Geraldo x Dinho – parte 2

24/06/2009

Semana passada, falei da crescente rivalidade entre os vereadores Geraldo Guedes (PR) e Dinho (PT). Foi um dos posts mais polêmicos deste blog, com repercussões até dentro do Bloco Executivo do Paço Municipal. Ontem, tivemos mais um capítulo desta saga.

Geraldo mais uma vez acusou a atual administração de perseguir funcionários que procuram os vereadores do bloco de oposição, além de denunciar que a empresa vencedora da licitação para a entrega de kits escolares não irá cumprir o contrato, alegando falta de estrutura.

Foi o bastante para outra troca de ásperas palavras, que o nobre leitor não precisa ouvir novamente. Mas, ao final, os dois garantem: são só discordâncias políticas, nada mais!

Abaixo está a prova do que eles falam (ou não?):

Geraldo e Dinho: no plenário, disputa. Fora, respeito. (foto: Allan Nóbrega)

Geraldo e Dinho: no plenário, disputa. Fora, respeito. (foto: Allan Nóbrega)

Anúncios

A culpa é nossa

23/06/2009

Deixo de lado a política cubatense para tratar um pouco da minha profissão. Na última semana, o Supremo Tribunal Federal decidiu por oito votos a um pela não-obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. Esperei a poeira baixar para comentar sobre a decisão de nossos renomáveis magistrados.

Em primeiro lugar, muita gente se manifestou mas poucos o fizeram com propriedade e conhecimento de causa. Só quem vive dentro do jornalismo ou ao menos acompanha o fazer jornalístico pode ter alguma noção das implicações desta decisão para a nossa classe.

Pessoalmente, acredito que realmente o bom jornalista não precisa de um diploma na parede para demonstrar a sua competência, que deve ser verificada na acurácia da apuração das informações, no bom texto, na qualidade de suas fontes. Mas defendo que ninguém sai o mesmo após fazer uma faculdade de jornalismo. Lá, não se aprende apenas o linguajar da área ou como escrever uma matéria. É preciso estudar psicologia, cultura, antropologia, teoria da comunicação, informática, fotografia, entre outras disciplinas. Ao final de quatro anos, garanto que se adquire uma visão de mundo imprenscindível para quem quer ser jornalista.

Mas mesmo assim, vejo colegas batendo cabeça, muitos sem posição definida sobre este assunto. Uns revoltados com Gilmar Mendes e seus blue caps, outros defendendo com unhas e dentes a decisão dos magistrados. Em menos de um ano, a Lei de Imprensa foi pro saco e agora é extinta a única regulamentação legal da profissão. Por isso eu digo: os maiores culpados pela bagunça que é a profissão somos nós mesmos, os jornalistas.

Sim, nós que aceitamos trabalhar ganhando uma mixaria e sem carteira assinada. Nós que aceitamos arcar com nossos próprios direitos trabalhistas aceitando empregos sob o regime de pessoa jurídica. Nós que aceitamos fazer três laudas de entrevista com o maior anunciante do jornal, enquanto as verdadeiras notícias brigam por duas ou três colunas da última página. Nós que não temos um órgão verdadeiramente representativo da categoria, que se divide entre Fenaj, ABI, SJSP… PQP!

Enquanto nós, jornalistas que realmente amamos nossa profissão e matamos vários leões por dia em busca da manchete desconhecida, não tomarmos vergonha na cara e lutarmos de verdade pela dignidade da profissão, continuaremos sendo motivo de chacota da opinião pública e moeda de troca do poder econômico deste País.

Jornalistas, paremos as máquinas do conformismo, antes que elas nos parem!


Papo rápido com Marcia Rosa

17/06/2009

EXCLUSIVO – Durante a solenidade de assinatura do do projeto Integrar Arte e Vida, na última segunda-feira, fiz uma pequena entrevista com a Prefeita Márcia Rosa no Bloco Cultural. Foi uma rápida conversa de cinco minutos, onde abordamos a responsabilidade social das indústrias, economia e os seis primeiros meses de governo.

Confira abaixo a entrevista na íntegra, com algumas observações minhas.

ALLAN – A senhora participou da inauguração do projeto Integrar Arte e Vida, que oferece atividades culturais e esportivas para crianças da rede de ensino, mantido por empresas privadas. Projetos como esse mostram a importância da parceria com o setor privado. As empresas têm mantido projetos sociais, visando a responsabilidade social. Na visão da senhora, as empresas de Cubatão têm percebido a importância de ajudar o desenvolvimento da comunidade?

MARCIA ROSA – É exatamente isto (neste momento, o representante do Comitê Olímpico Brasileiro interrompe a conversa e despede-se da Prefeita, confidenciando a ela que irá trazer projetos do COB à Secretaria de Esportes). O que eu percebo hoje é que os empresários, as indústrias, reconhecem a necessidade de investir socialmente nesta cidade, que produz riquezas para o mundo inteiro, sobretudo para o Brasil. Esta nova mentalidade do empresariado é muito importante para nós. Neste início, o Carrefour, a Petrobras, a Comgás, estão empenhadas e eu tenho certeza que muito mais empresas virão e farão com que esse projeto possa abarcar as 20 mil crianças da rede municipal de ensino.

AQual o balanço que a senhora faz sobre estes seis primeiros meses de administração e o que espera dos próximos seis meses?

MR – É um desafio, são muitos problemas, mas a Cidade tem muito potencial, é um município que tem uma importância estratégica para a Nação Brasileira e nós queremos, a cada dia, descortinar Cubatão, mostrar a beleza desta cidade do ponto de vista natural, do ponto de vista histórico, com a parceria das indústrias de base. Por meio desta parceria, vamos enfrentar este momento de dificuldade, este momento de crise. Tenho a impressão, se não estiver errada, que Cubatão é a cidade no Brasil que teve o maior impacto com a crise da macroeconomia, até porque é a única cidade do País que tem uma siderúrgica e uma refinaria. Como caiu o preço do barril de petróleo e houve problemas na questão do aço, tudo isso impactou diretamente o emprego, impactou o orçamento do Município, reduziu significativamente a receita do nosso município, coisa jamais vista nos 60 anos de Cubatão. Portanto, é um momento atípico da nossa história, mas também é um momento de esperança, de ajustes, de moldar a casa para que quando esta crise passar, pois eu tenho certeza de que ela vai, a máquina esteja mais ajustada e cada um mais preparado para que esta Cidade emerja como um grande município com este grande potencial que nós temos.

AComo a senhora avalia a atuação do Poder Legislativo? Percebe-se dois blocos bem distintos: situação e oposição…

MR – Tenho percebido que o Legislativo tem buscado uma harmonia maior nas relações entre os vereadores. Sempre respeitei a independência dos poderes, tenho uma boa relação com os parlamentares da Cidade. Cada um deles foi eleito para trabalhar pela Cidade, pelo nosso povo. E como o Executivo trabalha para mudar a cidade, trabalha com muito amor, com muito carinho, com dedicação, seriedade e compromisso, o Legislativo tem reconhecido isso e tem caminhado conosco.

AA visão da senhora sobre dois episódios envolvendo a Câmara: a volta do Dinho ao Legislativo e a ida do Tucla para o bloco de apoio ao Governo.

MR – A volta do Dinho já era um acordo. Ele se candidatou como vereador e, quando assumiu a Secretaria de Finanças, assumiu somente por 100 dias de governo. Quando esse prazo foi cumprido, ele me disse que voltaria para o mandato, afinal ele pediu votos para vereador e foi o segundo mais votado. Claro que ele faz falta, pois foi extremamente eficiente, sobretudo neste momento de crise, sua competência ficou registrada, né? E ele volta para a Câmara. Sabemos que ele é um grande articulador e um grande vereador, portanto ele dá muita qualidade ao Poder Legislativo. O Tucla é uma grande liderança no Legislativo municipal, está no PDT, que é um partido que sempre lutou por uma bandeira social e para nós é muito gratificante ter o Tucla, que representa o PDT, mas sobretudo a pessoa do Tucla como liderança junto ao nosso governo, um projeto que nós temos de Cidade, não um projeto pessoal.

A A senhora ainda está analisando o projeto que cria o Conselho Municipal de Combate à Corrupção, de sua autoria, que foi vetado pela Câmara em abril?

MR – Como não foi possível sancioná-lo, até porque as emendas deturparam significativamente o projeto, ele vai ser reenviado oportunamente à Câmara. Isto será precedido de uma discussão maior com o Legislativo para que a gente possa desta vez aprová-lo – e por que não? – por unanimidade.

ADurante a visita do presidente Lula à Cubatão, foi possível conversar sobre investimentos do Governo Federal na Cidade?

MR – Deu. Eu tenho uma relação muito boa com o Governo Federal. Temos estreitado as relações com Brasília, com todos os ministros. O Governo Lula não trata o município por ser administrado ou não pelo PT, mas claro que ele tem um carinho especial por Cubatão, afinal foi o segundo diretório do partido no País. Inclusive, no dia em que ele veio aqui, nós lembramos dos tempos em que era uma utopia sonhar em eleger um presidente operário. A gente sentava na Praça Princesa Isabel e pensava nisso como um sonho difícil de se realizar, mas que hoje conseguimos tornar realidade. O Presidente Lula ensinou para o Brasil que a utopia vale a pena, que sonhar vale a pena. Ele deixa mais que um Brasil organizado, deixa a força e a capacidade na sua luta, nos seus sonhos e naquilo em que acredita. Ele representa essa simbologia para todos nós. Para mim, foi muito emocionante estar do lado do Presidente da República como prefeita da minha cidade, uma coisa que sonhava há mais de 20 anos e nunca imaginei que fosse realizado desta forma.

(Neste momento a chefe do Executivo precisou sair para despedir-se da Prefeita do Guarujá, Maria Antonieta de Brito, que também participou do evento)


Geraldo x Dinho

14/06/2009

dinhoxgeraldo

Uma nova rivalidade vem tomando forma no cenário político cubatense. Têm se intensificado as discussões entre os vereadores Geraldo Guedes (PR) e Dinho (PT), ícones dos blocos de oposição e de situação à prefeita Marcia Rosa.

O ápice da discussão foi a declaração de Dinho que a atual administração economizou R$ 800 mil na compra de kits escolares para os alunos da rede municipal. Geraldo rebateu os dados com documentos da própria secretaria de Educação, dizendo que o valor economizado não chega a pouco mais de R$ 100 mil, e com a ressalva da compra ser em menor quantidade e em um contexto econômico diferente. Foi o bastante para acusações entre os dois edis, o que deixou Geraldo bastante irritado nos bastidores da Câmara.

Para conhecer mais detalhadamente o estilo de cada um, ouça abaixo as entrevistas concedidas pelos dois ao programa Radar Legislativo, apresentado pela jornalista Lissandra Martinho e por mim na Rádio Cacique AM 1510.

Cada entrevista tem cerca de 30 minutos, mas vale a pena, pois há declarações muito interessantes de cada um sobre a política cubatense.

Entrevista com Dinho (PT) – concedida em 30/05



Entrevista com Geraldo Guedes (PR) – concedida em 06/06


Proteste Já – assista aqui

09/06/2009

Para quem não teve a oportunidade de assistir ao CQC e ao Proteste Já sobre o Teatro Municipal de Cubatão, anunciado em primeira mão neste blog, acompanhe a matéria do programa da Band abaixo.

Parte 1:

Parte 2:


O nosso professor

05/06/2009

Tomo a liberdade de publicar um artigo que escrevi originalmente para o Jornal da Cidade. No jornalismo, temos a oportunidade de vivenciar muitas coisas, mas algumas vezes passamos por momentos que nos marcam por toda a vida.

Para mim, foi marcante a entrevista com o professor José Fabiano Madeira, o Professor Madeira. Um símbolo de humildade e determinação que merece todas as homenagens possíveis. Abaixo, as minhas reverências a ele.

___________________________________________________________

Professor Madeira

Um doutor na arte da educação

Quem chega à sede da Secretaria de Educação no Paço Municipal e vê um simpático senhor atendendo as pessoas em uma singela salinha próxima à gerência da Secretaria pode não reconhecer, mas está diante de uma referência nacional em educação – José Fabiano Madeira, mas conhecido por todos como Professor Madeira.

Nascido em Nova Lima/MG, em 20 de fevereiro de 1940, sua avó Maria Liberata foi a primeira parteira diplomada da Cidade. Por meio de suas mãos, vieram ao mundo filhos das tradicionais famílias cubatenses Couto, Torres, Terras, Cunha, da Guarda e Ruivo.

Cursou o primário na escola estadual Júlio Conceição e o secundário no Afonso Schmidt. Com muita determinação, conseguiu feitos impressionantes. Formado pela Academia da Força Aérea, foi piloto de aeronaves. Como se não bastasse, graduou-se em outros sete cursos da Universidade de São Paulo. Vamos à lista: Biologia, Geografia, História, Pedagogia, Filosofia, Teologia e Engenharia.

Isso sem falar no doutorado em Citologia (o estudo das células) e com passagens pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, onde morou por algum tempo.

Professor de Geografia da Rede Municipal de Ensino, onde lecionou por muitos anos, Madeira foi convidado em 2006 pela Secretaria de Educação para cuidar da vinda para Cubatão da Escola Técnica Estadual do Centro Paula Souza.

Desde 2007, professor Madeira está empenhado no que considera ser a missão de sua vida – a vinda para a Cidade de um campus da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, a Poli-USP.

Quando fala desta luta, o professor se emociona e chega às lágrimas. “Este é o meu maior desejo. Quero que os jovens da minha cidade tenham a mesma oportunidade que tive de estudar e crescer na vida. Estamos diante de uma chance histórica para Cubatão e não podemos desperdiçá-la por interesses pessoais”.

Quando o assunto é educação, o biólogo, geólogo, historiador, pedagogo, filósofo, teólogo, engenheiro e piloto da Aeronáutica é enfático. “Durante muito tempo, temi ser um Dom Quixote, lutando contra os moinhos de vento. Felizmente, a classe política da Cidade percebeu a importância de uma universidade pública no município. Agora, é superar pequenos entraves burocráticos para dar à população cubatense a chance de mudar a sua história. Que os detentores do poder em Cubatão deixem de olhar apenas para seus umbigos e olhem pela janela. Pensem nos jovens deste lugar e façam a coisa certa”.

Ex-candidato a prefeito e a vereador, ele diz agora apenas querer se candidatar a único cargo na vida: “Quero apenas me candidatar a uma vaga no coração das pessoas”.

Professor, com certeza, esta eleição é garantida.


%d blogueiros gostam disto: