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Abismo

Ditadura não tem data oficial pra começar. Nem precisa ter tanques nas ruas para se estabelecer. Isso é coisa dos anos 1960.

É uma lenta escalada, esticando a corda das instituições um pouquinho a cada dia. Uma vez ou outra, capricham na audácia, pra ver se a democracia reage. Se não, aumentam a intensidade do autoritarismo.

Já estamos na fase do rolo compressor. Todo dia, toda hora, uma nova barbárie, uma fala absurda, uma banana pra imprensa. E a gente segue nossa vida, curtindo fotos de cachorrinhos, pagando as contas, compartilhando fake news a rodo no WhatsApp.

Desde 2014, pelo menos, essa escalada vem acontecendo. Houve alguns espasmos de resistência democrática, mas agora a apatia impera. E eles botaram o pé no acelerador.

Não é com notas de repúdio a falas diárias ou relevando caquistocratas no poder (porque, oba, a Bovespa ultrapassou os 100 mil pontos) que a coisa vai melhorar. Não vai.

O abismo está à nossa frente. E eles estão prontos para nos jogar nele.

Tá na hora de acordar.

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Desarmando a bomba

Costuma-se definir de surreal uma situação que foge à compreensão da realidade. Mas nos últimos meses, a situação de Cubatão adquiriu tons de dadaísmo, movimento artístico dos anos 1910 baseado na ode à confusão.

Vivemos dias bagunçados, frustrantes, sem horizonte. A cada hora, novas notícias ruins, novos anúncios negativos, novos conflitos ásperos e muitas vezes desnecessários.

A cidade está basicamente parada. Cubatão está em crise, não é mais a “galinha dos ovos de ouro” de outrora.

E por que chegamos a esse ponto? Vivemos o resultado da insistente teimosia de sucessivos governos de que o Polo Industrial nos sustentaria eternamente. Pra que pensar em novas formas de pensar a cidade se sempre teríamos pelo menos um “bilhãozinho” em caixa, no pior dos cenários? Pra que investir em turismo, formação profissional qualificada de nossos jovens?

Pois bem, o preço por essa filosofia imediatista tem saído bem caro. E hoje a cidade está em uma encruzilhada: ou recolhe seus cacarecos e aprende a andar com as próprias pernas, ou definhará, presa a um passado que não tem volta.

Exatamente por isso, me causa angústia ver a Cubatão perdida de 2017. De qualquer lado que se observe, todos estão com pedras nas mãos. O pavio está aceso. E a bomba está prestes a estourar.

É hora de uma “DR” coletiva. Só o cubatense pode salvar Cubatão. Armas abaixadas, coração leve, humildade para ouvir sugestões e voltar atrás.

É hora de uma nova Agenda 21, no papel e nas atitudes. Não vamos perder o bonde da História de novo. Desperte, Cubatão.