‘Fiz os gringos irem pra Cubatão e olha no que deu’

06/06/2017

Nos anos 1980, Cubatão era um dos alvos preferidos para sofrer bullying na mídia. Embora já estivesse se recuperando da terrível poluição que a tornou conhecida mundialmente no início daquela década, em 1987 a cidade ainda era uma piada muito fácil para ser descartada pela politicamente incorreta publicidade da época.

Registro aqui mais uma pérola descoberta nos confins da internet: um comercial da companhia locadora de carros Localiza que hoje seria impensável, mas que há exatos 30 anos foi exibido em plena Rede Globo no horário nobre.

É até difícil apontar os problemas na peça, pois tudo na propaganda é errado: desde a trollagem nos gringos visitando São Paulo à caracterização de Cubatão como não só um local poluído, mas também composto por becos escuros e habitados por uma gangue digna de filme B da Sessão da Tarde.

Anos 80, amigos. Tempos muito, muito doidos.


Desarmando a bomba

07/05/2017

Costuma-se definir de surreal uma situação que foge à compreensão da realidade. Mas nos últimos meses, a situação de Cubatão adquiriu tons de dadaísmo, movimento artístico dos anos 1910 baseado na ode à confusão.

Vivemos dias bagunçados, frustrantes, sem horizonte. A cada hora, novas notícias ruins, novos anúncios negativos, novos conflitos ásperos e muitas vezes desnecessários.

A cidade está basicamente parada. O discurso do atual governo para tal situação é o mesmo que o das últimas administrações: Cubatão está em crise, não é mais a “galinha dos ovos de ouro” de outrora.

E por que chegamos a esse ponto? Vivemos o resultado da insistente teimosia de sucessivos governos de que o Polo Industrial nos sustentaria eternamente. Pra que pensar em novas formas de pensar a cidade se sempre teríamos pelo menos um “bilhãozinho” em caixa, no pior dos cenários? Pra que investir em turismo, formação profissional qualificada de nossos jovens?

Pois bem, o preço por essa filosofia imediatista tem saído bem caro. E hoje a cidade está em uma encruzilhada: ou recolhe seus cacarecos e aprende a andar com as próprias pernas, ou definhará, presa a um passado que não tem volta.

Exatamente por isso, me causa angústia ver a Cubatão perdida de 2017. De qualquer lado que se observe, todos estão com pedras nas mãos. O pavio está aceso. E a bomba está prestes a estourar.

Eu falo a verdade e não minto: é hora de uma “DR” coletiva. Só o cubatense pode salvar Cubatão. Armas abaixadas, coração leve, humildade para ouvir sugestões e voltar atrás.

É hora de uma nova Agenda 21, no papel e nas atitudes. Não vamos perder o bonde da História de novo. Desperte, Cubatão.


Cubatão aparece em minissérie da Globo

02/05/2017

Caminho do Mar e tubulações da Usina Henry Borden aparecem em episódio de “Vade Retro”

No último dia 20 de abril, estreou na TV Globo a minissérie “Vade Retro“, com Tony Ramos e Mônica Iozzi. Quem assistiu ao primeiro episódio da obra de Fernanda Young e Alexandre Machado (autores da consagrada “Os Normais”), pode não ter notado, mas Cubatão aparece com destaque em uma das principais cenas do programa.

Dutos da Usina Henry Borden, em destaque na cena (Reprodução/TV Globo)

Quando Abel, personagem de Ramos, provoca na frente de Celeste (Iozzi) um apagão em toda a cidade onde a história se passa, a locação da cena é um dos locais mais conhecidos de Cubatão: a estrada do Caminho do Mar. Em destaque, as famosas tubulações de água que servem à Usina Henry Borden.

Segundo a comunicação da TV Globo, as cenas foram gravadas em junho de 2016. Quem já foi a algum dos locais da Estrada Velha nesta época do ano sabe bem: o frio é intenso.

Tony Ramos e Mônica Iozzi durante ensaios para gravação da cena (foto: Ramón Vasconcellos/TV Globo)

Aparentemente, a ex-CQC foi pega de surpresa com as baixas temperaturas no momento da gravação. Em entrevista ao site Notícias da TV, Mônica Iozzi comentou como foi gravar na região. “Foi muito sofrido (…) Eu estava com esse bendito vestidinho fininho, sem nada. Estava muito frio e ventando, a ponto de a gente estar em pé e balançar com a força do vento. Eu não tremia a boca na hora de falar o texto, não sei como. Mas eu falava o texto e voltava a tremer”, disse.

Clique aqui para ver a cena em que a locação cubatense aparece na minissérie global.

Curiosidade: em 2011 foi criada a Cubatão Film Comission, órgão ligado à Secretaria Municipal de Cultura para fomentar a realização de obras audiovisuais na cidade. Desde então, já foram gravados comerciais e programas de TV em locações como a Vila Fabril, a própria Estrada Velha e a Avenida Nove de Abril.


‘Timing’ é tudo

26/04/2017

“O tempo não para”

Em política, uma coisa é fundamental e decisiva para qualquer gestão: timing. Nem antes, nem depois. Algumas medidas precisam ser tomadas na hora certa.

O tempo certo para tomar alguma medida é tão ou até mais importante que o apoio legal ou a necessidade da tal ação. Falando de gestão pública, errar o timing é pecado quase mortal.

E medidas tomadas no tempo errado têm sido frequentes neste ano, localmente e nacionalmente. E as consequências disso estão aí, aos olhos de todos. Caos, incerteza, choque, incredulidade. Desilusão.

Medidas que, se tomadas no timing correto, teriam outras consequências. Menos traumas, menos cisões, mais entendimento.

O timing de uma decisão afeta duas coisas no responsável por ela: popularidade e credibilidade. Popularidade é algo que varia com o tempo e a circunstância. Tem seus altos e baixos. Credibilidade, no entanto, é algo bem mais difícil de conseguir. E muito fácil de perder.

Há tempo de falar, há tempo de calar. Há tempo de agir, há tempo de observar. Mas sempre há tempo. Resta ao gestor correr ao lado dele ou ser superado pelo implacável “tic-tac” da política e da realidade.

Fica a reflexão.


Cubatão nas ‘baladas’ europeias dos anos 1980

09/04/2017

No dia em que Cubatão completa 68 anos de emancipação político-administrativa, este blog traz uma história desconhecida e surpreendente. Em 1982, auge da disco music na Europa, uma balada fez alemães mexerem o esqueleto e refletirem sobre a industrialização desenfreada no hemisfério sul. Prepare o glitter e as polainas para conhecer uma das canções mais surreais de todos os tempos!

As responsáveis pela primeira “disco music de protesto” do mundo

A girl band “A La Carte” foi formada em 1978, na Alemanha Ocidental, e durou até 1985, com várias formações. Com hits do naipe de When the Boys Come Home, Do Wah Diddy Diddy, Ring Me, Honey e Viva Torero, o grupo era presença certa nos programas de TV e nas paradas do rádio de uma Europa que ainda vivia as consequências da Guerra Fria, com o infame Muro de Berlim ainda de pé.

Enquanto no Brasil, que vivia os estertores da Ditadura Militar, pouco se falava da poluição do ar desenfreada pela qual vivia Cubatão e suas tragédias subsequentes, o assunto gerou muita atenção e preocupação na Europa. O movimento ambientalista começava a ganhar força e diversos especialistas começaram a estudar o fenômeno que acontecia naquela então desconhecida cidade do hemisfério sul. Tal tema suscitou muitas reportagens e causou comoção do povo europeu.

O choque com as imagens registradas pela BBC no “Vale da Morte” à época foi tão grande que comoveu o trio pop alemão. Após uma discografia baseada em músicas sobre amor e dançar a noite toda, em um belo dia de 1982 o grupo resolveu fazer a primeira “dance music de protesto” da história. No álbum The Wonderful Hits Of A La Carte, Jeanny Renshaw, Linda Daniels e Joy Martin presentearam o mundo com a surpreendente e indescritível música “Cubatao”.

Tendo como personagem principal um “garoto de olhos castanhos” chamado Angelo (!), a letra composta por Martin Herbert, John Feechan, Simon Denbigh, Robert Priestly e Alan Mogg é um verdadeiro manifesto e um apelo para que a terra que antes tinha “abelhas e árvores cheirosas” pudesse ser novamente um “paraíso lá no sul, no Brasil”.

Hoje, felizmente, os tempos são outros. Cubatão ainda combate o problema da poluição, mas recuperou sua fauna e flora, trabalho reconhecido internacionalmente. Os tempos sombrios estão no passado.

Aumente o som e confira abaixo essa verdadeira pérola da disco music dos anos 1980. Pela primeira vez, traduzida para o português. Nostalgia e surpresas à la carte de uma cidade que ainda rende muitas histórias.


BBC destaca combate à poluição do ar em Cubatão

09/03/2017

A emissora de TV britânica BBC publicou hoje (9/3) matéria sobre o histórico trabalho de combate à poluição do ar em Cubatão nos anos 1980. Na época, após ser conhecida mundialmente como “Vale da Morte”, um intenso trabalho liderado pela companhia estadual de saneamento ambiental, a Cetesb, e pelo Governo do Estado, foi responsável por eliminar 90% das fontes poluidoras do Polo Industrial.

Para a matéria, a repórter Camilla Costa entrevistou o engenheiro ambiental e ex-secretário municipal de Meio Ambiente cubatense, Cleiton Jordão. Ele contou um pouco desta triste época, destacando os frequentes e aterrorizantes episódios de chuva ácida, conhecida entre os habitantes do extinto núcleo da Vila Parisi como “chuva que queima”.

A reportagem explica os motivos de Cubatão ter sido ao mesmo tempo o local perfeito e o pior espaço possível para a implantação das indústrias de base, fenômeno de uma época em que o Brasil vivenciava o desenvolvimentismo desenfreado do começo dos anos 1950.

Hoje, com as fontes controladas, o monitoramento constante da qualidade do ar é fundamental. Mas, como a explosão na Vale Fertilizantes em 5 de janeiro deste ano mostra, todo cuidado é pouco. Ainda temos um alto índice de poluição do ar, mas nada lembra os catastróficos anos em que “50 tons de cinza” era a melhor definição possível do céu cubatense.

Acompanhe vídeo da reportagem abaixo, com tradução livre minha. E se inscreva no meu canal no YouTube. Sempre tem alguma boa novidade por lá!


A disputa pelos muros da cidade

26/01/2017

Quem anda pela região central de Cubatão pode até não ter notado, mas uma guerra informal parece estar em andamento. Aparentemente, diversos grupos de pichadores estão “marcando território” em muros pela cidade. Com motivos variados, que vão de frases de efeito a meras assinaturas, as marcações estão por toda parte.

O fenômeno chama a atenção sobretudo neste momento em que o prefeito de São Paulo, João Doria, lançou uma ofensiva aos pichadores e suas “obras”. Como efeito colateral, os famosos grafites da metrópole também estão sendo atingidos pelo programa, o que tem gerado grande polêmica.

Doria é do PSDB, mesmo partido do prefeito cubatense, Ademário Oliveira. Enquanto medida semelhante não é lançada por aqui, acompanhe abaixo algumas das pichações pelos muros cubatenses registradas nos últimos dias:

FRASES

A categoria que mais chama a atenção é a de pichações com mensagens. Algumas poderiam fazer parte de um livro de autoajuda. Outras servem para marcar território ou posição. A última imagem desse item foi registrada pelo colega jornalista Victor de Andrade, do blog O Curioso do Futebol.

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ASSINATURAS

Como dito anteriormente, parece haver grupos diversos de pichadores. Cada um é marcado por uma “assinatura”. Elas podem ser vistas isoladamente em alguns muros. Uma parede próxima ao Hospital Municipal registra uma espécie de “galeria da fama”, com várias identificações.

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POSICIONAMENTO POLÍTICO

Há uma certa fascinação de um grupo pelo ex-presidente Getúlio Vargas, sobretudo acerca de seu conturbado mandato no Estado Novo. Além da pichação abaixo, em plena Rua Manoel Jorge (em frente ao Paço Municipal), há escritos no busto dedicado ao mandatário na praça que leva seu nome, na Avenida Joaquim Miguel Couto.
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Como último destaque, um “combo” de pichação política com posicionamento pró-descriminalização das drogas. Aparentemente, cada item da obra é de um grupo distinto. Esse elemento pode ser visto em vários pontos da cidade.
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Viu outras pichações curiosas por aí? Envie nos comentários! E confira pitacos, fotos, informações e muito mais nas minhas redes sociais 🙂
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