‘Não há motivo para pânico’, diz secretário

31/07/2009

Secretário de Saúde, Vanderjackson Andrade. Foto: Divulgação/PMC

H1N1Em entrevista a este jornalista, o secretário de saúde de Cubatão, Vanderjackson Andrade, explica em detalhes o que é a famigerada gripe suína e garante que o município está preparado para tratar de todos os eventuais casos da nova gripe. Até a tarde desta sexta-feira (31), a Cidade totaliza três casos suspeitos da doença – dois em análise e um já descartado.

ALLAN – Há motivo para a população ficar preocupada com a nova gripe?

VANDERJACKSON – Não há motivo para alarde. A gripe comum foi responsável por 70.142 mortes ou internações em 2008 no Brasil. A gripe suína, até agora, provocou menos de 100 mortes no País. Neste momento, estamos no pico da epidemia, já que o frio é um período mais propenso à proliferação do vírus, que sobrevive melhor em clima menos quente. Neste período do ano, as pessoas costumam deixar suas casas menos arejadas, menos ventiladas, o que ajuda na propagação da gripe. Com o calor, felizmente isso tenderá a cair. Ainda assim, esta gripe tem um índice de mortalidade semelhante à comum, até talvez menos grave. Por que esse alarde todo então? A grande questão é que pela primeira vez a gente tem uma epidemia acompanhada e notificada em tempo real. Qualquer caso já é objeto de debate e repercussão nos meios de comunicação. Com isso, há uma valorização muito grande da realidade, mas não há motivo nenhum para pânico. Os dados mostram que o adoecimento e mesmo as mortes provocadas por essa gripe têm sido iguais ou até menores quando comparadas com a gripe comum. Com a chegada de um clima mais quente a expectativa é a de que diminua a proliferação do vírus e no próximo inverno com certeza haverá uma vacina.

A Cidade está preparada para um possível surto da doença?

A Cidade está absolutamente bem preparada, está muito tranquila a nossa situação. Temos disponível o Tamiflu, que é um medicamento antigripal indicado para todas as gripes, inclusive a nova. Nossas equipes de saúde e de educação estão preparadas e sendo treinadas. Nesta semana estamos treinando os profissionais que atuam nas creches, que ficarão fechadas até o próximo dia 17, de acordo com critérios de prudência do Ministério da Saúde e do Governo do Estado. As unidades de ensino seguirão a medida para evitar aglomerações e fatores de risco para a proliferação da nova gripe. Todas as unidades de saúde foram visitadas e treinadas com materiais de apoio preparados por nós para os profissionais da área e para a população. Estamos desenvolvendo um trabalho junto aos caminhoneiros – já que Cubatão tem uma média de 9 mil caminhões circulando por dia, muitos dos quais vindos de regiões do Mercosul  e do Sul do País com um alto grau de contágio pela nova gripe. Cada caminhão vem com até dois passageiros, o que dá cerca de 15 mil pessoas circulando pela Cidade por dia. Estamos com equipes distribuindo materiais informativos e conversando com os caminhoneiros, que estão contribuindo muito bem. Temos equipes nos três pronto-socorros municipais preparadas para atender à população. No hospital Dr. Luiz Camargo da Fonseca e Silva temos seis leitos disponíveis (quatro para adultos e dois para crianças) para eventuais internações e casos suspeitos que necessitem de isolamento. Para casos mais graves, temos leitos na UTI à disposição. A Cidade está muito bem preparada. Nós sabíamos que essa gripe iria chegar, por isso nos preparamos.

Quais os cuidados que a população deve tomar e que situações deve evitar?

A prevenção é o mais importante neste caso. Basta tomar as medidas de higiene fundamentais, como lavar as mãos pelo menos dez vezes por dia e procurar não tocar muito no rosto, especialmente o nariz, boca e olhos. Se estiver com algum mal estar comum da gripe, ficar em casa e evitar sair e manter contato com outras pessoas. A casa deve estar a mais arejada e limpa possível, porque basicamente são as gotículas de saliva que levam a gripe e que provocam o contágio. Essas gotículas acabam saindo durante a fala, no espirro e na tosse, portanto nessas situações procurar colocar um lenço na frente da boca. O vírus sobrevive no meio ambiente e alguém pode passá-los a objetos, como maçanetas e mesas. Por isso que se deve lavar bem as mãos e várias vezes por dia.

Um dos símbolos dessa pandemia são as máscaras cirúrgicas. Quando o seu uso é indicado?

A máscara deve ser usada somente em algumas situações. Se a pessoa com sintomas de gripe estiver sozinha, é desnecessário, nem mesmo se estiver ao ar livre, desde que não tenha pessoas muito próximas dela. Se houver alguém próximo dessa pessoa cerca de 1 metro, neste caso é indicado ao doente o uso da máscara. Quem não tem nenhum sintoma de gripe não deve usar máscara. Em ambiente hospitalar, a orientação é que qualquer pessoa que chegue com sintomas de gripe deve receber a máscara. Essas pessoas ficarão assim até serem atendidas e deixadas mais de 1 metro distantes dos outros pacientes, não necessariamente em outras salas. Quanto aos funcionários, só usarão máscaras aqueles que mantiverem contato próximo com os pacientes.

Quando deve-se procurar um serviço de saúde?

Nesse momento, qualquer sintoma de gripe já é o suficiente para procurar uma unidade de saúde mais próxima. Qualquer hospital está capacitado para atender à população. Se o caso não precisar de maiores cuidados, o paciente será medicado e voltará para casa. Essa gripe tem um período de incubação de 5 a 7 dias, o mesmo que uma gripe comum, podendo chegar a 10 dias. Nesse tempo, é preciso guardar repouso e a família precisa acompanhar esse período de resguardo, pois muitos infectados não apresentam sintomas, mas também transmitem a doença. É importante evitar a automedicação e buscar o apoio das unidades de saúde. Ressalto que não há motivo para pânico, pois essa gripe é semelhante à comum e merece a mesma atenção e cuidado.

Existem grupos de risco mais vulneráveis à doença?

Com certeza. As pessoas que estão tendo sintomas mais graves são as que já têm problemas de saúde, como doenças respiratórias (asma, bronquite e tuberculose), fumantes, cardíacos, obesos mórbidos, gestantes e pacientes com problemas na imunidade do corpo (como portadores de Aids, em tratamento de câncer, ou qualquer tratamento cujos medicamentos reduzam a resistência).

Qual a diferença entre as gripes e um simples resfriado?

A gripe é causada só pelo vírus influenza, que tem vários tipos que sofrem muitas mutações. Um deles predomina a cada ano. Existem observatórios internacionais de gripe, que recolhem amostras do mundo inteiro e anualmente fazem uma vacina dos tipos de vírus predominantes. Por isso que a vacinação contra a gripe deve ser anual. No caso do H1N1, o vírus foi uma mutação a partir de um que só acometia os porcos, mas que por essa mudança genética passou a infectar os humanos. A boa notícia é que quem tem uma determinada gripe está imune a ela. Ou seja, quem teve gripe suína não será mais acometida por ela, pois criou resistência a esse tipo de influenza. Já o resfriado que é causado por vários tipos de vírus. Os sintomas são parecidos, mas são mais fracos em relação à gripe. É uma pandemia esperada, mas que a sua gravidade é bem menor do que esperavam os cientistas. Não há motivo para preocupações, é que esta é a primeira vez em que acompanhamos em tempo real uma pandemia e todo caso ganha repercussão na mídia. Temos sim que tomar todos os cuidados como tomaríamos com qualquer gripe comum, que deve ser tratada e acompanhada por um médico.

Anúncios

H1N1: estamos preparados?

27/07/2009

Montagem: Allan Nóbrega

No último final de semana, os cubatenses e a Baixada Santista ficaram em alerta. Um possível caso de morte por Influenza H1N1 (a famigerada gripe suína) envolvendo um estudante de medicina que nasceu na Cidade deixou a todos preocupados. Estamos preparados para uma eventual epidemia da doença em Cubatão?

Infelizmente, acredito que não. Se depender do que vi e passei no início da semana passada no Pronto Socorro Central, é melhor botar as barbas de molho e caprichar na vitamina C.

No domingo (19), comecei a passar mal após chegar em casa. Havia passado o dia fora e já estava gripado, mas acabei tomando chuva e comecei a ter febre forte. Na segunda de manhã, procurei o Pronto Socorro Central para passar pelo médico. Afinal, todo cuidado é pouco e, além da febre, estava sentindo dores nas articulações, um dos sintomas da gripe suína.

A entrada do centro de saúde é uma maravilha. Cadeiras confortáveis, café, água e uma bela TV de plasma (que deve ter custado uma fortuna) à nossa disposição. Tudo isso até o preenchimento da ficha de chegada.

Após esse procedimento, e relatando os sintomas que apresentava, fui encaminhado para a parte interna do PS, junto com os outros pacientes. Era um festival de tosses e espirros, em meio a pessoas que procuravam a unidade à procura de outros tratamentos, como curativos e atendimentos pediátricos. Ou seja, um festival de troca de bactérias e vírus. Que saudade da sala com TV de plasma…

Após 40 minutos de espera, fui atendido por um médico que se olhou 5 segundos para mim foi muito. Apenas perguntou o que sentia e leu a medição da minha pressão, feita por uma enfermeira. Mesmo contando os sintomas, ele apenas olhou minha garganta, indicou uns comprimidos e xaropes e pronto. Tempo total de atendimento: 2 minutos. Ah, a consulta foi feita com as portas abertas, com outros pacientes em pé, na fila observando o meu relato. Não pude deixar de observar que em cima da mesa do médico, havia um folheto disponibilizado pela Prefeitura com todos os sintomas e como agir em casos suspeitos de gripe suína, material solenemente ignorado pelo profissional de saúde.

Uma semana depois, estou melhorando. Quando já me sinto aliviado, leio que o velório do jovem com caso suspeito de gripe suína foi feito em uma sociedade de melhoramentos e os parentes que mantiveram contato com a vitima não foram isolados, mesmo com todas as recomendações do Ministério da Saúde para tal situação.

Como em todo velório, fontes que estiveram no local me contaram que, obviamente, não faltaram abraços e conversas com os familiares, inclusive por parte da prefeita, presente ao local. A justificativa de tal procedimento, por parte do secretário de saúde: “as circustâncias para a família são dolorosas e os parentes estariam impedidos de acompanhar o velório e o sepultamento do rapaz”. Doloroso será tratar de tantos infectados, pois foram propiciadas todas as condições para uma epidemia da gripe A na Cidade.

Se isso acontecer, do jeito que vi o atendimento no Pronto Socorro Central, é bom começar a rezar.


Gestão Transparente: os bastidores

20/07/2009

Na última sexta-feira, a Prefeitura de Cubatão realizou na UME Luiz Pieruzzi o 3º Ato de Gestão Transparente, cujo objetivo era fazer um balanço das atividades da Administração e promover um intercâmbio entre os gestores e a população.

Se você quiser acompanhar a versão oficial, clique neste link. Agora, se você quer saber apenas o que não foi mostrado, continue a ler esse post.

Para começar, não vi muita participação popular, infelizmente. Até para encher o espaço, até o mais ingênuo pôde notar uma presença maciça de pessoas com crachás da PMC (muitos tentando os esconder, sem sucesso), parentes de autoridades e de funcionários públicos.

No momento da apresentação do secretariado (pela terceira vez nos últimos seis meses), a prefeita Marcia Rosa meio que tentava justificar o “sangue cubatense” de cada secretário, exceção feita ao chefe da Agove, Fernando Alberto, apenas apresentado como o que “organizou todo o evento”. Chamou a atenção a ausência do vice-prefeito Arlindo Fagundes, cuja relação com a chefe do Executivo já foi bem melhor.

Após a apresentação formal e dos discursos dos secretários, que disseram muito e pouco informaram – com especial menção ao chefe de gabinete Gérson Rozo, que fez às vezes de vice-prefeito e chegou a falar mais que a Prefeita – o mestre de cerimônias do evento, trajado com um terno e gravata pretos, ofuscados por uma camisa mais vermelha que a estrela do PT, anunciou a exibição de um vídeo com as realizações da Administração.

Feito pelos mesmos produtores do horário político da candidata Marcia Rosa em 2008, o vídeo deu várias cutucadas na última administração, condenada por todos os problemas cubatenses. Munícipes bem maquiados contaram as maravilhas da gestão atual, especialmente no transporte. Ao final, podia-se ter certeza de que a Suíça é aqui!

Merece destaque a presença dos vereadores situacionistas Dédinho e Dinho, que tiveram inclusive direito à discurso, em um evento que era do Poder Executivo. Dinho estava, aliás, muito à vontade. Tentou animar a plateia e até ensaiou passinhos de dança com a secretária de Cultura Marilda Canelas durante a apresentação das bandas musicais.

Sim, houve apresentações artísticas em uma prestação de contas. Aliás, a parte musical foi a predominante. Duas horas de música para uma de trabalhos realmente ditos.

Em um evento que não contou com nenhum órgão de imprensa presente, não faltaram frases de efeito da Prefeita. Fazendo referência às denúncias do vereador Geraldo Guedes de irregularidades na contratação da empresa responsável pela realização do casamento comunitário, Marcia Rosa não poupou palavras. “Apostei neste evento e não me arrependo. Se forem me cassar por causa disso, que cassem!”.

O público também tinha como opções acompanhar os standes das secretarias e órgãos públicos, sem nenhuma novidade em relação ao evento anterior. Muitos, inclusive, ofereciam panfletos e materiais de apoio confeccionados pela gestão do famigerado Clermont Castor.

Mas a alegria ficou por conta da CMT, que multou à vontade os carros estacionados em volta da escola e ignorou os ônibus e veículos públicos estacionados em cima da calçada em frente à unidade de ensino, forçando os munícipes a andar na rua, desviando das bicicletas e automóveis.

Mesmo assim, outros atos de gestão transparente virão. Que nossas autoridades tenham coisas boas para mostrar, além do gingado na hora de dançar e da qualidade de nossas bandas musicais.


O Rei em Cubatão

13/07/2009

foto: Allan Nóbrega

Nesta segunda-feira, 13 de junho, o Centro Esportivo Castelo Branco recebeu uma de suas mais nobres visitas. Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, esteve em Cubatão em um evento promovido pela Viação São Bento, empresa concessionária da Prefeitura que atua no transporte escolar municipal.

Nenhum projeto para a Cidade foi anunciado, apenas uma palestra onde o Rei do Futebol contou um pouco de sua experiência de vida para os jovens cubatenses participantes de projetos esportivos. A participação poderia ser maior, mas como estamos em período de férias escolares nenhuma escola municipal esteve presente ao evento. Com isso, um dos lados do Castelão ficou vazio durante a visita do Atleta do Século, enquanto a outra parte estava pouco mais da metade preenchida de espectadores.

A solenidade estava marcada para as 15 horas, mas como é normal neste tipo de evento, a cerimônia começou cerca de 35 minutos atrasada. Após a apresentação de grupos de dança, Pelé chegou ao local ao lado da prefeita Marcia Rosa e cercado por uma multidão de jornalistas e curiosos, iluminado por uma constelação de flashes das máquinas fotográficas.

Pelé falou por cerca de 10 minutos e logo depois assinou camisas do Santos Futebol Clube e bolas de futebol, que serão doadas ao Fundo Social de Solidariedade. Ele também recebeu da Prefeita uma placa de agradecimento.

Pelé e Marcia Rosa tentam imitar a pose da estátua. Foto: Allan NóbregaEm seguida, Pelé participou da inauguração de uma estátua em sua homenagem. Poucos minutos antes da chegada de Edson Arantes do Nascimento, funcionários da Prefeitura ainda pintavam o local que cercava o monumento, que não estava fixado na base de concreto que o sustentava. Um patrulheiro do Camp precisou ficar segurando o equipamento enquanto Pelé posava a seu lado, para evitar a sua queda, o que quase aconteceu mais de uma vez. A estátua mostra Pelé dominando a bola com o uniforme da Seleção Brasileira de Futebol. A camisa contém um erro histórico. O emblema da camisa mostra a sigla CBF, da Confederação Brasileira de Futebol, que só foi criada anos após a aposentadoria do Rei do Futebol da equipe canarinha.

Multidão de jornalistas durante coletiva. Foto: Allan NóbregaLogo após a inauguração, o maior jogador de futebol de todos os tempos concedeu uma entrevista coletiva bastante tumultuada na sede da Secretaria de Esportes e Lazer. O pequeno espaço destinado quase não foi suficiente para os dezenas de profissionais de imprensa presentes.

O motivo do evento foi citado apenas nos primeiros minutos. O maior interesse dos jornalistas foi a opinião de Pelé sobre o Santos Futebol Clube, que havia sofrido na véspera uma derrota vexatória de 6×2 para o Vitória da Bahia pelo Campeonato Brasileiro, o que provocou a demissão do técnico Vagner Mancini.

Pelé pede silêncio das crianças que espiavam a coletiva pela janela. Foto: Allan NóbregaEdson defendeu o ex-treinador do alvinegro da Vila e criticou levemente a imprensa, que na visão dele não ressalta as conquistas dos times, focando apenas os maus momentos. O Rei do futebol também concedeu elogios ao técnico da Seleção, Dunga, ressaltando a série de conquistas do treinador. Algumas crianças que participaram do evento escalaram as paredes da secretaria e espiavam a entrevista pelas janelas.

A saída do Rei deu bastante trabalho aos organizadores do evento. Funcionários da Semes tentavam tirar fotos e pedir autógrafos, tarefa inglória para a maioria. Nem mesmo o corinthiano vereador Adeildo Heliodoro, o Dinho, conseguiu a assinatura de Pelé nas duas camisetas do Santos que levava a tiracolo.

O carro que levaria Pelé de volta a Santos precisou entrar no Castelão e sair pelos fundos, dado o grande número de crianças à espera de um tchau do maior nome do esporte brasileiro, que solícito, o fez ao deixar o Centro Esportivo, em uma tarde que muitas dessas crianças jamais vão esquecer.

Assista abaixo a entrevista coletiva de Pelé:


Teatro volta às mãos da PMC

08/07/2009

Foto: Allan Nóbrega

A verdadeira tragédia grega que envolve a construção do Teatro Municipal de Cubatão ganhou mais uma reviravolta na tarde de ontem, quando a prefeita Marcia Rosa assinou a rescisão contratual da Prefeitura com a ONG Tudo Pela Cultura (Tupec). Com isso, a responsabilidade pelo teatro sai das mãos da entidade e volta para a Administração Municipal, após três anos de um contrato malfadado.

A Prefeita assinou a rescisão após fazer uma vistoria técnica ao prédio, onde constatou diversos problemas de infra-estrutura, agravados por seguidas invasões e saqueamentos por vândalos. Acompanharam a Chefe do Executivo os secretários de Obras, Wagner Moura, de Cultura e Turismo, Marilda Canelas, e de Negócios Jurídicos, José Eduardo Limonge, além de técnicos da PMC, o chefe de gabinete Gerson Roso e os vereadores Paulo Tito e Dinho (ambos do PT), que participam de comissão especial de vereadores na Câmara que trata do Teatro Municipal.

De acordo com Marcia Rosa, embora a responsabilidade pelos serviços fosse da Tupec, cabia à Prefeitura a fiscalização do andamento das obras. Após diversas denúncias de irregularidades na gestão do Teatro, a PMC enviou um ofício no início do mês passado pedindo explicações à ONG, que até hoje não respondeu.

A Prefeitura passou então a recolher diversos documentos que comprovassem o não-cumprimento das obrigações legais da entidade, como a falta de pagamento de contas de luz e água, para efetivar a rescisão contratual. O próximo passo agora, segundo a Prefeita, é ao menos recuperar a estrutura que já estava pronta antes dos problemas. “Precisamos recuperar neste momento pelo menos a iluminação, afinal um prédio deste tamanho às escuras à noite representa um sério perigo para quem passa pela região”.

Foto: Allan NóbregaEm um determinado momento da vistoria, talvez levada pela emoção ou pela indignação, a prefeita Marcia Rosa disse, em tom de desabafo, que a melhor solução era demolir tudo e recomeçar do zero.

Sinceramente, ela tem até razão. Vamos pensar um pouco: Cubatão é uma cidade relativamente pequena, com uma população de pouco mais de 100 mil pessoas e cerca de 140 Km². O projeto faraônico do Teatro parece que foi planejado para a Broadway ou algo parecido.

Isso sem falar que um teatro ser construído em uma área em que há três centros de saúde é, no mínimo, falta de bom senso. Ou alguém duvida do incômodo que um musical, por exemplo, poderia provocar nos pacientes do Pronto Socorro Central?

Infelizmente, o teatro já começou fadado ao fracasso. Mas como o estrago já foi feito, que pelo menos este elefante branco funcione a serviço da cultura cubatense. Desde que haja uma preocupação com o isolamento acústico, o prédio poderia ser a realização de um dos sonhos de Afonso Schmidt, como um verdadeiro polo de criação artística.

Imaginem um lugar onde a Banda Sinfônica poderia ensaiar, o corpo de baile tivesse um palco para trabalhar, os grupos de teatro fossem contemplados com seus espaços de estudos, as crianças da Cidade tivessem um local onde pudessem aprender atividades artísticas. Tudo isso é possível no Teatro Municipal de Cubatão, basta um administrador competente e a ajuda de todos os setores da sociedade, além – é claro – de uma punição exemplar aos que deixaram a situação chegar ao caos de hoje.

Acredito que esse seja um dos maiores desafios da Administração atual. Tomar para si a responsabilidade de viabilizar o Teatro exigirá um esforço de todos os setores do poder público. Estaremos de olho, torcendo para que essa interminável novela esteja chegando ao seu final.

Acompanhe a cobertura deste blog sobre o caso:

09/06 – Proteste Já: assista aqui

27/05 – Este é o Teatro Municipal

21/05 – Exclusivo: Teatro Municipal será tema do CQC

13/04 – Teatro Municipal é depredado

20/03 – Exclusivo: Bandidos furtam objetos do Teatro Municipal

09/02 – Putz Grill!


Entrevista: Bruno Covas

04/07/2009

EXCLUSIVO – Eleito deputado estadual em 2006 com 122.312 votos, o santista Bruno Covas, 28 anos, é neto do ex-governador de São Paulo Mario Covas, seu maior inspirador na política.

Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP), economista pela PUC-SP, e ainda, mestrando em Administração Pública e Governo, com foco em Finanças, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Covas concedeu a mim uma entrevista durante solenidade na Associação Comercial de Cubatão.

Na conversa, abordamos o orçamento estadual para o ano que vem, a frente parlamentar que visa o retorno à Cubatão de um campus da Escola Politécnica da USP (Poli-USP), as eleições de 2010 e a situação dos bairros-Cota, entre outros assuntos. Esta entrevista também está na edição desta semana do Jornal da Cidade e, em breve, o áudio desta entrevista irá ao ar no programa Radar Legislativo, da Rádio Cacique.

Allan Nóbrega – Como presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembleia, o Sr. teve uma grande responsabilidade, ao assumir a relatoria do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias do Estado (LDO). Qual o balanço que o senhor faz das emendas propostas, em especial aquelas que beneficiam a Baixada Santista?

Bruno Covas – Recentemente, fui designado relator da LDO, que é uma lei prevista na Constituição de forma a ajudar o Estado a planejar o que vai fazer no ano seguinte. O projeto recebeu quase 2 mil emendas. Apresentei um parecer que acolheu 450 delas. Mudamos alguns aspectos do projeto como o que dá a garantia de que o Estado vai aportar recursos para o plano de saúde dos servidores estaduais. Alteramos 33 metas do Estado, como, por exemplo, o número de escolas abertas aos finais de semanas e a criação de mais unidades do Poupatempo. Na saúde, aumentamos os convênios com as santas casas, inclusive honrando um compromisso de todos os deputados da região para apresentar emendas destinando recursos para a compra de equipamentos para a Santa Casa de Santos, que atende a pacientes de toda a Baixada.

AA Comissão de Finanças da Assembleia está promovendo audiências públicas nas regiões administrativas do Estado para discutir o orçamento do ano que vem. Como têm sido os trabalhos até agora? A população tem participado? Quando acontecerá a reunião na Baixada?

BC – Até o ano passado, as audiências que a Assembleia promovia eram realizadas depois da aprovação do orçamento. Agora, antecipamos a realização dessas reuniões para este mês que passou e agosto, para que quando o orçamento chegar aos deputados em 30 de setembro, a gente possa apresentar as emendas pedidas pela população. No início de agosto, faremos a audiência na Baixada e ouviremos os anseios das nove cidades da Região. Infelizmente, a participação popular é baixa. As pessoas precisam perceber que estas audiências definem investimentos em saúde, educação, habitação, enfim, influenciam o seu cotidiano. O orçamento tem suas limitações, por isso não adianta a gente querer colocar muitas obras e investimentos, mas sempre dá para alterar uma coisa ou outra, tendo em vista os pedidos da sociedade. Democracia não é só o ato de votar a cada dois anos, mas também é cobrar e fiscalizar a atuação dos políticos.

A Com tantos escândalos envolvendo os políticos, especialmente em Brasília, um pouco dessa carga negativa acaba sobrando para os deputados estaduais? Na visão do Sr. a população tem cumprido a sua obrigação de fiscalizar e acompanhar os políticos que elegeu?

BC – É difícil definir o que é causa ou consequência da corrupção na política. Sem sobra de dúvida os escândalos em Brasília nos afetam também. Quando estourou o escândalo das passagens, pessoas me procuraram para saber se levo a família para viajar de graça também, sendo que os deputados estaduais não têm esse tipo de benefício. O importante é lembrar que o político não é sorteado para o cargo. A população é que o conduz ao poder. Se a gente não anotar quem se envolve em escândalos, certamente eles serão reconduzidos na próxima eleição. Não basta a imprensa mostrar quem é quem se as pessoas não ficarem atentas a isso.

A O Sr. é relator do projeto de lei que proíbe a prática do nepotismo (a contratação de parentes por políticos) no Poder Legislativo Estadual. Há muito desta prática na Assembleia?

BC – O deputado estadual Pedro Tobias, do PSDB, apresentou este projeto na Assembleia, mas me procurou para ser o relator da proposta, pois nenhum deputado tinha a coragem de fazer isso. Essa ideia ficou arquivada por cinco anos. Aceitei a relatoria e incluí uma emenda que também proíbe o nepotismo cruzado (a nomeação de parentes de um deputado para trabalharem para outro parlamentar). Entendo a necessidade de você governar com pessoas de sua confiança, mas não é possível que você só confie e trabalhe com seus familiares. O projeto ainda não foi aprovado, mas estou lutando para incluí-lo novamente nas discussões.

A – Vamos falar um pouco do Programa Serra do Mar, de remoção de famílias que moram em áreas de risco na região das Cotas. Muitos moradores reclamam da forma que o Governo do Estado tem lidado com esse assunto tão delicado. Qual é a sua visão sobre essas críticas?

BC – Eu acho que o principal problema, que atrasou todo o processo, foi a morte do Rubens Lara (ex-interlocutor do Governo do Estado com os moradores, falecido no ano passado). Não existia um político mais dedicado a este tema que ele, mas pela comparação aparentemente há algum tipo de descaso, o que não está acontecendo. Pelo contrário, o governador José Serra colocou este assunto como prioritário. Quando assumiu, ele deu como exemplos de seu governo duas ações: os programas de saneamento da Baixada Santista e o de recuperação da Serra do Mar. Recentemente, tivemos a assinatura do primeiro documento do conjunto habitacional Rubens Lara, com 1.800 moradias. A gente entende a ansiedade das pessoas, afinal todos querem o seu teto, mas o Governo do Estado tem trabalhado com seriedade e a ideia é resolver uma questão crucial que envolve meio ambiente, habitação e qualidade de vida.

A – Como membro da comissão de assuntos metropolitanos da Assembleia, o Sr. acha que as cidades da Baixada trabalham pensando de forma metropolitana?

BC – Acho que cada vez mais o foco metropolitano é maior. A Agenda 21 de Cubatão é um exemplo, pois tem um amplo enfoque regional. Os prefeitos têm adquirido esta consciência com o tempo, afinal o cidadão da Baixada mora em uma cidade, trabalha em outra, estuda em mais uma e assim por diante. Claro que ainda há os que olham para o próprio umbigo e fazem um jogo de vaidades, dizendo que tal cidade recebe mais investimentos, mas a nova safra de prefeitos possui uma visão metropolitana maior que a anterior e essa consciência tem aumentado na Região.

AO Sr. faz parte da Frente Parlamentar pró-campus de Cubatão da Poli-USP. Como estão os trabalhos?

BC – Na última reunião da frente parlamentar com a comissão de vereadores que cuida do tema, decidimos que aguardaríamos a Prefeitura enviar o projeto criando a fundação que irá gerir os recursos da Poli-USP. A partir daí, marcaremos uma reunião com a Reitoria da Universidade, que é uma peça fundamental nesse processo, tendo em vista a autonomia universitária. Se o conselho da reitoria da USP não for favorável, o campus não vai sair nunca, mesmo com todas as verbas do mundo. Também levamos essa luta para a Agem (Agência Metropolitana da Baixada Santista), para que os todos os prefeitos da Baixada participem deste processo. Quanto mais setores da sociedade forem envolvidos, mais rápido este grande sonho de Cubatão se tornará realidade.

A – Pensando no ano que vem, o Sr. pretende tentar a reeleição ou a Câmara dos Deputados? E para o Palácio do Planalto, qual é a sua opção: Serra ou Aécio?

BC – Acho que o governador José Serra reúne todas as condições para ser o candidato do PSDB. Ele se preparou para este objetivo, passando por todos os cargos eletivos possíveis da democracia brasileira. Assim como, em 2006, entendia que o momento era do Geraldo Alckmin, tenho certeza que chegou a hora do governador José Serra chegar à Presidência, embora lamento que o presidente Lula tenha antecipado o calendário eleitoral, lançando a sua candidata antes da hora. Quanto à mim, a intenção é prosseguir na Assembleia Legislativa, mas o momento de definição só será no ano que vem e muita coisa pode acontecer.


%d blogueiros gostam disto: