O terceiro escalão

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A política e o poder público brasileiro sofrem com uma terrível síndrome há séculos. Um grupo de agentes que mais atrapalha que ajuda, muitas vezes responsáveis por naufragar projetos elaborados com suor e lágrimas por muito e muito tempo. Estou falando do famigerado terceiro escalão.

Não estou generalizando e falando de toda a classe dos servidores públicos. Quase a sua totalidade (diria 99,5%) é composta de gente trabalhadora e honesta, seja ela concursada ou não. O problema é que uma ínfima parcela é formada por verdadeiros parasitas políticos, seres que se antecipam à vontade do chefe e realizam as mais diversas manobras ou pura panfletagem visando o carinho ou promoção salarial do superior ou responsável por sua indicação.

Cubatão sempre viu muito esse fenômeno. Pessoas que sempre, de um jeito ou de outro, estão nas gestões municipais, sejam elas de direita, centro ou esquerda. Indicados políticos que mesmo locados no subsolo do Paço Municipal agem como se fossem melhores amigos do Chefe do Executivo. E para conseguir um cargo melhor ou, quem sabe, uma chefia, não medem esforços nem escrúpulos.

Muitos fazem papel de ridículo ou impõem essa condição a seus colegas. Outros fazem propaganda aos quatro cantos ou organizam verdadeiras torcidas organizadas em favor do secretário, prefeito ou vereador. O mundo pode estar desabando aos pés do chefe, mas para o “terceiro-escalonado” está tudo às mil maravilhas:

– Ele contratou uma empresa sem licitação? Mas olha como o serviço público melhorou!

– Ele nomeou pessoas de fora? Mas esses abnegados são cubatenses de coração!

– Fulano não deixa roubar na Administração e quem diz isso é porque não conseguiu cargo!

E por aí vai. Sou um pouco radical e defendo que apenas uma pequena porcentagem de servidores sejam nomeados. Claro que um agente público precisa de pessoas de confiança próximo a ele, que poderiam ser apenas os seus secretários e assessores. O resto, que entre pela competência, mostrada por meio de concurso público.

Há quanto tempo não vemos um processo seletivo assim em Cubatão? Já estava na hora de algo nesse sentido começar a ser planejado. Há órgãos inteiros (sejam eles na Prefeitura ou na Câmara) compostos grande parte por indicados políticos. Assim não há Caixa de Previdência que aguente!

Ou as autoridades começam a pensar as nomeações e funções gratificadas ou chegará o dia em que a máquina inchará tanto que entrará em colapso. Infelizmente, esse momento não está muito longe.

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One Response to O terceiro escalão

  1. Parabéns pelo comentário Allan. Estou bem á vontade para escrever, pois sou funcionário comissionado na Câmara. Apesar disto penso como você. O Executivo e Legislativo já tem seus assessores e Secretários como cargos de confiança. Não há necessidade de outras funções nomeadas.A Câmara no início do próximo ano vai realizar concurso público, espero que em breve a prefeitura faça o mesmo.

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