‘Timing’ é tudo

26/04/2017

“O tempo não para”

Em política, uma coisa é fundamental e decisiva para qualquer gestão: timing. Nem antes, nem depois. Algumas medidas precisam ser tomadas na hora certa.

O tempo certo para tomar alguma medida é tão ou até mais importante que o apoio legal ou a necessidade da tal ação. Falando de gestão pública, errar o timing é pecado quase mortal.

E medidas tomadas no tempo errado têm sido frequentes neste ano, localmente e nacionalmente. E as consequências disso estão aí, aos olhos de todos. Caos, incerteza, choque, incredulidade. Desilusão.

Medidas que, se tomadas no timing correto, teriam outras consequências. Menos traumas, menos cisões, mais entendimento.

O timing de uma decisão afeta duas coisas no responsável por ela: popularidade e credibilidade. Popularidade é algo que varia com o tempo e a circunstância. Tem seus altos e baixos. Credibilidade, no entanto, é algo bem mais difícil de conseguir. E muito fácil de perder.

Há tempo de falar, há tempo de calar. Há tempo de agir, há tempo de observar. Mas sempre há tempo. Resta ao gestor correr ao lado dele ou ser superado pelo implacável “tic-tac” da política e da realidade.

Fica a reflexão.

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Cubatão nas ‘baladas’ europeias dos anos 1980

09/04/2017

No dia em que Cubatão completa 68 anos de emancipação político-administrativa, este blog traz uma história desconhecida e surpreendente. Em 1982, auge da disco music na Europa, uma balada fez alemães mexerem o esqueleto e refletirem sobre a industrialização desenfreada no hemisfério sul. Prepare o glitter e as polainas para conhecer uma das canções mais surreais de todos os tempos!

As responsáveis pela primeira “disco music de protesto” do mundo

A girl band “A La Carte” foi formada em 1978, na Alemanha Ocidental, e durou até 1985, com várias formações. Com hits do naipe de When the Boys Come Home, Do Wah Diddy Diddy, Ring Me, Honey e Viva Torero, o grupo era presença certa nos programas de TV e nas paradas do rádio de uma Europa que ainda vivia as consequências da Guerra Fria, com o infame Muro de Berlim ainda de pé.

Enquanto no Brasil, que vivia os estertores da Ditadura Militar, pouco se falava da poluição do ar desenfreada pela qual vivia Cubatão e suas tragédias subsequentes, o assunto gerou muita atenção e preocupação na Europa. O movimento ambientalista começava a ganhar força e diversos especialistas começaram a estudar o fenômeno que acontecia naquela então desconhecida cidade do hemisfério sul. Tal tema suscitou muitas reportagens e causou comoção do povo europeu.

O choque com as imagens registradas pela BBC no “Vale da Morte” à época foi tão grande que comoveu o trio pop alemão. Após uma discografia baseada em músicas sobre amor e dançar a noite toda, em um belo dia de 1982 o grupo resolveu fazer a primeira “dance music de protesto” da história. No álbum The Wonderful Hits Of A La Carte, Jeanny Renshaw, Linda Daniels e Joy Martin presentearam o mundo com a surpreendente e indescritível música “Cubatao”.

Tendo como personagem principal um “garoto de olhos castanhos” chamado Angelo (!), a letra composta por Martin Herbert, John Feechan, Simon Denbigh, Robert Priestly e Alan Mogg é um verdadeiro manifesto e um apelo para que a terra que antes tinha “abelhas e árvores cheirosas” pudesse ser novamente um “paraíso lá no sul, no Brasil”.

Hoje, felizmente, os tempos são outros. Cubatão ainda combate o problema da poluição, mas recuperou sua fauna e flora, trabalho reconhecido internacionalmente. Os tempos sombrios estão no passado.

Aumente o som e confira abaixo essa verdadeira pérola da disco music dos anos 1980. Pela primeira vez, traduzida para o português. Nostalgia e surpresas à la carte de uma cidade que ainda rende muitas histórias.


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