O mito da imparcialidade

13/11/2013

Reprodução/internetDesde que coloquei os pés pela primeira vez na faculdade de jornalismo (sim, eu sou um dos neandertais que têm diploma de jornalista), ouço aquela palavrinha mágica: imparcialidade. Em teoria, o jornalista precisa ser imparcial, dar os dois lados da notícia de forma igual, blá, blá, blá.

Mas o mundo real é diferente. Por diversos fatores e interesses, a tal imparcialidade atualmente não passa de conto da carochinha. Por trás de cada jornal, rádio (“comunitária” ou comercial), TV, e portal, existem corporações e pessoas, com diversos interesses e preferências.

Por exemplo: a Globo divulga com ênfase em todos os seus telejornais “notícias” diárias sobre um certo festival de música. Por quê? Para divulgar boas opções culturais a seu público? Porque ela incentiva a música e quer preencher a lacuna deixada pela MTV? Claro que não.

Semanas depois, a resposta: ela irá transmitir o tal evento, que pela ampla divulgação, passou a chamar a atenção do público. E demanda popular é um termo mágico para o mercado publicitário, que compra rapidamente todas as cotas de patrocínio. Com isso, ciclo fechado: aquela singela informação nos telejornais, disfarçada de informação jornalística, rendeu um belo $ pra nobre emissora carioca.

Fiz todo esse prólogo apenas para chegar em um ponto: ninguém é imparcial. Todos temos preferências políticas, religiosas, futebolísticas, financeiras, filosóficas… É o que nos diferencia dos outros animais. E, embora muitos não acreditem, jornalistas também são seres humanos.

Portanto, tudo bem que o comunicador tenha um lado. Ele pode não gostar de tal partido, odiar fulano ou sicrano. Mas existe uma outra palavrinha mágica: transparência.

Um jornalista pode ser profissional e ter um lado. Basta deixar isso claro a seu público. Se eu sou de esquerda, tenho que deixar isso o mais transparente possível, declarar publicamente a minha posição. O mesmo vale pra quem é de direita, centro, etc.

Com isso, o leitor terá todas as condições de filtrar a informação que recebe – e procurar os outros aspectos da notícia, de pensamentos diferentes. É assim que o jornalismo contribui com a sociedade: tem fontes para todos os gostos. Basta saber filtrar cada uma e formar seu próprio pensamento. Cuidado com os lobos em pele de cordeiro que bradam serem independentes no jornalismo.

Pra cada Veja, tem uma Carta Capital. Imparcialidade é mito. Transparência, não.

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