‘Timing’ é tudo

26/04/2017

“O tempo não para”

Em política, uma coisa é fundamental e decisiva para qualquer gestão: timing. Nem antes, nem depois. Algumas medidas precisam ser tomadas na hora certa.

O tempo certo para tomar alguma medida é tão ou até mais importante que o apoio legal ou a necessidade da tal ação. Falando de gestão pública, errar o timing é pecado quase mortal.

E medidas tomadas no tempo errado têm sido frequentes neste ano, localmente e nacionalmente. E as consequências disso estão aí, aos olhos de todos. Caos, incerteza, choque, incredulidade. Desilusão.

Medidas que, se tomadas no timing correto, teriam outras consequências. Menos traumas, menos cisões, mais entendimento.

O timing de uma decisão afeta duas coisas no responsável por ela: popularidade e credibilidade. Popularidade é algo que varia com o tempo e a circunstância. Tem seus altos e baixos. Credibilidade, no entanto, é algo bem mais difícil de conseguir. E muito fácil de perder.

Há tempo de falar, há tempo de calar. Há tempo de agir, há tempo de observar. Mas sempre há tempo. Resta ao gestor correr ao lado dele ou ser superado pelo implacável “tic-tac” da política e da realidade.

Fica a reflexão.

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O mito da imparcialidade

13/11/2013

Reprodução/internetDesde que coloquei os pés pela primeira vez na faculdade de jornalismo (sim, eu sou um dos neandertais que têm diploma de jornalista), ouço aquela palavrinha mágica: imparcialidade. Em teoria, o jornalista precisa ser imparcial, dar os dois lados da notícia de forma igual, blá, blá, blá.

Mas o mundo real é diferente. Por diversos fatores e interesses, a tal imparcialidade atualmente não passa de conto da carochinha. Por trás de cada jornal, rádio (“comunitária” ou comercial), TV, e portal, existem corporações e pessoas, com diversos interesses e preferências.

Por exemplo: a Globo divulga com ênfase em todos os seus telejornais “notícias” diárias sobre um certo festival de música. Por quê? Para divulgar boas opções culturais a seu público? Porque ela incentiva a música e quer preencher a lacuna deixada pela MTV? Claro que não.

Semanas depois, a resposta: ela irá transmitir o tal evento, que pela ampla divulgação, passou a chamar a atenção do público. E demanda popular é um termo mágico para o mercado publicitário, que compra rapidamente todas as cotas de patrocínio. Com isso, ciclo fechado: aquela singela informação nos telejornais, disfarçada de informação jornalística, rendeu um belo $ pra nobre emissora carioca.

Fiz todo esse prólogo apenas para chegar em um ponto: ninguém é imparcial. Todos temos preferências políticas, religiosas, futebolísticas, financeiras, filosóficas… É o que nos diferencia dos outros animais. E, embora muitos não acreditem, jornalistas também são seres humanos.

Portanto, tudo bem que o comunicador tenha um lado. Ele pode não gostar de tal partido, odiar fulano ou sicrano. Mas existe uma outra palavrinha mágica: transparência.

Um jornalista pode ser profissional e ter um lado. Basta deixar isso claro a seu público. Se eu sou de esquerda, tenho que deixar isso o mais transparente possível, declarar publicamente a minha posição. O mesmo vale pra quem é de direita, centro, etc.

Com isso, o leitor terá todas as condições de filtrar a informação que recebe – e procurar os outros aspectos da notícia, de pensamentos diferentes. É assim que o jornalismo contribui com a sociedade: tem fontes para todos os gostos. Basta saber filtrar cada uma e formar seu próprio pensamento. Cuidado com os lobos em pele de cordeiro que bradam serem independentes no jornalismo.

Pra cada Veja, tem uma Carta Capital. Imparcialidade é mito. Transparência, não.


EXCLUSIVO: Veja o novo site de A Tribuna

28/09/2009

Dou um tempinho em Cubatão para abordar uma novidade na comunicação da Baixada.

Às vezes, as empresas que criam sites hospedam os projetos que estão desenvolvendo para seus clientes em seus servidores, em um link aberto, mas não divulgado.

Uma empresa da Região está fazendo o novo site do jornal A Tribuna, e hospedou o projeto em um link. Sem querer, acabei descobrindo a página e mostro a vocês, em primeira mão, a nova cara de A Tribuna.com.br:

Novo site de A Tribuna


A culpa é nossa

23/06/2009

Deixo de lado a política cubatense para tratar um pouco da minha profissão. Na última semana, o Supremo Tribunal Federal decidiu por oito votos a um pela não-obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. Esperei a poeira baixar para comentar sobre a decisão de nossos renomáveis magistrados.

Em primeiro lugar, muita gente se manifestou mas poucos o fizeram com propriedade e conhecimento de causa. Só quem vive dentro do jornalismo ou ao menos acompanha o fazer jornalístico pode ter alguma noção das implicações desta decisão para a nossa classe.

Pessoalmente, acredito que realmente o bom jornalista não precisa de um diploma na parede para demonstrar a sua competência, que deve ser verificada na acurácia da apuração das informações, no bom texto, na qualidade de suas fontes. Mas defendo que ninguém sai o mesmo após fazer uma faculdade de jornalismo. Lá, não se aprende apenas o linguajar da área ou como escrever uma matéria. É preciso estudar psicologia, cultura, antropologia, teoria da comunicação, informática, fotografia, entre outras disciplinas. Ao final de quatro anos, garanto que se adquire uma visão de mundo imprenscindível para quem quer ser jornalista.

Mas mesmo assim, vejo colegas batendo cabeça, muitos sem posição definida sobre este assunto. Uns revoltados com Gilmar Mendes e seus blue caps, outros defendendo com unhas e dentes a decisão dos magistrados. Em menos de um ano, a Lei de Imprensa foi pro saco e agora é extinta a única regulamentação legal da profissão. Por isso eu digo: os maiores culpados pela bagunça que é a profissão somos nós mesmos, os jornalistas.

Sim, nós que aceitamos trabalhar ganhando uma mixaria e sem carteira assinada. Nós que aceitamos arcar com nossos próprios direitos trabalhistas aceitando empregos sob o regime de pessoa jurídica. Nós que aceitamos fazer três laudas de entrevista com o maior anunciante do jornal, enquanto as verdadeiras notícias brigam por duas ou três colunas da última página. Nós que não temos um órgão verdadeiramente representativo da categoria, que se divide entre Fenaj, ABI, SJSP… PQP!

Enquanto nós, jornalistas que realmente amamos nossa profissão e matamos vários leões por dia em busca da manchete desconhecida, não tomarmos vergonha na cara e lutarmos de verdade pela dignidade da profissão, continuaremos sendo motivo de chacota da opinião pública e moeda de troca do poder econômico deste País.

Jornalistas, paremos as máquinas do conformismo, antes que elas nos parem!


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