Foto: Allan NóbregaO vereador Geraldo Guedes, sempre ele, não se fez de vencido e fez mais um de seus “sutis” manifestos à atual administração petista. Entregou a Alemão uma camisa da equipe de ciclismo da Prefeitura, em “homenagem” a seu projeto ter sido vetado pela Prefeita.

Enquanto todos vão para casa mais cedo, a população mais uma vez é feita de boba, perdendo tempo para chegar ao plenário e tendo que ir embora antes sequer de esquentar as nádegas na cadeira. Parece que nossos nobres edis descobriram essa artimanha e toda semana irão nos brindar com novas desculp…, ops, justificativas para interromperem os trabalhos e retornarem a seus merecidos descansos. Afinal, não há problemas na Cidade mesmo…

Ah, lembram do caso Bigode? O pedido de investigação por parte da bancada do PT foi retirado, pois o Ministério Público entrou na parada e pediu explicações ao Legislativo.

Francisco Leite da Silva não está preocupado com isso. Pelo contrário, comemorou no último final de semana seu aniversário, em uma festa para 800 pessoas na Cota 200, que contou com a presença do vice-prefeito de São Bernardo do Campo, o Cãozinho dos Teclados Frank Aguiar!

Como fala uma das canções do segundo titular do Executivo do município do ABC, “lavou, tá novo”!

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Obrigado!

Obrigado!

Este blog não tem abrangência nacional.

Este blog não fala de mulheres, televisão ou futebol.

Este blog não oferece downloads gratuitos, tampouco pornografia.

Este blog fala de uma cidade que ainda carece de oportunidades à sua população, cuja grande maioria não tem sequer uma moradia digna, quanto mais um computador em casa.

Por todos esses motivos, comemoro muito uma marca fantástica atingida por este espaço, que acaba de atingir a impressionante quantia de 5 mil acessos, em pouco mais de 8 meses.

Neste curto período, marcamos nosso espaço no cenário da comunicação da Cidade e, por que não dizer, da Região. Por aqui passaram posts polêmicos, curiosos, divertidos e, principalmente, muitas informações exclusivas.

Este blog faz parte do clipping oficial da Prefeitura de Cubatão. Regularmente é destaque em veículos da mídia local e até é alvo de discussões no plenário da Câmara Municipal e no gabinete da Prefeita.

Como não lembrar da seção “Retratos da Cidade” e suas denúncias, muitas delas resolvidas pelo poder público e outras ainda à espera de uma solução? Ou então das informações exclusivas, como a divulgação em primeira mão do novo secretariado (até hoje o recordista de acessos) ou da vinda do programa CQC à Cidade?

Encampei bandeiras aqui como a da volta da Poli-USP à Cubatão ou a da responsabilização dos culpados pelo descaso em que se encontra o Teatro Municipal.

Mas, acima de tudo, tenho procurado tocar este pequeno espaço virtual com muita responsabilidade e seriedade. Como jornalista, sei como uma palavra mal colocada pode provocar verdadeiras tragédias. Se tenho desenvolvido esse trabalho bem ou mal, cabe aos mais de 2 mil visitantes únicos deste espaço decidirem.

Aliás, é a você, caro(a) amigo (a) internauta, a quem agradeço por esse marco. Muito obrigado pelos elogios, críticas e sugestões. Muito obrigado pelas visitas quase diárias. Muito obrigado por estar lendo esse post.

Não posso deixar de agradecer também aos colaboradores, que me ligam com informações exclusivas, que enviam seus textos, sugestões por e-mail ou simplesmente comentam comigo o que ando escrevendo.

Muito obrigado, Lissandra Martinho, Dojival Vieira, Rodryell Pivato, Ademir Quintino, Erly Jr., Adeildo Heliodoro, Luiz Roberto, Marcia e Marly Rosa e tantos outros colegas.

Que venham mais posts, informações e curiosidades. E que nossa Cubatão caminhe, a cada dia, para ser a Rainha das Serras que tanto sonhamos.

Allan Nóbrega

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Gestão Transparente: os bastidores

Na última sexta-feira, a Prefeitura de Cubatão realizou na UME Luiz Pieruzzi o 3º Ato de Gestão Transparente, cujo objetivo era fazer um balanço das atividades da Administração e promover um intercâmbio entre os gestores e a população.

Se você quiser acompanhar a versão oficial, clique neste link. Agora, se você quer saber apenas o que não foi mostrado, continue a ler esse post.

Para começar, não vi muita participação popular, infelizmente. Até para encher o espaço, até o mais ingênuo pôde notar uma presença maciça de pessoas com crachás da PMC (muitos tentando os esconder, sem sucesso), parentes de autoridades e de funcionários públicos.

No momento da apresentação do secretariado (pela terceira vez nos últimos seis meses), a prefeita Marcia Rosa meio que tentava justificar o “sangue cubatense” de cada secretário, exceção feita ao chefe da Agove, Fernando Alberto, apenas apresentado como o que “organizou todo o evento”. Chamou a atenção a ausência do vice-prefeito Arlindo Fagundes, cuja relação com a chefe do Executivo já foi bem melhor.

Após a apresentação formal e dos discursos dos secretários, que disseram muito e pouco informaram – com especial menção ao chefe de gabinete Gérson Rozo, que fez às vezes de vice-prefeito e chegou a falar mais que a Prefeita – o mestre de cerimônias do evento, trajado com um terno e gravata pretos, ofuscados por uma camisa mais vermelha que a estrela do PT, anunciou a exibição de um vídeo com as realizações da Administração.

Feito pelos mesmos produtores do horário político da candidata Marcia Rosa em 2008, o vídeo deu várias cutucadas na última administração, condenada por todos os problemas cubatenses. Munícipes bem maquiados contaram as maravilhas da gestão atual, especialmente no transporte. Ao final, podia-se ter certeza de que a Suíça é aqui!

Merece destaque a presença dos vereadores situacionistas Dédinho e Dinho, que tiveram inclusive direito à discurso, em um evento que era do Poder Executivo. Dinho estava, aliás, muito à vontade. Tentou animar a plateia e até ensaiou passinhos de dança com a secretária de Cultura Marilda Canelas durante a apresentação das bandas musicais.

Sim, houve apresentações artísticas em uma prestação de contas. Aliás, a parte musical foi a predominante. Duas horas de música para uma de trabalhos realmente ditos.

Em um evento que não contou com nenhum órgão de imprensa presente, não faltaram frases de efeito da Prefeita. Fazendo referência às denúncias do vereador Geraldo Guedes de irregularidades na contratação da empresa responsável pela realização do casamento comunitário, Marcia Rosa não poupou palavras. “Apostei neste evento e não me arrependo. Se forem me cassar por causa disso, que cassem!”.

O público também tinha como opções acompanhar os standes das secretarias e órgãos públicos, sem nenhuma novidade em relação ao evento anterior. Muitos, inclusive, ofereciam panfletos e materiais de apoio confeccionados pela gestão do famigerado Clermont Castor.

Mas a alegria ficou por conta da CMT, que multou à vontade os carros estacionados em volta da escola e ignorou os ônibus e veículos públicos estacionados em cima da calçada em frente à unidade de ensino, forçando os munícipes a andar na rua, desviando das bicicletas e automóveis.

Mesmo assim, outros atos de gestão transparente virão. Que nossas autoridades tenham coisas boas para mostrar, além do gingado na hora de dançar e da qualidade de nossas bandas musicais.

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Teatro volta às mãos da PMC

Foto: Allan Nóbrega

A verdadeira tragédia grega que envolve a construção do Teatro Municipal de Cubatão ganhou mais uma reviravolta na tarde de ontem, quando a prefeita Marcia Rosa assinou a rescisão contratual da Prefeitura com a ONG Tudo Pela Cultura (Tupec). Com isso, a responsabilidade pelo teatro sai das mãos da entidade e volta para a Administração Municipal, após três anos de um contrato malfadado.

A Prefeita assinou a rescisão após fazer uma vistoria técnica ao prédio, onde constatou diversos problemas de infra-estrutura, agravados por seguidas invasões e saqueamentos por vândalos. Acompanharam a Chefe do Executivo os secretários de Obras, Wagner Moura, de Cultura e Turismo, Marilda Canelas, e de Negócios Jurídicos, José Eduardo Limonge, além de técnicos da PMC, o chefe de gabinete Gerson Roso e os vereadores Paulo Tito e Dinho (ambos do PT), que participam de comissão especial de vereadores na Câmara que trata do Teatro Municipal.

De acordo com Marcia Rosa, embora a responsabilidade pelos serviços fosse da Tupec, cabia à Prefeitura a fiscalização do andamento das obras. Após diversas denúncias de irregularidades na gestão do Teatro, a PMC enviou um ofício no início do mês passado pedindo explicações à ONG, que até hoje não respondeu.

A Prefeitura passou então a recolher diversos documentos que comprovassem o não-cumprimento das obrigações legais da entidade, como a falta de pagamento de contas de luz e água, para efetivar a rescisão contratual. O próximo passo agora, segundo a Prefeita, é ao menos recuperar a estrutura que já estava pronta antes dos problemas. “Precisamos recuperar neste momento pelo menos a iluminação, afinal um prédio deste tamanho às escuras à noite representa um sério perigo para quem passa pela região”.

Foto: Allan NóbregaEm um determinado momento da vistoria, talvez levada pela emoção ou pela indignação, a prefeita Marcia Rosa disse, em tom de desabafo, que a melhor solução era demolir tudo e recomeçar do zero.

Sinceramente, ela tem até razão. Vamos pensar um pouco: Cubatão é uma cidade relativamente pequena, com uma população de pouco mais de 100 mil pessoas e cerca de 140 Km². O projeto faraônico do Teatro parece que foi planejado para a Broadway ou algo parecido.

Isso sem falar que um teatro ser construído em uma área em que há três centros de saúde é, no mínimo, falta de bom senso. Ou alguém duvida do incômodo que um musical, por exemplo, poderia provocar nos pacientes do Pronto Socorro Central?

Infelizmente, o teatro já começou fadado ao fracasso. Mas como o estrago já foi feito, que pelo menos este elefante branco funcione a serviço da cultura cubatense. Desde que haja uma preocupação com o isolamento acústico, o prédio poderia ser a realização de um dos sonhos de Afonso Schmidt, como um verdadeiro polo de criação artística.

Imaginem um lugar onde a Banda Sinfônica poderia ensaiar, o corpo de baile tivesse um palco para trabalhar, os grupos de teatro fossem contemplados com seus espaços de estudos, as crianças da Cidade tivessem um local onde pudessem aprender atividades artísticas. Tudo isso é possível no Teatro Municipal de Cubatão, basta um administrador competente e a ajuda de todos os setores da sociedade, além – é claro – de uma punição exemplar aos que deixaram a situação chegar ao caos de hoje.

Acredito que esse seja um dos maiores desafios da Administração atual. Tomar para si a responsabilidade de viabilizar o Teatro exigirá um esforço de todos os setores do poder público. Estaremos de olho, torcendo para que essa interminável novela esteja chegando ao seu final.

Acompanhe a cobertura deste blog sobre o caso:

09/06 – Proteste Já: assista aqui

27/05 – Este é o Teatro Municipal

21/05 – Exclusivo: Teatro Municipal será tema do CQC

13/04 – Teatro Municipal é depredado

20/03 – Exclusivo: Bandidos furtam objetos do Teatro Municipal

09/02 – Putz Grill!

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Papo rápido com Marcia Rosa

EXCLUSIVO – Durante a solenidade de assinatura do do projeto Integrar Arte e Vida, na última segunda-feira, fiz uma pequena entrevista com a Prefeita Márcia Rosa no Bloco Cultural. Foi uma rápida conversa de cinco minutos, onde abordamos a responsabilidade social das indústrias, economia e os seis primeiros meses de governo.

Confira abaixo a entrevista na íntegra, com algumas observações minhas.

ALLAN – A senhora participou da inauguração do projeto Integrar Arte e Vida, que oferece atividades culturais e esportivas para crianças da rede de ensino, mantido por empresas privadas. Projetos como esse mostram a importância da parceria com o setor privado. As empresas têm mantido projetos sociais, visando a responsabilidade social. Na visão da senhora, as empresas de Cubatão têm percebido a importância de ajudar o desenvolvimento da comunidade?

MARCIA ROSA – É exatamente isto (neste momento, o representante do Comitê Olímpico Brasileiro interrompe a conversa e despede-se da Prefeita, confidenciando a ela que irá trazer projetos do COB à Secretaria de Esportes). O que eu percebo hoje é que os empresários, as indústrias, reconhecem a necessidade de investir socialmente nesta cidade, que produz riquezas para o mundo inteiro, sobretudo para o Brasil. Esta nova mentalidade do empresariado é muito importante para nós. Neste início, o Carrefour, a Petrobras, a Comgás, estão empenhadas e eu tenho certeza que muito mais empresas virão e farão com que esse projeto possa abarcar as 20 mil crianças da rede municipal de ensino.

AQual o balanço que a senhora faz sobre estes seis primeiros meses de administração e o que espera dos próximos seis meses?

MR – É um desafio, são muitos problemas, mas a Cidade tem muito potencial, é um município que tem uma importância estratégica para a Nação Brasileira e nós queremos, a cada dia, descortinar Cubatão, mostrar a beleza desta cidade do ponto de vista natural, do ponto de vista histórico, com a parceria das indústrias de base. Por meio desta parceria, vamos enfrentar este momento de dificuldade, este momento de crise. Tenho a impressão, se não estiver errada, que Cubatão é a cidade no Brasil que teve o maior impacto com a crise da macroeconomia, até porque é a única cidade do País que tem uma siderúrgica e uma refinaria. Como caiu o preço do barril de petróleo e houve problemas na questão do aço, tudo isso impactou diretamente o emprego, impactou o orçamento do Município, reduziu significativamente a receita do nosso município, coisa jamais vista nos 60 anos de Cubatão. Portanto, é um momento atípico da nossa história, mas também é um momento de esperança, de ajustes, de moldar a casa para que quando esta crise passar, pois eu tenho certeza de que ela vai, a máquina esteja mais ajustada e cada um mais preparado para que esta Cidade emerja como um grande município com este grande potencial que nós temos.

AComo a senhora avalia a atuação do Poder Legislativo? Percebe-se dois blocos bem distintos: situação e oposição…

MR – Tenho percebido que o Legislativo tem buscado uma harmonia maior nas relações entre os vereadores. Sempre respeitei a independência dos poderes, tenho uma boa relação com os parlamentares da Cidade. Cada um deles foi eleito para trabalhar pela Cidade, pelo nosso povo. E como o Executivo trabalha para mudar a cidade, trabalha com muito amor, com muito carinho, com dedicação, seriedade e compromisso, o Legislativo tem reconhecido isso e tem caminhado conosco.

AA visão da senhora sobre dois episódios envolvendo a Câmara: a volta do Dinho ao Legislativo e a ida do Tucla para o bloco de apoio ao Governo.

MR – A volta do Dinho já era um acordo. Ele se candidatou como vereador e, quando assumiu a Secretaria de Finanças, assumiu somente por 100 dias de governo. Quando esse prazo foi cumprido, ele me disse que voltaria para o mandato, afinal ele pediu votos para vereador e foi o segundo mais votado. Claro que ele faz falta, pois foi extremamente eficiente, sobretudo neste momento de crise, sua competência ficou registrada, né? E ele volta para a Câmara. Sabemos que ele é um grande articulador e um grande vereador, portanto ele dá muita qualidade ao Poder Legislativo. O Tucla é uma grande liderança no Legislativo municipal, está no PDT, que é um partido que sempre lutou por uma bandeira social e para nós é muito gratificante ter o Tucla, que representa o PDT, mas sobretudo a pessoa do Tucla como liderança junto ao nosso governo, um projeto que nós temos de Cidade, não um projeto pessoal.

A A senhora ainda está analisando o projeto que cria o Conselho Municipal de Combate à Corrupção, de sua autoria, que foi vetado pela Câmara em abril?

MR – Como não foi possível sancioná-lo, até porque as emendas deturparam significativamente o projeto, ele vai ser reenviado oportunamente à Câmara. Isto será precedido de uma discussão maior com o Legislativo para que a gente possa desta vez aprová-lo – e por que não? – por unanimidade.

ADurante a visita do presidente Lula à Cubatão, foi possível conversar sobre investimentos do Governo Federal na Cidade?

MR – Deu. Eu tenho uma relação muito boa com o Governo Federal. Temos estreitado as relações com Brasília, com todos os ministros. O Governo Lula não trata o município por ser administrado ou não pelo PT, mas claro que ele tem um carinho especial por Cubatão, afinal foi o segundo diretório do partido no País. Inclusive, no dia em que ele veio aqui, nós lembramos dos tempos em que era uma utopia sonhar em eleger um presidente operário. A gente sentava na Praça Princesa Isabel e pensava nisso como um sonho difícil de se realizar, mas que hoje conseguimos tornar realidade. O Presidente Lula ensinou para o Brasil que a utopia vale a pena, que sonhar vale a pena. Ele deixa mais que um Brasil organizado, deixa a força e a capacidade na sua luta, nos seus sonhos e naquilo em que acredita. Ele representa essa simbologia para todos nós. Para mim, foi muito emocionante estar do lado do Presidente da República como prefeita da minha cidade, uma coisa que sonhava há mais de 20 anos e nunca imaginei que fosse realizado desta forma.

(Neste momento a chefe do Executivo precisou sair para despedir-se da Prefeita do Guarujá, Maria Antonieta de Brito, que também participou do evento)

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Este é o Teatro Municipal

Todos já sabem que o programa Custe o Que Custar (CQC) irá denunciar o escândalo envolvendo o Teatro Municipal de Cubatão.

Mas o que ainda pouca gente viu é o atual estado do prédio. Em primeira mão, mostro imagens do interior do Teatro Municipal, em fotos exclusivas feitas por mim, ao mesmo tempo em que um inspetor da Petrobras vistoriava o local. A cobertura completa poderá ser vista na edição desta sexta-feira do Jornal da Cidade.

Há apenas um segurança cuidando do local, mas esta simpática cadelinha dá uma patinha, quer dizer, uma mãozinha.
Há apenas um segurança cuidando do local, mas esta simpática cadelinha dá uma patinha, quer dizer, uma mãozinha.
No saguão de entrada, o flagra. Um pedaço da cobertura do teto foi arrancado à mão, e a fiação elétrica cortada.
No saguão de entrada, o flagra. Um pedaço da cobertura do teto foi arrancado à mão, e a fiação elétrica cortada.
Detalhe da cobertura do teto arrancada.
Detalhe da cobertura do teto arrancada.
Quadro de avisos com mensagem provavelmente escrita por um dos invasores.
Quadro de avisos com mensagem provavelmente escrita por um dos invasores.
A geladeira é o único item que sobrou no refeitório, que foi saqueado.
A geladeira é o único item que sobrou no refeitório, que foi saqueado.
Na única sala que havia sido entregue, cadeiras quebradas e sujeira predominam entre o breu.
Na única sala que havia sido entregue, cadeiras quebradas e sujeira predominam entre o breu.
Outra parte do telhado, que ameaça cair.
Outra parte do telhado, que ameaça cair.
Fiação arrancada da parede. O prejuízo total pode chegar à R$ 100 mil.
Fiação arrancada da parede. O prejuízo total pode chegar à R$ 100 mil.
Atrás dos tapumes, a imagem do abandono.
Atrás dos tapumes, a imagem do abandono.
Mais um trecho do telhado completamente destruído.
Mais um trecho do telhado completamente destruído.
E pensar que tem dinheiro público neste local...
E pensar que tem dinheiro público neste local...