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O Rei em Cubatão

foto: Allan Nóbrega

Nesta segunda-feira, 13 de junho, o Centro Esportivo Castelo Branco recebeu uma de suas mais nobres visitas. Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, esteve em Cubatão em um evento promovido pela Viação São Bento, empresa concessionária da Prefeitura que atua no transporte escolar municipal.

Nenhum projeto para a Cidade foi anunciado, apenas uma palestra onde o Rei do Futebol contou um pouco de sua experiência de vida para os jovens cubatenses participantes de projetos esportivos. A participação poderia ser maior, mas como estamos em período de férias escolares nenhuma escola municipal esteve presente ao evento. Com isso, um dos lados do Castelão ficou vazio durante a visita do Atleta do Século, enquanto a outra parte estava pouco mais da metade preenchida de espectadores.

A solenidade estava marcada para as 15 horas, mas como é normal neste tipo de evento, a cerimônia começou cerca de 35 minutos atrasada. Após a apresentação de grupos de dança, Pelé chegou ao local ao lado da prefeita Marcia Rosa e cercado por uma multidão de jornalistas e curiosos, iluminado por uma constelação de flashes das máquinas fotográficas.

Pelé falou por cerca de 10 minutos e logo depois assinou camisas do Santos Futebol Clube e bolas de futebol, que serão doadas ao Fundo Social de Solidariedade. Ele também recebeu da Prefeita uma placa de agradecimento.

Pelé e Marcia Rosa tentam imitar a pose da estátua. Foto: Allan NóbregaEm seguida, Pelé participou da inauguração de uma estátua em sua homenagem. Poucos minutos antes da chegada de Edson Arantes do Nascimento, funcionários da Prefeitura ainda pintavam o local que cercava o monumento, que não estava fixado na base de concreto que o sustentava. Um patrulheiro do Camp precisou ficar segurando o equipamento enquanto Pelé posava a seu lado, para evitar a sua queda, o que quase aconteceu mais de uma vez. A estátua mostra Pelé dominando a bola com o uniforme da Seleção Brasileira de Futebol. A camisa contém um erro histórico. O emblema da camisa mostra a sigla CBF, da Confederação Brasileira de Futebol, que só foi criada anos após a aposentadoria do Rei do Futebol da equipe canarinha.

Multidão de jornalistas durante coletiva. Foto: Allan NóbregaLogo após a inauguração, o maior jogador de futebol de todos os tempos concedeu uma entrevista coletiva bastante tumultuada na sede da Secretaria de Esportes e Lazer. O pequeno espaço destinado quase não foi suficiente para os dezenas de profissionais de imprensa presentes.

O motivo do evento foi citado apenas nos primeiros minutos. O maior interesse dos jornalistas foi a opinião de Pelé sobre o Santos Futebol Clube, que havia sofrido na véspera uma derrota vexatória de 6×2 para o Vitória da Bahia pelo Campeonato Brasileiro, o que provocou a demissão do técnico Vagner Mancini.

Pelé pede silêncio das crianças que espiavam a coletiva pela janela. Foto: Allan NóbregaEdson defendeu o ex-treinador do alvinegro da Vila e criticou levemente a imprensa, que na visão dele não ressalta as conquistas dos times, focando apenas os maus momentos. O Rei do futebol também concedeu elogios ao técnico da Seleção, Dunga, ressaltando a série de conquistas do treinador. Algumas crianças que participaram do evento escalaram as paredes da secretaria e espiavam a entrevista pelas janelas.

A saída do Rei deu bastante trabalho aos organizadores do evento. Funcionários da Semes tentavam tirar fotos e pedir autógrafos, tarefa inglória para a maioria. Nem mesmo o corinthiano vereador Adeildo Heliodoro, o Dinho, conseguiu a assinatura de Pelé nas duas camisetas do Santos que levava a tiracolo.

O carro que levaria Pelé de volta a Santos precisou entrar no Castelão e sair pelos fundos, dado o grande número de crianças à espera de um tchau do maior nome do esporte brasileiro, que solícito, o fez ao deixar o Centro Esportivo, em uma tarde que muitas dessas crianças jamais vão esquecer.

Assista abaixo a entrevista coletiva de Pelé:

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O nosso professor

Tomo a liberdade de publicar um artigo que escrevi originalmente para o Jornal da Cidade. No jornalismo, temos a oportunidade de vivenciar muitas coisas, mas algumas vezes passamos por momentos que nos marcam por toda a vida.

Para mim, foi marcante a entrevista com o professor José Fabiano Madeira, o Professor Madeira. Um símbolo de humildade e determinação que merece todas as homenagens possíveis. Abaixo, as minhas reverências a ele.

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Professor Madeira

Um doutor na arte da educação

Quem chega à sede da Secretaria de Educação no Paço Municipal e vê um simpático senhor atendendo as pessoas em uma singela salinha próxima à gerência da Secretaria pode não reconhecer, mas está diante de uma referência nacional em educação – José Fabiano Madeira, mas conhecido por todos como Professor Madeira.

Nascido em Nova Lima/MG, em 20 de fevereiro de 1940, sua avó Maria Liberata foi a primeira parteira diplomada da Cidade. Por meio de suas mãos, vieram ao mundo filhos das tradicionais famílias cubatenses Couto, Torres, Terras, Cunha, da Guarda e Ruivo.

Cursou o primário na escola estadual Júlio Conceição e o secundário no Afonso Schmidt. Com muita determinação, conseguiu feitos impressionantes. Formado pela Academia da Força Aérea, foi piloto de aeronaves. Como se não bastasse, graduou-se em outros sete cursos da Universidade de São Paulo. Vamos à lista: Biologia, Geografia, História, Pedagogia, Filosofia, Teologia e Engenharia.

Isso sem falar no doutorado em Citologia (o estudo das células) e com passagens pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, onde morou por algum tempo.

Professor de Geografia da Rede Municipal de Ensino, onde lecionou por muitos anos, Madeira foi convidado em 2006 pela Secretaria de Educação para cuidar da vinda para Cubatão da Escola Técnica Estadual do Centro Paula Souza.

Desde 2007, professor Madeira está empenhado no que considera ser a missão de sua vida – a vinda para a Cidade de um campus da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, a Poli-USP.

Quando fala desta luta, o professor se emociona e chega às lágrimas. “Este é o meu maior desejo. Quero que os jovens da minha cidade tenham a mesma oportunidade que tive de estudar e crescer na vida. Estamos diante de uma chance histórica para Cubatão e não podemos desperdiçá-la por interesses pessoais”.

Quando o assunto é educação, o biólogo, geólogo, historiador, pedagogo, filósofo, teólogo, engenheiro e piloto da Aeronáutica é enfático. “Durante muito tempo, temi ser um Dom Quixote, lutando contra os moinhos de vento. Felizmente, a classe política da Cidade percebeu a importância de uma universidade pública no município. Agora, é superar pequenos entraves burocráticos para dar à população cubatense a chance de mudar a sua história. Que os detentores do poder em Cubatão deixem de olhar apenas para seus umbigos e olhem pela janela. Pensem nos jovens deste lugar e façam a coisa certa”.

Ex-candidato a prefeito e a vereador, ele diz agora apenas querer se candidatar a único cargo na vida: “Quero apenas me candidatar a uma vaga no coração das pessoas”.

Professor, com certeza, esta eleição é garantida.