Já perdemos. Todos nós.

17/04/2016

Já perdemos todos.

Há um ano e meio, o País está parado por causa de uma briga desmedida por poder. Por causa da sanha do presidente da Câmara mais indigno do cargo em todos os tempos. Por causa do partido mais partido do País, que mais uma vez pode chegar ao posto máximo da República por um atalho.

Estamos aqui, 24 anos depois, enfrentando mais um processo traumático, mais uma chaga na nossa jovem democracia.

Enfrentamos brigas e divisões em nossas famílias, amigos, colegas de trabalho. A política no Brasil, que deveria ser o caminho da conciliação de ideias divergentes, mais uma vez se presta ao contrário. E não há inocentes nessa história.

A História julgará tudo o que está acontecendo por aqui desde outubro de 2014. Que as gerações futuras nos perdoem.


Cubatão, pelas lentes da extinta TV Tupi

28/01/2015

Fundada em 18 de setembro de 1950, a TV Tupi de São Paulo foi a primeira emissora de televisão do Brasil. Fundada pelo magnata das comunicações Assis Chateaubriand, a pioneira dentre as televisões mal completou 30 anos, encerrando suas atividades em 1980.

Em 2012, a Cinemateca Brasileira lançou um site em que disponibiliza, gratuitamente, vídeos do acervo de telejornalismo da Tupi, doados à entidade estatal, que os restaurou. Dentre as centenas de arquivos, encontrei dois vídeos sobre Cubatão, datados da década de 1960.

Os materiais estão sem áudio, em preto e branco e com desgastes devido à degradação das fitas, mas são um registro raríssimo e valioso dos primeiros anos da Cidade, emancipada de Santos em 1949.

O primeiro vídeo apresenta um passeio por Cubatão, além do registro da primeira sede da Prefeitura (atual Biblioteca Municipal). Em destaque, o prefeito à época, Luiz de Camargo da Fonseca e Silva, que dá nome ao atual Hospital Municipal de Cubatão (antigo Hospital Modelo).

No segundo material, um registro jornalístico de um parque de diversões temporário, montado na cidade. O local ficou completamente destruído após uma forte ventania.

Reuni os dois vídeos em um só arquivo, que pode ser conferido abaixo. Para mais registros interessantes, não deixe de conferir meu canal no YouTube.


Facos: 60 anos

26/12/2014
Antiga sede da Facos, na Pompeia/Santos

Antiga sede da Facos, na Pompeia/Santos

Um dos mais antigos cursos de Jornalismo do Brasil completou 60 anos em 2014: a faculdade de comunicação da UniSantos, a Universidade Católica de Santos. A antiga Faculdade de Comunicação de Santos (Facos) hoje é o Centro de Ciências da Comunicação e Artes, e já não funciona mais na sua tradicional sede da Rua Euclides da Cunha, no bairro da Pompeia. O terreno foi vendido pela universidade para um empreendimento residencial de luxo. Junto com o prédio demolido, sumiu grande parte da memória da comunicação regional, berço de jornalistas consagrados em todo o País.

Para celebrar os 60 anos do curso, a UniSantos tem convidado profissionais formados pela Facos a darem depoimentos sobre o curso. Fui um dos que participaram do projeto, que pode ser conferido aqui.

Leia abaixo meu depoimento sobre os bons tempos na Rua Euclides da Cunha, 264.
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Para os mais novos e para fins burocráticos, Centro de Ciências da Comunicação e Artes.

Mas para todos nós que nos formamos no saudoso prédio da Euclides da Cunha, sempre será a querida Facos.

Entrar naquele prédio em 2004, pela primeira vez, foi saber que meu sonho começava a se tornar realidade. Foram quatro anos de aprendizado, experiências, amizades e muito, mas muito orgulho de poder dizer de forma oficial: sou um jornalista formado.

Como esquecer a velha TV de 14 polegadas no pátio, disputada a tapas nos intervalos. Ou as impressoras matriciais e a inconfundível sinfonia quando trabalhavam freneticamente durante os fechamentos de AGÊNCIA FACOS, MURAL e ENTREVISTA. Aliás, tardes fantásticas, onde conhecemos a saudável loucura de uma redação (e onde adquiri o vício pelo café, o melhor amigo de um jornalista).

Ah, a querida biblioteca da Facos, com seus jornais e exemplares históricos, cuidados com todo carinho pelo inolvidável Marcílio!

Agradeço de coração ao empenho dos professores nessa incrível jornada. Mestres como Dirceu – rei dos churrascos e responsável por despertar o faro pela notícia com as cinco “pautinhas” semanais -, Ivani, Marcelo Di Renzo, Tecris, Paulo Börnsen, Ouhydes, grande Cláudio Lemos com suas folhas amareladas de diagramação… E o mito, a lenda: JB, meu orientador de TCC, junto com seu companheiro inseparável, o Duende Verde!

Que venham mais 60 anos de inovação, cultura, conhecimento e ensino. Se hoje faço da escrita e da comunicação o meu ofício, devo isso ao que vivi na inesquecível Rua Euclides da Cunha, 264.

Viva o jornalismo! Viva a Facos!

Allan Nóbrega – turma 2004/2007

Formandos da turma 2004/2007

Formandos da turma 2004/2007 (arquivo/nov-2007)

Formandas da turma 2004/2007

Formandas da turma 2004/2007 (arquivo/nov-2007)

 


13 de agosto de 2014

14/08/2014
Imagem do local logo após o acidente (foto: Carlos Pimentel Mendes/Reprodução)

Imagem do local logo após o acidente (foto: Carlos Pimentel Mendes/Reprodução)

Um triste capítulo da história da Baixada Santista e da política nacional foi escrito nesta quarta-feira, 13 de agosto de 2014, em Santos. Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco e candidato à Presidência da República pelo PSB, morreu em um acidente aéreo no bairro do Boqueirão, que deixou outras seis vítimas fatais. Ele se dirigia ao Guarujá para participar de um fórum sobre o Porto de Santos.

Tenho colegas que moram perto da região do acidente e que tiveram que deixar suas casas, temporariamente, para os primeiros trabalhos dos bombeiros e peritos. Eu não estava escalado para cobrir o evento do qual Campos participaria (e que minha assessorada também acompanharia), mas por volta das 10h30, o jornalista que estaria no fórum ligou para o trabalho comunicando um incidente.

Uma aeronave havia caído próximo à sua casa e ele não teria como chegar ao evento. Fui escalado em seu lugar. Mas logo o destino mostraria que não haveria mais o que cobrir no Guarujá. Restava a nós acompanhar um inesperado e terrível momento desse ano repleto de tristes surpresas.

Evitarei comentar sobre o acidente, afinal toda a mídia nacional já o abordou em detalhes. Mas destaco o reaparecimento de um antigo problema regional.

Em tempos de redes sociais, ainda me espanto com a certa dificuldade local na cobertura de fatos urgentes de abrangência nacional que acontecem por aqui.

Fora inúmeros perfis de Facebook e Twitter – é, nós jornalistas não somos mais os “donos da notícia” -, pelo meu monitoramento, as fontes de informação principais e detalhadas foram órgãos de imprensa nacionais.

Os motivos para isso são vários: precarização das condições de trabalho, pouca concorrência (apenas dois jornais impressos diários), a velha cultura da priorização do jornalismo “analógico”, em detrimento do investimento nos meios on-line.

Fica a reflexão sobre essa quarta-feira inesquecível para quem vive e trabalha com comunicação na Baixada Santista. E a tristeza pelos que se foram, demonstrando mais uma vez a inevitável perenidade da vida.

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Clique aqui para ler o completo depoimento do meu colega jornalista Carlos Pimentel Mendes, que testemunhou a tragédia, forçando a minha inesperada convocação para o fórum que o destino quis que não contasse com seu principal palestrante.


Relembrando a tragédia que nunca deve ser esquecida

25/02/2014
Alguns dos 93 corpos oficialmente encontrados após a tragédia. Outras centenas desapareceram sob as cinzas (imagem: Reprodução/TV Globo)

Alguns dos 93 corpos oficialmente encontrados após a tragédia. Outras centenas desapareceram sob as cinzas (imagem: Reprodução/TV Globo)

Todos somos vítimas do incêndio que atingiu a Vila Socó naquele fatídico fevereiro de 1984. Vítimas do progresso desenfreado, das agressões ao meio ambiente, da desigualdade social.

O fogo destruiu incontáveis vidas, sonhos, histórias. Mas a tragédia que fez o mundo chorar acabou sendo fundamental para que o mundo também abrisse os olhos, despertasse para o grave problema ambiental e social que o dominava. O problema não era Cubatão, Bhopal, Kuala Lumpur, Chernobyl. Éramos nós.

Vila Socó foi fundamental para o renascimento de Cubatão. Depois daquela madrugada de 24 para 25 de fevereiro de 1984, passaram a fazer parte da nossa vida conceitos como ecologia e justiça social. Nossa cidade descobriu e ensinou ao mundo o quão poderosa é uma sociedade quando se une por uma causa em comum. E nenhuma causa é mais nobre que a nossa própria sobrevivência.

Nos dias e meses seguintes à tragédia, Cubatão foi o principal assunto nacional. Um batalhão inédito de jornalistas e equipes de rádio e TV se revezavam para informar ao País e ao mundo os desobramentos do episódio. Revistas tiveram que interromper a impressão de suas edições especiais de Carnaval para atualizar seus noticiários da semana. O cinza invadia as capas outrora coloridas.

Quem estava em Cubatão nessa época não esquece as imagens, os cheiros, as sensações de angústia e impotência que imperavam em todos, de autoridades a experientes repórteres e heróicos bombeiros. Todos foram transformados. Nos tornamos mais humanos após Vila Socó.

Dos escombros, surgiu a Vila São José, hoje um núcleo urbanizado e regularizado, que sedia um dos principais centros de lazer da Cidade, a Praça da Cidadania.

Mas a cada dia, a luta contra o fantasma do Vale da Morte deve persistir. Não podemos nos acomodar. Em respeito aos que se foram há 30 anos, e ao futuro de nossos filhos, a Vila Socó precisa continuar viva em cada um de nós.

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A seguir, imagens da cobertura da imprensa à época. Repare que as revistas Veja e Manchete tiveram que atualizar suas edições de carnaval, que já estavam rodando nas gráficas, o que forma uma constrangedora contradição entre a folia das imagens coloridas e o texto fúnebre dos destaques.

Agradecimentos ao jornalista Carlos Pimentel Mendes (site Novo Milênio) e ao Arquivo Público Municipal de Cubatão.

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O mito da imparcialidade

13/11/2013

Reprodução/internetDesde que coloquei os pés pela primeira vez na faculdade de jornalismo (sim, eu sou um dos neandertais que têm diploma de jornalista), ouço aquela palavrinha mágica: imparcialidade. Em teoria, o jornalista precisa ser imparcial, dar os dois lados da notícia de forma igual, blá, blá, blá.

Mas o mundo real é diferente. Por diversos fatores e interesses, a tal imparcialidade atualmente não passa de conto da carochinha. Por trás de cada jornal, rádio (“comunitária” ou comercial), TV, e portal, existem corporações e pessoas, com diversos interesses e preferências.

Por exemplo: a Globo divulga com ênfase em todos os seus telejornais “notícias” diárias sobre um certo festival de música. Por quê? Para divulgar boas opções culturais a seu público? Porque ela incentiva a música e quer preencher a lacuna deixada pela MTV? Claro que não.

Semanas depois, a resposta: ela irá transmitir o tal evento, que pela ampla divulgação, passou a chamar a atenção do público. E demanda popular é um termo mágico para o mercado publicitário, que compra rapidamente todas as cotas de patrocínio. Com isso, ciclo fechado: aquela singela informação nos telejornais, disfarçada de informação jornalística, rendeu um belo $ pra nobre emissora carioca.

Fiz todo esse prólogo apenas para chegar em um ponto: ninguém é imparcial. Todos temos preferências políticas, religiosas, futebolísticas, financeiras, filosóficas… É o que nos diferencia dos outros animais. E, embora muitos não acreditem, jornalistas também são seres humanos.

Portanto, tudo bem que o comunicador tenha um lado. Ele pode não gostar de tal partido, odiar fulano ou sicrano. Mas existe uma outra palavrinha mágica: transparência.

Um jornalista pode ser profissional e ter um lado. Basta deixar isso claro a seu público. Se eu sou de esquerda, tenho que deixar isso o mais transparente possível, declarar publicamente a minha posição. O mesmo vale pra quem é de direita, centro, etc.

Com isso, o leitor terá todas as condições de filtrar a informação que recebe – e procurar os outros aspectos da notícia, de pensamentos diferentes. É assim que o jornalismo contribui com a sociedade: tem fontes para todos os gostos. Basta saber filtrar cada uma e formar seu próprio pensamento. Cuidado com os lobos em pele de cordeiro que bradam serem independentes no jornalismo.

Pra cada Veja, tem uma Carta Capital. Imparcialidade é mito. Transparência, não.


Cubatão protesta, mas vandalismo prejudica dia histórico

19/06/2013
13-06-18 - Vandalismo Centro Cubatão - AN (75)

Ônibus foi destruído e incendiado na Avenida Nove de Abril

 

O dia 18 de junho de 2013 já está marcado na história de Cubatão. A onda de protestos por tudo, “não apenas por 20 centavos”, que se espalha pelo País, chegou ao Município. Dois atos foram realizados no final da tarde, reunindo centenas de pessoas. Uma bela página de nossa democracia, infelizmente prejudicada por atos isolados de vandalismo, que trouxeram o caos à região central.

Por volta das 17 horas, dezenas de pessoas, sobretudo estudantes, se reuniram no Paço Municipal para fazerem um ato contra tudo o que está errado, passando por críticas à saúde, educação, gastos públicos com a Copa do Mundo e corrupção. Pacificamente, o grupo seguiu pela Avenida Nove de Abril e rumou para o Trevo de Cubatão, onde bloquearam o tráfego nas rodovias Cônego Domênico Rangoni e Anchieta por cerca de uma hora.

Em seguida, o grupo, com mais de 500 pessoas, caminhou novamente para a avenida principal da Cidade, onde encerraram o ato.

Também no final da tarde, um outro grupo se concentrou atrás do Paço Municipal. O objetivo desse movimento, dentre o qual fazia parte a prefeita Marcia Rosa, era diferente: clamar pela paz em Cubatão.

Vestidos de branco, os integrantes caminharam pela Rua Pedro de Toledo e seguiram rumo à Praça Princesa Isabel, onde deram um abraço simbólico no logradouro público, um dos símbolos da Cidade.

Vandalismo

Depois dos atos pacíficos e democráticos, infelizmente a violência marcou presença. Um pequeno grupo, alheio aos movimentos, promoveu atos de vandalismo no Centro logo após os protestos. Lixeiras foram queimadas na Rua Manoel Jorge e vidros foram quebrados nos prédios da Prefeitura e Câmara. O Bloco Cultural foi pichado e equipamentos de sinalização foram jogados no chão.

Os vândalos entraram em conflito com policiais da Tropa de Choque, chamada para a ocorrência. Jornalistas e fotógrafos que cobriam o incidente foram atingidos com pedras e ovos.

O grupo de criminosos seguiu para a Avenida Nove de Abril, onde promoveu caos e destruição. Lixeiras foram incendiadas. Uma joalheria próxima à antiga entrada do parque Anilinas foi saqueada e destruída.

Completando o itinerário de terror, os vândalos cercaram um ônibus municipal, retiraram seus integrantes e atearam fogo ao veículo. As chamas acabaram atingindo a rede elétrica da região, que acabou prejudicada.

A Prefeitura de Cubatão lamentou o incidente. “A Prefeitura de Cubatão considera válidas as manifestações pacíficas e próprias da democracia. No entanto, lamenta qualquer excesso ou prática violenta que não combinam com as reivindicações legítimas da população. E repudia a infiltração de pessoas que se aproveitam para praticar atos de vandalismo contra órgãos públicos e propriedades particulares. O povo deve repudiar este tipo de atitude para que as manifestações não sejam desvirtuadas de seu propósito”.

O órgão também informou que o transporte público, principal item gerador do movimento nacional, foi prejudicado. “(…) não será possível manter o serviço normal de transporte público coletivo no Município durante esta quarta-feira (19). O motivo é que além do ônibus que foi queimado na Avenida Nove de Abril, outros 23 veículos da frota que realiza o transporte de passageiros no Município foram danificados. Na grande maioria, os veículos tiveram janelas e para-brisas danificados, segundo a concessionária. A Empresa informou que praticamente todos as linhas serão prejudicadas e que o serviço estará normalizado conforme os reparos nos ônibus forem concluídos”.

Diversos jovens que participaram dos protestos também lamentaram os incidentes, enfatizando o caráter pacífico do movimento.

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Veja abaixo imagens minhas e vídeo exclusivo com a situação no Centro de Cubatão após os protestos.

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