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Um príncipe em Cubatão

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O mais novo casado da praça, Henry Charles Albert David, membro da Monarquia Britânica, tem uma passagem em Cubatão. Precisamente no dia 25/06/2014, o príncipe esteve na cidade visitando projetos socioambientais na região das Cotas, na Serra do Mar.

A rápida visita, de mais ou menos meia hora, rende até hoje. A praça no alto da serra onde esteve o atual sexto membro da linha sucessória do Reino Unido ganhou o nome oficial de Mirante do Príncipe e desde então é um dos pontos turísticos mais procurados de Cubatão.

Abaixo, press release escrito por mim na ocasião da visita, divulgado pela assessoria de imprensa da Prefeitura de Cubatão. Fotos de José Mario Alves.

(curiosidade: neste dia, cobri o evento por telefone. O cerimonial que acompanhava Harry era muito rigoroso e não permitiu a subida de muitos membros da imprensa. Preferimos deixar o fotógrafo acompanhar o evento. Enquanto isso, eu colhia as informações pelo celular… Em Santos, pois também cobria a visita oficial da então presidente Dilma Rousseff, que anunciava investimentos federais nas cidades da Baixada Santista. Dia tumultuadíssimo foi aquele).

 

PRÍNCIPE HARRY VISITA CUBATÃO E CONHECE PROJETOS SOCIOAMBIENTAIS NA COTA 200

Quarto na linha sucessória do trono do Reino Unido foi recebido pelo prefeito Wagner Moura e visitou programa Serra do Mar

O Príncipe Henry Charles Albert David, conhecido como Príncipe Harry de Gales, quarto na linha sucessória do Trono Britânico, esteve na manhã desta quarta-feira (25) em Cubatão. Ele foi recebido pelo prefeito Wagner Moura na Cota 200, onde visitou o Programa de Recuperação Ambiental da Serra do Mar.

O membro da família real do Reino Unido está visitando o Brasil para acompanhar jogos da Copa do Mundo e conhecer importantes projetos sociais desenvolvidos no País. Premiado internacionalmente e reconhecido pela Organização das Nações Unidas, o Programa Serra do Mar tem mudado a vida de milhares de pessoas na Cidade. Parceria entre várias esferas de governo, a iniciativa inclui ações sociais, ambientais e habitacionais, dando moradia digna a milhares de pessoas e recuperando a mata atlântica nas áreas de preservação ambiental.

Harry pintou um muro de uma das casas da região com a já tradicional decoração multicolorida do núcleo habitacional, provou da culinária local e plantou uma muda de manacá-da-serra, uma das plantas nativas da Serra do Mar. O príncipe recebeu das mãos do prefeito de Cubatão lembranças da Cidade e um exemplar da Agenda 21 local, documento elaborado em 2005 que é referência mundial em planejamento municipal com desenvolvimento sustentável, com um conjunto de metas e projetos para a construção da “cidade que queremos” até o ano de 2020.

“É uma alegria e uma honra receber um membro da família real britânica em nossa cidade, que fez questão de conhecer o trabalho de recuperação ambiental que fez de Cubatão um exemplo mundial”, afirmou o chefe do Executivo municipal.

 

Texto: Allan Nóbrega – MTb 52.208-SP

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Fake News: a mentira disfarçada de informação

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Aquela história só pode ser verdadeira. Diz exatamente aquilo que você sempre suspeitou. Confirma todas as suas expectativas. O mundo precisa saber disso!

Um clique e todos seus familiares e amigos já estão por dentro do “fato” graças a você. Que sentimento bom isso gera, não? É, mas tinha um detalhe: era tudo mentira. E o estrago já está feito.

A internet é uma das maiores invenções da humanidade. E as redes sociais são o melhor retrato dessa revolução: todos estamos próximos uns dos outros. Compartilhamos o que somos para milhares de pessoas diariamente, sem filtros, sem censura. É aí que mora o problema.

A estrutura simples e intuitiva de um Facebook nos faz esquecer que passamos a ser todos comunicadores, formadores de opinião. Como estamos rodeados de amigos e familiares por lá, não atentamos que estamos diante de uma máquina poderosa, maior que qualquer TV, jornal ou rádio.

Por isso, muitas vezes esquecemos que não estamos no sofá da sala conversando com um amigo. Mas sim expondo nossa opinião para um público gigantesco, global. E opinião é totalmente diferente de informação.

O assassinato da vereadora carioca Marielle Franco acabou despertando em algumas pessoas os monstros que elas tentam esconder: o ódio, o rancor, o preconceito, o racismo.

Esses quatro “cavaleiros do Apocalipse” são os maiores aliados da mentira. Eles a corroboram, a legitimam. Apagam nosso senso de equilíbrio e sensatez. E como o ódio mobiliza muito mais que o amor, está formada a receita para um desastre.

Horas depois do ocorrido, já surgiram inúmeras mentiras sobre a parlamentar, que não bastou tomar cinco tiros na cara, sofreu um segundo atentado: o de sua reputação. Tudo graças à maldita dicotomia vermelho x azul que tomou conta de qualquer discussão hoje em dia.

fake news é apartidária. E não fica restrita à política. Quem nunca recebeu no WhatsApp aquela notícia de um “tratamento revolucionário” que “a indústria médica (sic) não quer que você saiba”? Ou aquele recado de que o remédio x é na verdade um veneno mortal e que deve ser evitado?

Como profissional de comunicação, não posso ignorar esse perigo. Por isso, preparei um guia rápido para você fugir das fake news, com algumas dicas preciosas para não cair na tentação de compartilhar uma mentira, um ato simples que pode ter consequências jurídicas (e trágicas). Fiz em formato de imagem para facilitar o compartilhamento.

Ninguém está a salvo das fake news. Elas são sedutoras, críveis, canalhas. E o melhor jeito de evitar essa inimiga é conhecer o seu modus operandi.

FN

 

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O que maçãs e bananas podem ensinar sobre jornalismo

Em 2016, a Universidade de Oxford, no Reino Unido, definiu “pós-verdade” como a palavra do ano. Segundo a instituição, o termo “se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”.

Numa era em que fatos são menos importantes que versões, como fica o jornalismo, esse teimoso que tanto irrita os tiranos do século XXI?

O presidente dos Estados (des)Unidos da América, Donald Trump, é o símbolo dessa nova era. Eleito pela ignorância e pela revolta com “tudo que está aí”, o bilionário escolheu a imprensa como sua inimiga número um. Aliás, segundo ele, “inimiga do povo”.

E essa inimiga tem uma cara. Trump tem ojeriza à CNN, rede de TV a cabo que já foi líder de audiência no seu segmento, mas hoje perde para a Fox News, queridinha do republicano por seu estilo, digamos, ufanista.

Cansada de ser provocada diariamente pelo novo inquilino da Casa Branca, a CNN resolveu revidar com uma série de comerciais intrigantes e muito polêmicos. Usando como metáfora uma maçã, a emissora tenta explicar o modus operandi de Trump de tentar usar distrações (como seus rompantes diários no Twitter) para abafar as investigações de que sua campanha contou com apoio da Rússia para influenciar o resultado das eleições do ano passado.

Para nós daqui debaixo, os comerciais também podem ensinar bastante. As eleições presidenciais de 2018 já estão aí. E há muitos interessados em nos fazer acreditar que maçãs são bananas.

Assista aos comerciais abaixo, com tradução livre feita por mim. E se inscreva no meu canal 😉

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BBC destaca combate à poluição do ar em Cubatão

A emissora de TV britânica BBC publicou hoje (9/3) matéria sobre o histórico trabalho de combate à poluição do ar em Cubatão nos anos 1980. Na época, após ser conhecida mundialmente como “Vale da Morte”, um intenso trabalho liderado pela companhia estadual de saneamento ambiental, a Cetesb, e pelo Governo do Estado, foi responsável por eliminar 90% das fontes poluidoras do Polo Industrial.

Para a matéria, a repórter Camilla Costa entrevistou o engenheiro ambiental e ex-secretário municipal de Meio Ambiente cubatense, Cleiton Jordão. Ele contou um pouco desta triste época, destacando os frequentes e aterrorizantes episódios de chuva ácida, conhecida entre os habitantes do extinto núcleo da Vila Parisi como “chuva que queima”.

A reportagem explica os motivos de Cubatão ter sido ao mesmo tempo o local perfeito e o pior espaço possível para a implantação das indústrias de base, fenômeno de uma época em que o Brasil vivenciava o desenvolvimentismo desenfreado do começo dos anos 1950.

Hoje, com as fontes controladas, o monitoramento constante da qualidade do ar é fundamental. Mas, como a explosão na Vale Fertilizantes em 5 de janeiro deste ano mostra, todo cuidado é pouco. Ainda temos um alto índice de poluição do ar, mas nada lembra os catastróficos anos em que “50 tons de cinza” era a melhor definição possível do céu cubatense.

Acompanhe vídeo da reportagem abaixo, com tradução livre minha. E se inscreva no meu canal no YouTube. Sempre tem alguma boa novidade por lá!

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Prefeitos, governadores e presidentes: fotos para a História

Retomando esse espaço que vai completar 10 anos em breve, vou tratar aqui um pouco da minha carreira no jornalismo/assessoria de imprensa. Muitas vezes, parafraseando o lendário tema do Repórter Esso, somos mesmo testemunhas oculares da História. Reúno neste post algumas fotos minhas que retratam os prefeitos de Cubatão, governadores de São Paulo e presidentes brasileiros nos últimos anos. E falo do contexto em que as imagens foram registradas. Boa leitura!

Dilma Rousseff – 30/04/2010

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Uma até então pouco conhecida ministra do governo Lula, Dilma Rousseff esteve em Cubatão no final de abril de 2010 para fazer um dos primeiros atos da sua pré-campanha à Presidência. Com aparência bem diferente da que seria adotada na campanha, mas já ensaiando discursos e programa de governo, ela falou para um grupo de militantes, políticos e imprensa numa pizzaria local. Com um calor infernal (não havia ar condicionado), pouco se ouvia. Mas com o PT em voo de cruzeiro no cenário nacional à época, isso pouco importava. O fato político de alcance nacional estava pronto. Entre cotoveladas, dribles na segurança e secando as insistentes gotas de suor, consegui registrar o momento.

Nei Serra e Marcia Rosa – 11/08/2011
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Um encontro fortuito e surpreendente em Santos, durante um encontro de prefeitos com o governador Geraldo Alckmin. Futuros adversários nas tumultuadas eleições do ano seguinte, Marcia Rosa e Nei Serra (então representante da associação de hotéis de Bertioga) trocaram cumprimentos num encontro que este que vos escreve conseguiu registrar com exclusividade.

Marcia Rosa, Geraldo Alckmin e José Serra – 19/11/2011

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Se nacionalmente PT e PSDB não se dão bem, regionalmente a disputa é intensificada. Protagonistas de embates antológicos nos últimos anos, a então prefeita Marcia Rosa e o governador Geraldo Alckmin se encontraram no Jardim Nova República, em Cubatão, para entregarem moradias de um conjunto habitacional feito com recursos estaduais e municipais. Para aumentar o climão, o chefe do Executivo estadual trouxe a tiracolo para a cerimônia seu antecessor (e ainda mais desafeto de Marcia), José Serra. Sobraram indiretas e trocas pouco amistosas de olhares. Fato que não passou desapercebido por nenhum dos presentes. A imagem registrada por mim fala por si.

Marcia Rosa e Paulo Alexandre Barbosa – 17/05/2013

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Apesar das diferenças, no dia a dia a relação entre os prefeitos da Baixada é respeitosa e até amistosa. Que o diga esse rápido e simpático registro de um encontro entre a prefeita de Cubatão e o chefe do Executivo Santista em um evento do governo do Estado na prefeitura da maior cidade da Região.

Lula – 09/08/2013

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Ainda longe do turbilhão que estaria por vir nos anos seguintes, o ex-presidente Lula foi recebido como um verdadeiro rockstar em um evento do seu partido em Bauru, no interior de São Paulo. Ovacionado pelos militantes, paparicado pela imprensa nacional e retornando de um exitoso tratamento de saúde, ele era só sorrisos ao lançar seu ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, como candidato ao governo de São Paulo.

Michel Temer – 06/12/2013

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Fotos posadas são o pesadelo de qualquer repórter fotográfico. A espontaneidade de um encontro é muito mais reveladora e jornalisticamente relevante. Mas, às vezes, um olhar pode mudar tudo. Anos antes de ser conduzido à Presidência da República, Michel Temer recebia prefeitos da Baixada Santista em seu escritório, em São Paulo, para receber pleitos sobre mobilidade urbana e encaminhá-los ao Palácio do Planalto, após tentativas frustradas das autoridades regionais em marcar audiência com a então presidente Dilma Rousseff. Controlando o tempo da audiência minuciosamente, Temer aceitou posar rapidamente para uma foto, mas estava com pressa, pois era latente o desejo do à época vice-presidente de voltar à agenda política (diversos deputados e agentes políticos o esperavam para audiências).

Wagner Moura – 27/05/2014

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Os últimos dois anos foram os de maiores reviravoltas políticas na história de Cubatão. Diversas ações eleitorais movidas na campanha de 2012 geraram consequências que perduraram até o último dia de 2016. No meio de 2014, Marcia Rosa foi afastada da Prefeitura por decisão da Justiça Eleitoral, assim como seu vice Donizete Tavares. Coube à Wagner Moura, então presidente da Câmara, assumir o poder Executivo. Registrei o momento em que ele assinou a ordem judicial, tornando-se prefeito por pouco mais de um mês.

Dilma Rousseff – 30/09/2014

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Se em Cubatão as eleições de 2012 geraram turbulências para os anos seguintes, no cenário nacional isso se deu no pleito de 2014. Uma campanha presidencial tensa, com reviravoltas inacreditáveis. Um dos últimos atos de campanha de Dilma Rousseff no primeiro turno foi uma carreata em Santos. Cobrir eventos políticos na rua já é uma missão complicada para a imprensa. Com uma presidente da República disputando reeleição, então, é quase impossível. Credenciamento exaustivo, segurança em alerta máximo com medo de atentados. Entre empurrões, pés pisoteados e troca de “gentilezas” com os agentes do Exército, consegui algumas boas imagens da candidata/presidente.

Ademário Oliveira e Aguinaldo Araújo – 09/12/2016

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Como mais uma das consequências da atribulada eleição de 2012, Marcia Rosa e Donizete foram afastados novamente em 2016. Coube ao presidente do Legislativo de então, Aguinaldo Araújo, assumir o Executivo e completar a gestão até a posse do prefeito eleito nas eleições de 2016, Ademário Oliveira. Numa das reuniões desse período, pude registrar um momento simbólico: dois prefeitos entre a cadeira do poder Executivo da Cidade. Uma literal transição de governo.

Tem muito mais fotos e registros desse mundão no meu Flickr • 

Já me segue nas redes sociais? Confira pitacos, fotos, informações e muito mais 🙂

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Cubatão, pelas lentes da extinta TV Tupi

Fundada em 18 de setembro de 1950, a TV Tupi de São Paulo foi a primeira emissora de televisão do Brasil. Fundada pelo magnata das comunicações Assis Chateaubriand, a pioneira dentre as televisões mal completou 30 anos, encerrando suas atividades em 1980.

Em 2012, a Cinemateca Brasileira lançou um site em que disponibiliza, gratuitamente, vídeos do acervo de telejornalismo da Tupi, doados à entidade estatal, que os restaurou. Dentre as centenas de arquivos, encontrei dois vídeos sobre Cubatão, datados da década de 1960.

Os materiais estão sem áudio, em preto e branco e com desgastes devido à degradação das fitas, mas são um registro raríssimo e valioso dos primeiros anos da Cidade, emancipada de Santos em 1949.

O primeiro vídeo apresenta um passeio por Cubatão, além do registro da primeira sede da Prefeitura (atual Biblioteca Municipal). Em destaque, o prefeito à época, Luiz de Camargo da Fonseca e Silva, que dá nome ao atual Hospital Municipal de Cubatão (antigo Hospital Modelo).

No segundo material, um registro jornalístico de um parque de diversões temporário, montado na cidade. O local ficou completamente destruído após uma forte ventania.

Reuni os dois vídeos em um só arquivo, que pode ser conferido abaixo. Para mais registros interessantes, não deixe de conferir meu canal no YouTube.

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O mito da imparcialidade

Reprodução/internetDesde que coloquei os pés pela primeira vez na faculdade de jornalismo (sim, eu sou um dos neandertais que têm diploma de jornalista), ouço aquela palavrinha mágica: imparcialidade. Em teoria, o jornalista precisa ser imparcial, dar os dois lados da notícia de forma igual, blá, blá, blá.

Mas o mundo real é diferente. Por diversos fatores e interesses, a tal imparcialidade atualmente não passa de conto da carochinha. Por trás de cada jornal, rádio (“comunitária” ou comercial), TV, e portal, existem corporações e pessoas, com diversos interesses e preferências.

Por exemplo: a Globo divulga com ênfase em todos os seus telejornais “notícias” diárias sobre um certo festival de música. Por quê? Para divulgar boas opções culturais a seu público? Porque ela incentiva a música e quer preencher a lacuna deixada pela MTV? Claro que não.

Semanas depois, a resposta: ela irá transmitir o tal evento, que pela ampla divulgação, passou a chamar a atenção do público. E demanda popular é um termo mágico para o mercado publicitário, que compra rapidamente todas as cotas de patrocínio. Com isso, ciclo fechado: aquela singela informação nos telejornais, disfarçada de informação jornalística, rendeu um belo $ pra nobre emissora carioca.

Fiz todo esse prólogo apenas para chegar em um ponto: ninguém é imparcial. Todos temos preferências políticas, religiosas, futebolísticas, financeiras, filosóficas… É o que nos diferencia dos outros animais. E, embora muitos não acreditem, jornalistas também são seres humanos.

Portanto, tudo bem que o comunicador tenha um lado. Ele pode não gostar de tal partido, odiar fulano ou sicrano. Mas existe uma outra palavrinha mágica: transparência.

Um jornalista pode ser profissional e ter um lado. Basta deixar isso claro a seu público. Se eu sou de esquerda, tenho que deixar isso o mais transparente possível, declarar publicamente a minha posição. O mesmo vale pra quem é de direita, centro, etc.

Com isso, o leitor terá todas as condições de filtrar a informação que recebe – e procurar os outros aspectos da notícia, de pensamentos diferentes. É assim que o jornalismo contribui com a sociedade: tem fontes para todos os gostos. Basta saber filtrar cada uma e formar seu próprio pensamento. Cuidado com os lobos em pele de cordeiro que bradam serem independentes no jornalismo.

Pra cada Veja, tem uma Carta Capital. Imparcialidade é mito. Transparência, não.