Cubatão protesta, mas vandalismo prejudica dia histórico

19/06/2013
13-06-18 - Vandalismo Centro Cubatão - AN (75)

Ônibus foi destruído e incendiado na Avenida Nove de Abril

 

O dia 18 de junho de 2013 já está marcado na história de Cubatão. A onda de protestos por tudo, “não apenas por 20 centavos”, que se espalha pelo País, chegou ao Município. Dois atos foram realizados no final da tarde, reunindo centenas de pessoas. Uma bela página de nossa democracia, infelizmente prejudicada por atos isolados de vandalismo, que trouxeram o caos à região central.

Por volta das 17 horas, dezenas de pessoas, sobretudo estudantes, se reuniram no Paço Municipal para fazerem um ato contra tudo o que está errado, passando por críticas à saúde, educação, gastos públicos com a Copa do Mundo e corrupção. Pacificamente, o grupo seguiu pela Avenida Nove de Abril e rumou para o Trevo de Cubatão, onde bloquearam o tráfego nas rodovias Cônego Domênico Rangoni e Anchieta por cerca de uma hora.

Em seguida, o grupo, com mais de 500 pessoas, caminhou novamente para a avenida principal da Cidade, onde encerraram o ato.

Também no final da tarde, um outro grupo se concentrou atrás do Paço Municipal. O objetivo desse movimento, dentre o qual fazia parte a prefeita Marcia Rosa, era diferente: clamar pela paz em Cubatão.

Vestidos de branco, os integrantes caminharam pela Rua Pedro de Toledo e seguiram rumo à Praça Princesa Isabel, onde deram um abraço simbólico no logradouro público, um dos símbolos da Cidade.

Vandalismo

Depois dos atos pacíficos e democráticos, infelizmente a violência marcou presença. Um pequeno grupo, alheio aos movimentos, promoveu atos de vandalismo no Centro logo após os protestos. Lixeiras foram queimadas na Rua Manoel Jorge e vidros foram quebrados nos prédios da Prefeitura e Câmara. O Bloco Cultural foi pichado e equipamentos de sinalização foram jogados no chão.

Os vândalos entraram em conflito com policiais da Tropa de Choque, chamada para a ocorrência. Jornalistas e fotógrafos que cobriam o incidente foram atingidos com pedras e ovos.

O grupo de criminosos seguiu para a Avenida Nove de Abril, onde promoveu caos e destruição. Lixeiras foram incendiadas. Uma joalheria próxima à antiga entrada do parque Anilinas foi saqueada e destruída.

Completando o itinerário de terror, os vândalos cercaram um ônibus municipal, retiraram seus integrantes e atearam fogo ao veículo. As chamas acabaram atingindo a rede elétrica da região, que acabou prejudicada.

A Prefeitura de Cubatão lamentou o incidente. “A Prefeitura de Cubatão considera válidas as manifestações pacíficas e próprias da democracia. No entanto, lamenta qualquer excesso ou prática violenta que não combinam com as reivindicações legítimas da população. E repudia a infiltração de pessoas que se aproveitam para praticar atos de vandalismo contra órgãos públicos e propriedades particulares. O povo deve repudiar este tipo de atitude para que as manifestações não sejam desvirtuadas de seu propósito”.

O órgão também informou que o transporte público, principal item gerador do movimento nacional, foi prejudicado. “(…) não será possível manter o serviço normal de transporte público coletivo no Município durante esta quarta-feira (19). O motivo é que além do ônibus que foi queimado na Avenida Nove de Abril, outros 23 veículos da frota que realiza o transporte de passageiros no Município foram danificados. Na grande maioria, os veículos tiveram janelas e para-brisas danificados, segundo a concessionária. A Empresa informou que praticamente todos as linhas serão prejudicadas e que o serviço estará normalizado conforme os reparos nos ônibus forem concluídos”.

Diversos jovens que participaram dos protestos também lamentaram os incidentes, enfatizando o caráter pacífico do movimento.

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Veja abaixo imagens minhas e vídeo exclusivo com a situação no Centro de Cubatão após os protestos.

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Um mês

06/06/2013

“Nascer, morrer, renascer e progredir sempre; esta é a lei”. Este é o epitáfio do túmulo de Hippolyte Léon Denizard Rivail, o codificador do Espiritismo, que adotou o nome de Allan Kardec. Os praticantes da doutrina não a classificam como religião, mas uma espécie de filosofia e ciência que trata de um mundo que desperta curiosidade e muitas dúvidas.

Apesar de não ter certeza de nada quando o assunto é o que acontece depois de nossa “passagem”, ultimamente nutro uma forte esperança: que o outro mundo seja de muita luz, paz e acolhimento. Pois meu pai merece muito estar num lugar assim, após uma longa agonia de 47 dias, que culminou com a sua partida há exatamente um mês.

Só agora, depois desses tortuosos 30 dias, consigo escrever algo sobre o homem que me ensinou o caminho da vida, com a sabedoria que só 87 anos de experiência trazem consigo. Um brasileiro nascido em 31 de outubro de 1925, que trabalhou na lavoura e, como muitos, recomeçou a vida deixando o sertão nordestino em busca do novo eldorado que se apresentava: um lugar no sopé da Serra do Mar, onde estava sendo erguido o maior polo industrial do País. E o paraibano de Santa Luzia se tornou, com muito orgulho, cubatense de coração.

Aristides foi um dos trabalhadores que ergueram a imponente Companhia Siderúrgica Paulista. A falta de um diploma universitário nunca o impediu de ler, estudar e querer progredir sempre mais, acumulando certificados na escola da vida. E assim o operário virou eletricista, logo contratado pela Refinaria Presidente Bernardes, onde desempenhou com afinco seu trabalho por mais de 30 anos.

Seu Aristides, que sempre movido pelo anseio de estudar e conhecer começou a se embrenhar pelo Espiritismo, cravou: meu nome seria André Luiz, um dos espíritos mais frequentes na obra de Chico Xavier. Mas o seu lado contestador – suas brigas no meio político são um capítulo à parte – falou mais alto. Com a audácia de discordar do espírito iluminado em algumas posições, mudou de ideia. Homenagearia o codificador da doutrina: e o André Luiz aqui virou Allan Kardec, nome de grande responsabilidade, mas também de muita sorte.

Batalhador, íntegro, brasileiro. O homem humilde conseguiu criar e educar seis filhos e ver crescerem oito netos. O mesmo espírito de luta e perseverança que o fez vencer na vida o fez enfrentar com coragem e fé a agonia de um longo e sofrido tratamento de sérios problemas de saúde.

Já virou lenda na Beneficência Portuguesa de Santos o seo Ari, fênix que por tantas vezes ressurgiu das cinzas nos quase dois meses de internação, impressionando e emocionando médicos e enfermeiros.

Mas Deus quis que essa bela história se encerrasse neste plano. Apenas por aqui, porque algo me diz que ela continua, em outro lugar, bem mais perto d’Ele.

Com saudade, mas acima de tudo com muito orgulho e amor, digo: obrigado por tudo, pai.

Até um dia. Bons debates espirituais aí no Céu.

E mande um abraço para o meu xará.


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